“Não chovia há muitos e muitos meses...” (1º parágrafo) Nes...

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A CAUSA DA CHUVA



    Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão.

    – Chove só quando a água cai do teto do meu galinheiro, esclareceu a galinha.

    – Ora, que bobagem! disse o sapo de dentro da lagoa. Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.

    – Como assim? disse a lebre. Está visto que chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d’água que tem dentro.

    Nesse momento começou a chover.

    – Viram? gritou a galinha. O teto do meu galinheiro está pingando. Isso é chuva!

    – Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? disse o sapo.

    – Mas, como assim? tornava a lebre. Parecem cegos? Não veem que a água cai das folhas das árvores?



MORAL: Todas as opiniões estão erradas.



(Millôr Fernandes. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991.)

“Não chovia há muitos e muitos meses...” (1º parágrafo)


Nesse trecho, a ação ocupa

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Em “Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos.”, o pretérito imperfeito e a expressão de duração situam a ausência de chuva antes do ponto de referência; D depende de tomar esse ponto como presente interno da narrativa.

Tema central: Duração e referência temporal
Análise das alternativas
A
Errada
O pretérito imperfeito “chovia” e a duração de muitos meses situam a ausência de chuva anteriormente ao momento de referência. Não há, nessa oração, um intervalo iniciado no presente e projetado para o futuro.
B
Errada
A situação não se restringe ao presente: “chovia” está no pretérito imperfeito, e “há muitos e muitos meses” indica duração anterior ao momento de referência. A forma “há”, embora esteja no presente, não determina sozinha a localização temporal de toda a oração.
C
Errada
Na leitura adotada pelo gabarito, a situação alcança o momento considerado presente interno da narrativa, por isso a banca não a restringe ao passado. Contudo, C é defensável se o passado for estabelecido em relação ao momento em que a história é contada: “chovia” apresenta uma situação passada, e “Nesse momento começou a chover.” situa seu término na sequência narrativa. Para excluir C de maneira inequívoca: Base insuficiente para justificar esta alternativa sem extrapolação.
D
Certa
A alternativa D é a oficial porque considera que a ausência de chuva começou anteriormente e permanecia no momento em que os animais ficaram inquietos, tomado como presente interno da narrativa. A duração decorre da associação entre “não chovia” e “há muitos e muitos meses”. Essa justificativa exige a distinção entre o momento vivido pelos personagens e o momento em que a história é contada.
Pegadinha da questão
Confundir duração com continuidade até o presente do narrador. Nem o pretérito imperfeito nem a forma “há” garantem essa continuidade; D exige considerar o presente interno da narrativa, distinção que o comando não explicita.
Dica para questões semelhantes
  • Examine conjuntamente o tempo do verbo e a expressão de duração: “há” não localiza sozinho toda a situação no presente.
  • Identifique o ponto de referência temporal: o momento vivido na narrativa pode ser diferente do momento em que ela é contada.
  • Observe a progressão narrativa para verificar quando a situação termina e se há fundamento para afirmar que ela alcança o presente.

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