Uma criança de 3 anos, 15 kg, portadora de leucemia linfoide...
Assinale a alternativa que apresenta corretamente os diagnósticos e o tratamento inicial adequado.
Gabarito comentado
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Tema central: criança onco-hematológica com neutropenia febril evoluindo com sepse grave/choque séptico e insuficiência respiratória aguda. Exige abordagem ABC rápida: via aérea, oxigenação/ventilação, perfusão, antibiótico precoce e vasopressor.
Raciocínio diagnóstico: hipotensão (72/35), taquicardia, hipoxemia grave (Sat 81% apesar de máscara não reinalante), rebaixamento do nível de consciência, sinais de infecção em cateter e trombocitopenia (petéquias). TEC de 0,5 s sugere choque distributivo hiperdinâmico (quente). Trata-se de infecção grave provável relacionada a cateter em neutropênica, com IRA e choque séptico.
Por que a alternativa C está correta:
- Via aérea/ventilação: Hipoxemia refratária e Glasgow baixo impõem intubação orotraqueal imediata. A ventilação com pressão positiva em FiO2 100% para sequência rápida é adequada. Quetamina preserva tônus simpático e estabilidade hemodinâmica; rocurônio é bloqueador neuromuscular seguro. (SSC 2020 pediátrico; PALS/AHA 2020)
- Circulação: Já recebeu 40 mL/kg; persiste hipotensa → iniciar vasopressor. Em fenótipo hiperdinâmico, a noradrenalina é o fármaco de escolha. (SSC 2020)
- Infecção: Antibioticoterapia de amplo espectro na 1ª hora, após coleta de culturas (sem atrasar). Cobrir Gram-negativos incluindo Pseudomonas (ex.: cefepime/piperacilina-tazobactam) e associar cobertura para Gram-positivos (vancomicina) pela suspeita de infecção de cateter. (UpToDate; IDSA neutropenia febril)
Por que as demais estão incorretas:
A) Alto fluxo nasal é insuficiente em hipoxemia grave com rebaixamento de consciência; propõe mais bolus (já 40 mL/kg), aumentando risco de sobrecarga; não inicia vasopressor. Sequência não condiz com choque refratário.
B) Classifica como hipodinâmico e usa adrenalina, mas mantém apenas alto fluxo, sem controle definitivo de via aérea. Em provável fenótipo quente, noradrenalina é preferível.
D) Propõe VNI apesar de rebaixamento (contraindicação relativa) e usa succinilcolina (risco de hiperpotassemia) e etomidato (supressão adrenal, pior desfecho em sepse). Não é a estratégia mais segura.
E) Sedação com midazolam/fentanil em choque pode agravar hipotensão. Remoção imediata do cateter não precede estabilização hemodinâmica; indicada se infecção do túnel/bolsa, bacteremia persistente/instabilidade apesar de tratamento. Prioridade é ressuscitar e iniciar antibiótico.
Pegadinhas e estratégias:
- Sat 81% + rebaixamento → intubação imediata; HFNC/VNI não bastam.
- Após 40–60 mL/kg sem resposta, evite mais bolus e inicie vasopressor precoce.
- Fenótipo quente: noradrenalina; frio: adrenalina.
- Antibiótico na 1ª hora, culturas antes se possível, sem atraso.
Referências: Surviving Sepsis Campaign 2020 (pediátrico); AHA PALS 2020; UpToDate: Febrile neutropenia in children; IDSA Guidelines for Neutropenic Fever; Nelson Textbook of Pediatrics.
Gabarito: C
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