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Q3457912 Medicina
Caso: Mulher de 43 anos de idade, casada, balconista, residente em área urbana de São Paulo, relata que foi mordida por um cão há três horas. O incidente ocorreu quando tentava capturar o cachorro da vizinha, que estava solto na rua, para devolvê-lo. O animal a mordeu na mão, fugiu e desapareceu. A vizinha referiu que o cão era vacinado contra a raiva. A paciente não se recorda de ter recebido vacinação antirrábica prévia e não possui seu cartão de vacinação. Ao exame físico, observam-se múltiplos ferimentos profundos de mordedura nas mãos.
Em relação à profilaxia antirrábica para essa paciente, marque a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Profilaxia antirrábica pós-exposição. A conduta depende de: gravidade/localização da lesão (categorias OMS II vs III), possibilidade de observação do animal por 10 dias e histórico vacinal do paciente. Em lesões categoria III (ferimentos profundos, múltiplos, em mãos/face/mucosas), indica-se vacina + imunoglobulina se o animal não puder ser observado.

Alternativa correta: E. Ferimentos profundos em mãos (alto risco pela rica inervação) + cão não passível de observação = sorovacinação (imunoglobulina antirrábica humana, HRIG, + vacina). A informação de que o cão “era vacinado” não muda a conduta quando o animal não pode ser monitorado. Diretrizes: Ministério da Saúde (Manual de Profilaxia da Raiva, 2023/2024), OMS (Rabies PEP, 2018) e UpToDate recomendam HRIG em todas as exposições categoria III em não previamente vacinados.

Por que está certa? A HRIG fornece anticorpos imediatos até que a vacina induza imunidade ativa. Mãos são sítios de maior risco de neuroinvasão. Como o cão desapareceu, não é possível suspender a PEP por observação.

Análise das alternativas incorretas

A – “Área controlada” não exclui risco individual. Mesmo em áreas com baixa raiva canina, há circulação de vírus (ex.: quirópteros). Diretrizes baseiam-se no tipo de exposição e observação do animal, não na epidemiologia isolada da área.

B – Relato de vacinação do cão não dispensa PEP quando o animal não pode ser observado por 10 dias. Sem observação, trata-se como risco potencial: vacina ± HRIG conforme a categoria da exposição (MS/OMS).

C – Parcial: de fato a vacina está indicada, mas omite a imunoglobulina, necessária nas exposições categoria III (ferimentos profundos em mãos). Portanto, conduta incompleta.

D – A HRIG não é indicada apenas por o animal não ser observável. Ela é reservada a categoria III ou imunossuprimidos. Em categoria II, a conduta é apenas vacina (MS/OMS). Erra por generalizar.

Conduta prática para o caso: 1) Lavagem imediata e vigorosa dos ferimentos com água e sabão/iodopovidona; 2) Vacina antirrábica IM (deltoide) nos dias 0, 3, 7 e 14; considerar dia 28 em imunossuprimidos; 3) HRIG 20 UI/kg, infiltrando o máximo no sítio da mordida e o restante IM em local distinto da vacina; idealmente até 7 dias após a primeira dose; 4) Avaliar tétano e antibioticoprofilaxia para mordida em mão (ex.: amoxicilina-clavulanato), conforme diretrizes de infecções de pele e partes moles.

Pegadinhas da prova: “Área controlada” e “cão vacinado” não substituem observação de 10 dias. “Somente não observável” não basta para HRIG: é a categoria III que determina sua indicação.

Referências: Ministério da Saúde – Manual de Profilaxia da Raiva (2023/2024); WHO Rabies PEP (2018); UpToDate – Rabies postexposure prophylaxis; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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