Um paciente em terapia anticoagulante crônica com varfarina...
Gabarito comentado
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Tema central: interação farmacológica entre varfarina e rifampicina. A rifampicina é um indutor potente do citocromo P450 (especialmente CYP2C9), acelerando o metabolismo da varfarina (principalmente do enantiômero S) e reduzindo seu efeito anticoagulante (queda do INR).
Alternativa correta: D — Redução da concentração plasmática da varfarina por indução metabólica, exigindo aumento da dose para manter o efeito terapêutico.
Justificativa técnica e clínica: A rifampicina ativa o receptor PXR, aumentando a expressão de enzimas hepáticas (CYP2C9, CYP3A4) e possivelmente P-gp. Com isso, a depuração da varfarina aumenta, sua meia-vida diminui e o INR tende a cair, gerando subanticoagulação e risco trombótico. Conduta prática: monitorar INR de perto (ex.: a cada 2–3 dias no início), ajustar a dose (frequentemente necessária elevação importante) e, ao suspender a rifampicina, reduzir a dose de varfarina para evitar sangramento. Referências: UpToDate (Warfarin drug interactions), Harrison’s Principles of Internal Medicine, diretrizes CHEST/ACCP para anticoagulação.
Análise das alternativas incorretas
A) “Aumento da concentração por inibição competitiva” — incorreto. Rifampicina não inibe; ela induz CYP, reduzindo níveis de varfarina e o INR. Exemplos de inibidores que aumentam INR: amiodarona, metronidazol, azólicos (fluconazol).
B) “Diminuição da absorção gastrointestinal” — incorreto. A interação clássica é metabólica. A varfarina possui alta biodisponibilidade oral; a rifampicina não reduz de forma relevante sua absorção.
C) “Sinergismo em receptores da vitamina K sem alterar concentração” — incorreto. A varfarina inibe a VKORC1; a rifampicina não atua nesse alvo e não há sinergismo. O efeito observado é o oposto (redução do INR) por aumento do metabolismo.
Dicas de prova e pegadinhas
- Palavra-chave: indutor (rifampicina, carbamazepina, fenitoína) → reduz INR.
- Inibidor (amiodarona, azólicos, TMP-SMX) → aumenta INR.
- Indução enzimática tem início e término graduais (dias-semanas): ajuste de dose e monitorização seriada do INR são essenciais (CHEST/ACCP, UpToDate).
Aplicação prática: Paciente estável em varfarina que inicia rifampicina: espere queda do INR, aumente a dose conforme INR e reavalie com alta frequência. Ao interromper rifampicina, antecipe redução da dose.
Conclusão: A interação rifampicina–varfarina é farmacocinética por indução, levando à redução de níveis e necessidade de aumento de dose. Isso corresponde à alternativa D.
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