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Q3366450 Medicina
Uma criança de 1,5 ano, 12 kg, 78 cm, foi vítima de queimadura – o quarto onde estava pegou fogo há cerca de uma hora. Ao dar entrada no hospital, observa-se uma superfície queimada de 45%, com queimaduras de segundo e terceiro graus, em face e cabeça, tronco e abdome anterior, além de braços. Notam-se presença de estridor inspiratório e desconforto respiratório moderado, pressão arterial de 80 x 50 e tempo de enchimento capilar de 2 segundos. A mãe relata que a criança estava tratando um quadro gripal desde um dia antes do acidente, mas não estava com desconforto respiratório.
Com relação ao atendimento inicial e ao prognóstico dessa criança, é correto afirmar que se deve obter dois acessos venosos, iniciar reposição de
Alternativas

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Tema central: A questão trata do atendimento inicial à criança com queimadura extensa, enfatizando reposição volêmica, manejo da via aérea e fatores prognósticos.

Justificativa para a alternativa correta (B):

Em queimaduras pediátricas graves (>20% de SCQ), a prioridade é estabilização hemodinâmica com reposição volêmica guiada por protocolo e proteção precoce da via aérea quando houver risco de lesão inalatória (estridor, desconforto). Segundo a Fórmula de Parkland modificada para crianças (3mL x peso x %SCQ), para esta criança (12kg, 45%), o volume total em 24h é 1.620mL (810mL/8h = ~101mL/h e depois 810mL/16h = ~51mL/h). A alternativa B propõe volume dentro do esperado, administração de soro de manutenção basal sem potássio (evita hiperpotassemia inicial), O2 a 100% e intubação em sequência rápida, utilizando rocurônio (bloqueador muscular de escolha), propofol e fentanil.

Prognóstico: Está cientificamente comprovado que a idade precoce e extensão da superfície corporal queimada aumentam risco de óbito e complicações (Ministério da Saúde, SBQ).

Análise das alternativas incorretas:

A e E: Embora abordem volumes próximos ao da fórmula, ambas erram ao vincular o prognóstico unicamente à lesão de via aérea (A) ou tempo de exposição (E). Embora a queimadura inalatória agrave o caso, o que determina o prognóstico principal em pediatria é a idade e a SCQ atingida. A sequência de intubação com succinilcolina pode ser evitada em queimados, devido ao risco de hiperpotassemia (Livro: Nelson Tratado de Pediatria, 21ª Ed., Cap. 103).

C: Propõe volume inadequado, nebulização com adrenalina e dexametasona que não têm benefício comprovado no tratamento da lesão inalatória por queimadura. O prognóstico está incorretamente atrelado apenas à profundidade das queimaduras.

D: Indica volume baixo, uso de antibiótico profilático (sem recomendação de rotina) e nebulização, além de sustentar um prognóstico baseado em infecção prévia inespecífica, o que não corresponde à gravidade da lesão térmica.

Pontos-chave e estratégias de prova:

  • Identifique sempre sinais de lesão inalatória (estridor, rouquidão, fuligem), que demandam proteção precoce da via aérea.
  • Calcule meticulosamente o volume de reposição com base no peso e SCQ.
  • Desconfie de associações prognósticas simplistas; foque nos determinantes epidemiológicos principais (idade, SCQ).

Protocolos: “O prognóstico dos pacientes queimados depende principalmente da idade e extensão da queimadura” (Protocolo do Ministério da Saúde, p. 22).

Conclusão: A alternativa B está correta por seguir as melhores evidências e protocolos atuais.

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