Diante do aumento dos desastres, "fortalecer" a cultura de ...

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Por que seguros residenciais contra desastres climáticos ainda são tão incomuns no Brasil


O temporal que atingiu o Paraná, com granizo e ventos acima de 90 km/h, destruiu casas e lavouras, deixando mais de cem mil residências sem energia. Segundo a Defesa Civil, quinze municípios foram afetados e mais de quatro mil imóveis danificados. O caso reacendeu o debate sobre a falta de seguros residenciais contra desastres naturais no país.

Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 7.539 desastres climáticos ligados à chuva — aumento de 223% em relação à década de 1990, segundo a Unifesp. Mesmo assim, a América Latina é a segunda região do mundo com maior diferença entre prejuízos e cobertura de seguros (81%), atrás apenas da Ásia.

No país, existem três principais tipos de apólices: o seguro residencial, opcional e personalizável; o habitacional, obrigatório em imóveis financiados; e o condomínio, exigido ao menos para risco de incêndio. A procura tem aumentado: residências seguradas passaram de 13,6% em 2017 para 17% em 2021. O Sul lidera, com 30% dos imóveis cobertos, mas seguros contra desmoronamento e alagamento seguem raros.

A baixa adesão é explicada por fatores geográficos, culturais e econômicos. O Brasil, menos sujeito a terremotos e furacões, mantém certa despreocupação com riscos. Muitos acreditam que o seguro residencial é caro, embora custe, em média, entre R$ 600 e R$ 800 anuais — bem menos que o automotivo. A informalidade habitacional também é um entrave, já que muitos imóveis não possuem documentação.

Mesmo assim, após grandes tragédias, o interesse cresce: a cobertura contra alagamentos subiu 158% no Sul depois das enchentes de 2024. As mudanças climáticas, no entanto, dificultam a precificação, pois os eventos são cada vez mais imprevisíveis.

Para enfrentar o problema, a Confederação Nacional das Seguradoras propõe criar um seguro social contra catástrofes, com custo simbólico na conta de luz e indenização automática às famílias atingidas. Pesquisadores da FGV sugerem que municípios contratem seguros privados com financiamento climático e pagamento automático quando parâmetros pré-definidos forem atingidos.

Diante do aumento dos desastres, fortalecer a cultura de prevenção e a participação do poder público é essencial para transformar o seguro contra desastres climáticos em uma ferramenta real de proteção social no Brasil.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz7r80000y4o.adaptado.
Diante do aumento dos desastres, "fortalecer" a cultura de prevenção e a participação do poder público é essencial.
Com base nas regras de regência verbal, é correto afirmar que o verbo destacado é
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho "Diante do aumento dos desastres, "fortalecer" a cultura de prevenção e a participação do poder público é essencial.", o verbo "fortalecer" exige complemento sem preposição obrigatória; por isso, é transitivo direto e tem como objeto direto o sintagma nominal coordenado "a cultura de prevenção e a participação do poder público".

Tema central: transitividade verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o verbo não é intransitivo no trecho. "Fortalecer" pede complemento verbal expresso: algo deve ser fortalecido. No enunciado, esse complemento é "a cultura de prevenção e a participação do poder público". O fato de o infinitivo compor o sujeito oracional de "é essencial" não elimina a necessidade desse complemento.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica exatamente a regência do verbo no trecho dado. "Fortalecer" não se completa sozinho nesse contexto: é necessário dizer o que será fortalecido. Esse complemento aparece sem preposição obrigatória e é formado por dois núcleos coordenados, "a cultura de prevenção" e "a participação do poder público", funcionando juntos como objeto direto.
C
Errada
Está errada porque não há complemento introduzido por preposição exigida pelo verbo. Em "a cultura de prevenção", o "a" é artigo definido feminino, não preposição. Além disso, a preposição "de" pertence à expressão nominal "cultura de prevenção" e não decorre da regência de "fortalecer". Portanto, não se trata de verbo transitivo indireto.
D
Errada
Está errada porque o trecho não apresenta dois complementos de naturezas diferentes. Há apenas um objeto direto formado por coordenação: "a cultura de prevenção e a participação do poder público". Ter dois núcleos coordenados no objeto não transforma o verbo em bitransitivo, já que não existe objeto indireto no trecho.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre artigo e preposição em "a cultura" e também a leitura equivocada de dois termos coordenados como se fossem dois complementos de regimes diferentes.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o verbo precisa indicar sobre o que a ação recai; se precisar, ele não é intransitivo.
  • Separe a regência do verbo das preposições internas dos nomes: em "cultura de prevenção", o "de" pertence ao substantivo, não ao verbo.
  • Não confunda "a" artigo com "a" preposição; em "a cultura", o termo pode ser objeto direto sem preposição.
  • Quando houver dois termos ligados por "e" após o verbo, confira se são núcleos coordenados do mesmo complemento antes de concluir que o verbo é bitransitivo.

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