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Q3366444 Medicina
Na manutenção de uma criança em morte encefálica para a possível doação de órgãos, pode ocorrer uma série de distúrbios eletrolíticos que precisam ser corrigidos.
Com relação a esses distúrbios eletrolíticos, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Tema central da questão: A questão aborda os distúrbios eletrolíticos em crianças com morte encefálica no contexto da manutenção para possível doação de órgãos. Compreender essas alterações é fundamental para garantir a viabilidade dos órgãos e a segurança do processo.

Justificativa para a alternativa correta (A): A morte encefálica pode causar disfunção hipotalâmica, levando ao diabetes insipidus central, que resulta em poliúria e rápida elevação do sódio sérico (hipernatremia). Paralelamente, a resposta ao estresse da morte encefálica desencadeia liberação aumentada de catecolaminas e cortisol, elevando a glicemia. A hiperglicemia pode provocar uma pseudo-hiponatremia (dilucional), e durante o seu controle, pode haver reajuste nos níveis de sódio. Corrigir ambos os distúrbios é crucial para assegurar a preservação dos órgãos.

Segundo Westphal et al., 2011: “O manejo correto dos distúrbios hidro-eletrolíticos e glicêmicos é fundamental para estabilização do potencial doador” (p. 86).

Análise das alternativas incorretas:

B) Exagera a frequência da hipocalemia (não é a mais comum nesse contexto) e sugere uma reposição rápida demais. Conforme recomenda a literatura, o ritmo deve ser controlado (tipicamente 0,2–0,5 mEq/kg/h), sempre com monitorização para evitar arritmias (Goldman-Cecil, 25ª Ed.).

C) A hipocalcemia não é esperada como distúrbio primário em morte encefálica. Embora a administração lenta de cálcio seja apropriada, a indicação de 1 a 2 mL/kg pode ser excessiva e a frequência dessa reposição é superestimada neste contexto.

D) Apesar da hipofosfatemia poder ocorrer, a velocidade de infusão NUNCA deve ser desconsiderada por risco de efeitos adversos graves, como hipercalemia, arritmias e tetania. A co-administração de potássio e fosfato deve ser monitorada com atenção.

E) Ao contrário do que afirma, não é a hiponatremia, mas a hipernatremia que prevalece. O mais frequente é diabetes insipidus central, não SIADH. A estratégia descrita (restrição hídrica + diurético) pode agravar a desidratação e não corrige o quadro predominante em morte encefálica.

Dica de prova: Atenção a palavras como “comum” e “frequente”, e evite respostas que generalizem condutas sem considerar monitorização laboratorial cuidadosa!

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