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Q3503395 História
Analisando as relações que constituíram, no Brasil, a estrutura de sustentação do poder político durante a República Oligárquica, Faoro (2001, p. 691-692) adverte:

“Sobranceiros os chefes ao eleitorado, passivo e inconsciente na soberania das atas falsas e das eleições a bico-de-pena, libertos de compromissos com os partidos, as decisões políticas obedecem a combinações e arranjos elitários, maquiavélicos. O problema do político era o poder, só o poder, para os chefes e para os Estados, sem programas para atrapalhar ou ideologias desorientadoras.”

(FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato brasileiro. Rio de Janeiro. Editora Globo. 2001. p. 691-692)

A partir da advertência feita por Faoro, é correto afirmar: 
Alternativas

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Alternativa correta: C

1. Tema central da questão

A questão aborda a República Oligárquica (1894-1930), período em que o poder político no Brasil era controlado por oligarquias estaduais, especialmente as de São Paulo e Minas Gerais, por meio de acordos com o governo central. O texto de Raymundo Faoro mostra como esse sistema era marcado por relações desiguais, manipulação eleitoral e exclusão da maioria da população dos processos decisórios.

2. Resumo teórico

A República Oligárquica era sustentada pelo chamado coronelismo: grandes proprietários rurais (coronéis) dominavam politicamente suas regiões, mantendo o eleitorado sob controle através de favores e pressões. As eleições eram marcadas por fraudes (“eleições a bico-de-pena”) e o poder real ficava restrito às elites, como aponta Faoro em “Os donos do poder”. O sistema era vertical, autoritário e pouco permeável à participação popular.

3. Justificativa da alternativa correta

A alternativa C é correta porque reconhece a assimetria entre o poder central e as elites estaduais, algo essencial para entender a arquitetura política da época. O texto destaca que tal sistema só funcionava enquanto o eleitorado permanecesse passivo; sua “emancipação” poderia ameaçar o arranjo oligárquico. Isso está de acordo com Faoro, que critica o distanciamento entre chefes políticos e a base eleitoral, além do medo de qualquer mudança que pudesse romper esse equilíbrio.

4. Análise das alternativas incorretas

A: Afirma que as elites estaduais agiam conforme as preferências do eleitorado e sem laços de fidelidade, o que ignora a manipulação e a submissão do voto às vontades dos chefes políticos, como mostra Faoro.

B: Diz que havia reciprocidade e negociação entre todos os níveis, sem necessidade de práticas autoritárias. Isso contraria a realidade do coronelismo, baseada no controle autoritário e no uso frequente de fraudes eleitorais.

D: Supõe que o agente político precisava conquistar o eleitorado democraticamente, o que não condiz com o sistema oligárquico, onde a participação popular era limitada e as eleições eram manipuladas.

5. Estratégias de interpretação

Fique atento a termos como reciprocidade, democracia ou preferências do eleitorado: essas ideias raramente são compatíveis com o contexto da República Oligárquica. Prefira alternativas que mencionem controle, assimetria, manipulação ou passividade do eleitorado.

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