Um lactente de 1,5 mês sofre um acidente automobilístico; em...
Um lactente de 1,5 mês sofre um acidente automobilístico; embora estivesse no banco traseiro, estava sendo transportado no colo da mãe e foi arremessado contra o vidro dianteiro do carro.
Com relação aos cuidados no atendimento inicial desse
lactente, é correto afirmar:
Gabarito comentado
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Tema central: Atendimento inicial ao trauma em lactentes seguindo o ABCDE (ATLS/PALS), com suspeita de lesão cervical e TCE pelo mecanismo de alta energia (lactente sem restrição, arremessado contra o parabrisa).
Alternativa correta: D — Inicia-se pela via aérea com estabilização manual da coluna cervical, seguida de ventilação (A e B do ABC), conforme ATLS 10ª ed. e PALS/AHA. Em lactentes, a grande proporção da cabeça aumenta o risco de lesão cervical e TCE; portanto, deve-se manter alinhamento neutro da coluna, aplicar colar cervical adequado o mais cedo possível e avaliar ventilação/oxigenação. Após A-B-C, realiza-se avaliação neurológica rápida (D: AVPU/Glasgow pediátrico, pupilas) e exposição (E). Dica prática: devido ao occipício proeminente, pode ser necessário elevar o dorso com coxim para manter o pescoço neutro e evitar flexão.
Por que essa é a melhor resposta? A sequência ABC prioriza intervenções que salvam vidas imediatamente (desobstruir via aérea, ventilar, oxigenar, controlar choque) e protege a coluna cervical desde o primeiro contato. Diretrizes: American College of Surgeons (ATLS), AHA/PALS, AAP e UpToDate concordam.
Análise das alternativas incorretas:
A — Afirma que não se recomenda colar cervical por “elasticidade” ligamentar. Incorreta. Em crianças há maior laxidez ligamentar, o que aumenta o risco de SCIWORA (lesão medular sem fratura). Logo, imobilização cervical profilática é indicada em mecanismo de alto risco (ATLS/AAP/UpToDate).
B — Sugere iniciar pelo exame neurológico. Incorreta. Apesar do risco aumentado de TCE pela cabeça proporcionalmente maior, a avaliação neurológica é o D do ABCDE, após garantir A-B-C. Inverter a sequência pode atrasar intervenções vitais (ATLS/PALS).
C — Propõe RM cervical como “essencial” na avaliação inicial. Incorreta. Na fase inicial, a prioridade é estabilizar o paciente. A imagem é direcionada: RX/TC conforme estabilidade e critérios clínicos; RM é indicada quando há déficit neurológico com RX/TC normais (SCIWORA) ou dor/deficit persistentes, mas não é exame de triagem imediata (ATLS, UpToDate).
E — Alega que a “plasticidade” craniana reduziria lesão. Incorreta. Embora suturas abertas permitam alguma dissipação de energia, o crânio é mais fino e as veias ponte são vulneráveis, elevando o risco de hematoma subdural e lesão cerebral mesmo sem fratura (AAP/UpToDate). Mecanismo descrito é de alto risco.
Estratégia para a prova: reconheça o mecanismo de alta energia + lactente sem contenção = imobilização cervical imediata e ABC. Use manobra de tração mandibular para abertura da via aérea (evite hiperextensão), oxigênio suplementar e reavaliação contínua.
Referências-chave: ATLS 10ª ed. (ACS-COT); PALS/AHA; American Academy of Pediatrics; UpToDate (Pediatric trauma, cervical spine injury in children); Diretrizes SBP sobre trauma pediátrico.
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