Lactente de 8 meses, que era portador de cirrose hepática po...

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Q3366453 Medicina
Lactente de 8 meses, que era portador de cirrose hepática por atresia das vias biliares sem cirurgia prévia, foi submetido a um transplante hepático com doador vivo aparentado (pai). O transplante transcorreu sem intercorrências, com peso do enxerto 3%, anastomoses boas de artéria hepática e veia porta, dreno abdominal com saída de secreção serossanguínea, sonda nasogástrica aberta, sonda vesical de demora, pressão arterial invasiva na artéria radial esquerda, cateter de duplo lúmen na jugular interna direita. O anestesista informa que realizou bloqueios abdominais no final da cirurgia. O lactente chega à UTI sedado, recebendo noradrenalina (0,02 mcg/kg/min), com PA estável, em ventilação mecânica controlada, saturando 99% em FiO2 de 35%, pressão controlada de 10 sobre PEEP de 6 com volume corrente adequado.
Assinale a alternativa correta com relação aos cuidados de pós-operatório e às metas assistenciais a serem alcançadas.
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Tema central: Cuidados pós-operatórios imediatos em transplante hepático pediátrico, destacando vigilância hemodinâmica, manejo da dor, prevenção e diagnóstico precoce de complicações vasculares e infecciosas.

Justificativa da alternativa correta (B):

No pós-operatório de transplante hepático pediátrico, o manejo multidisciplinar busca manter a volemia, controlar sangramentos, monitorar diurese, tratar distúrbios hidroeletrolíticos/ácido-básicos, garantir analgesia eficaz (com dipirona de horário e opiáceos apenas se houver dor) e monitorizar complicações vasculares com ultrassonografia doppler das anastomoses. A diurese rigorosa e o balanço hídrico ajudam na detecção precoce de disfunção renal e sobrecarga volêmica.

Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, “O manejo pós-operatório imediato deve incluir monitorização hemodinâmica rigorosa, controle da dor, avaliação e correção de distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, além de vigilância para detecção precoce de complicações vasculares e infecciosas”.

O objetivo é extubar a criança apenas quando ela acordar e apresentar estabilidade clínica, conforme exames de tórax, além de ajustar imunossupressão e garantir antibioticoprofilaxia.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta: Propõe analgesia contínua com opiáceos sem individualizar conforme necessidade, o que pode aumentar riscos de depressão respiratória.

C) Incorreta: Sugere alternância com “halexaminifeno” (inexistente) e anti-inflamatório não hormonal, o que não é indicado pelo risco de sangramento e toxicidade renal. Omite início imediato da imunossupressão e permite atraso excessivo na extubação.

D) Incorreta: Orienta retirada precoce e não protocolar de cateteres e sondas, além de permitir alimentação sem garantia de plena consciência nem protocolo padrão pós-transplante.

E) Incorreta: Indica manutenção de drogas vasoativas independentemente da estabilidade hemodinâmica e sugere transfusão profilática de hemoderivados, prática não recomendada devido a riscos de sobrecarga volêmica e reações.

Dicas de interpretação:

Observe detalhes como extubação precoce apenas se critérios clínicos e laboratoriais forem atendidos, analgesia titulada à necessidade e ajuste da imunossupressão pelo time de transplante. Termos ambíguos e condutas rotineiras, mas não baseadas em protocolos, costumam ser pegadinhas.

Referência: Manual de Cuidados Intensivos em Hepatologia (SBH), PCDT Imunossupressão no Transplante Hepático (MS), UpToDate, Sabiston – Tratado de Cirurgia.

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