Homem, 67 anos, com antecedente de tabagismo (40 maços/ano),...
Homem, 67 anos, com antecedente de tabagismo (40 maços/ano), hipertensão e dislipidemia, refere que, há um mês, apresenta edema associado a hiperemia em face, ao se levantar pela manhã. Refere que há 1 dia, ao tentar carregar um saco de 5 kg de arroz, de seu carro até o elevador, apresentou pré-síncope, com sensação de escurecimento visual e taquicardia. Refere que interrompeu o esforço, sentou-se e, após 10 minutos, apresentou melhora do quadro. Exame físico: PA = 120 x 80 mmHg; FC = 62 bpm; FR = 22 ipm; e SpO2 em ar ambiente = 93%; presença de estase venosa jugular e edema craniofacial, além de edema discreto em membros superiores; membros inferiores com pulsos periféricos palpáveis, simétricos e sem edemas; ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações. Realizado eletrocardiograma que não evidenciou alterações significativas.
Com base no quadro clínico é possível formular uma principal hipótese diagnóstica. Assinale a alternativa que apresenta o exame complementar que mais contribuirá para a confirmação diagnóstica desse paciente.
Gabarito comentado
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Tema central da questão: Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS)
Este caso clínico exige o reconhecimento de sinais e sintomas clássicos da SVCS, uma emergência oncológica frequentemente causada por massas mediastinais, como câncer de pulmão – principal diagnóstico diferencial em pacientes idosos, tabagistas e com manifestações como edema facial matutino, estase jugular, hiperemia e edema de membros superiores. A SVCS ocorre devido à obstrução do fluxo venoso da veia cava superior, levando à congestão venosa da região cefálica e membros superiores.
Raciocínio para a alternativa correta:
O exame que mais contribui para confirmação diagnóstica da SVCS é a tomografia computadorizada (TC) de tórax com contraste. Este exame oferece:
- Precisão para identificar o ponto e extensão da obstrução venosa;
- Visualização de massas mediastinais e circulação colateral;
- Ajuda no planejamento terapêutico (radioterapia, biópsia, estente).
De acordo com o Ministério da Saúde: “A TC de tórax é o principal exame para identificação da causa, nível e extensão da obstrução da SVCS” (Cuidados Paliativos: Vivências e Aplicações Práticas do Hospital do Câncer IV, p. 46).
Análise das alternativas incorretas:
- A) Holter 24 horas: Útil para avaliação de arritmias, não contribui para diagnóstico de SVCS ou massas mediastinais.
- B) Ecocardiograma transesofágico: Excelente para estruturas cardíacas, mas limitada para veia cava superior e mediastino.
- C) Cintilografia pulmonar: Indicado para TEP, não para diagnóstico direto de SVCS.
- E) Função renal e USG de rins/vias urinárias: Relevante em insuficiência renal ou síndrome nefrótica, mas inaplicável aqui.
Estratégia de prova: Observar sintomas de congestão venosa facial, estase jugular, e história de risco para neoplasia pulmonar. Evitar distração por exames que avaliam sistema elétrico cardíaco, tromboembolismo ou função renal, pois não focam no mediastino superior.
Resumo: Ao identificar sinais e sintomas de SVCS em um paciente de risco, priorize sempre a TC de tórax com contraste como exame diagnóstico inicial. Esta conduta está alinhada às principais diretrizes médicas, fundamentada em evidência e prática atual.
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