Considere um paciente com linfoma não Hodgkin de alto grau,...
Considere um paciente com linfoma não Hodgkin de alto grau, que inicia tratamento quimioterápico. Durante o tratamento apresenta as seguintes alterações laboratoriais: potássio = 6,6 mEq/L; cálcio total = 6,1 mg/dL; ácido úrico = 12,3 mg/dL; fósforo = 5,4 mg/dL; creatinina = 1,35 mEq/L; ureia = 67 mEq/L.
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o diagnóstico e medida a ser adotada.
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Tema central: Nesta questão, o ponto chave é Síndrome de Lise Tumoral (SLT), condição hematológica grave causada pela destruição maciça de células malignas – comum em linfomas de alto grau durante quimioterapia. Isso leva à liberação abrupta de conteúdos intracelulares (potássio, fosfato, ácidos nucleicos) na circulação, causando desequilíbrios metabólicos graves.
Análise do caso: O paciente apresenta hipercalemia (potássio 6,6 mEq/L), hipocalcemia (cálcio total 6,1 mg/dL), hiperuricemia (ácido úrico 12,3 mg/dL), hiperfosfatemia (fósforo 5,4 mg/dL). Segundo o Protocolo Clínico Setorial do HC-UFMG e o Manual MSD, tais achados definem SLT laboratorial.
Justificativa da alternativa correta (E):
A Síndrome de Lise Tumoral requer hidratação vigorosa como primeira e principal medida. O objetivo é diluir as substâncias liberadas, evitar nefropatia por ácido úrico e promover excreção renal de metabólitos. Diretrizes nacionais e internacionais (ex: UpToDate, Protocolo Clínico Setorial do HC-UFMG) concordam quanto à necessidade de infusão de volumes elevados de solução fisiológica, antes mesmo de outras intervenções.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Nefrite intersticial – hidratação vigorosa: Nefrite intersticial não cursa com esse padrão eletrolítico típico de SLT; diagnóstico incorreto.
- B) Pancreatite aguda – reposição de cálcio e hidratação: Os laboratoriais não indicam pancreatite nem justificam a reposição de cálcio como prioridade.
- C) Síndrome de lise tumoral – alcalinização da urina: A alcalinização não é mais recomendada rotineiramente pois pode piorar a precipitação de fosfatos de cálcio, aumentando o risco renal (vide Harrison’s Principles of Internal Medicine, 20ª ed.).
- D) Nefrite intersticial – bicarbonato de sódio: Além do erro diagnóstico, o uso indiscriminado de bicarbonato pode ser deletério.
Dicas para provas: Atenção ao conjunto de distúrbios metabólicos indicados no enunciado e ao contexto (câncer hematológico + quimioterapia). Termos como “alcalinização da urina” costumam ser pegações, pois o manejo atual foca em hidratação vigorosa e manejo específico dos distúrbios de eletrólitos e ácido úrico (Alopurinol, Rasburicase).
Resumo: Reconhecer o perfil laboratorial típico de SLT e saber a conduta inicial adequada é fundamental para provas e prática clínica!
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