Analise o trecho da BNCC a seguir. “O exercício do ‘fazer h...
“O exercício do ‘fazer história’, de indagar, é marcado, inicialmente, pela constituição de um sujeito. Em seguida, amplia-se para o conhecimento de um “Outro”, às vezes semelhante, muitas vezes diferente. Depois, alarga-se ainda mais em direção a outros povos, com seus usos e costumes específicos. Por fim, parte-se para o mundo, sempre em movimento e transformação. Em meio a inúmeras combinações dessas variáveis – do Eu, do Outro e do Nós –, inseridas em tempos e espaços específicos, indivíduos produzem saberes que os tornam mais aptos para enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação”
(BRASIL, 2019, p. 397-398).
O trecho da BNCC apresenta uma concepção de diversidade que deve balizar o ensino na ampla área das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Tomando como base o conceito de diversidade social e cultural no Ensino de História sob a perspectiva histórico-crítica, é correto afirmar que essa concepção da BNCC
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Alternativa correta: D
1. Tema central da questão
O foco da questão é a concepção de diversidade no Ensino de História, conforme propõe a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ela questiona como o sujeito histórico é visto: como algo fixo (essencializado) ou construído de forma coletiva e plural. É fundamental entender como a BNCC orienta o trabalho com a valorização das diferenças e identidades.
2. Resumo teórico
No campo da História, especialmente na perspectiva histórico-crítica, a diversidade é compreendida como constituição social e coletiva, indo além da noção de sujeito isolado. A BNCC busca evitar uma abordagem fixa, estimulando a compreensão dinâmica dos sujeitos históricos, suas interações e conflitos.
Segundo a BNCC (2019), o ensino deve partir do "Eu" (indivíduo), passar pelo "Outro" (diferente ou semelhante) e chegar ao "Nós" (coletivo), valorizando tempos e espaços específicos. O objetivo é formar sujeitos capazes de reconhecer e atuar em contextos diversos e em constante transformação.
3. Comentário e justificativa da alternativa correta (D)
A alternativa D está correta porque reconhece que o trecho da BNCC, ao mencionar a trajetória do "Eu" ao "Nós", ainda pode ser interpretado como uma abordagem que fixa o sentido de diversidade com base em uma tradição que essencializa o sujeito. Isso significa ver o indivíduo como portador de características fixas, em oposição a uma concepção verdadeiramente coletiva e diversa de formação do sujeito. A crítica histórico-crítica ressalta a importância de superar essa visão essencialista para compreender a diversidade de forma mais ampla e dinâmica (BNCC, 2019).
4. Análise das alternativas incorretas
A - Incorreta: Afirma que a BNCC faz uma crítica ao esvaziamento do ensino de História, o que não está presente no trecho citado. O texto da BNCC não faz tal crítica, mas sim propõe um percurso de compreensão do "Eu" ao "Nós".
B - Incorreta: Sugere que a BNCC se afasta dos princípios do mercado capitalista e propõe a desessencialização do sujeito. No entanto, o texto não aborda mercado e não propõe diretamente a desessencialização, mas sim um movimento do individual ao coletivo.
C - Incorreta: Diz que o objetivo central é reconhecer as questões das minorias. Embora importante, este não é o foco explícito do trecho analisado, que enfatiza a transição do sujeito individual ao coletivo.
5. Estratégias de interpretação
Ao ler questões sobre BNCC e História, destaque palavras como "essencializa" e "coletivo". Fique atento a enunciados que sugerem críticas implícitas ou explícitas e veja se o texto de apoio realmente faz tais críticas. Evite se confundir com termos genéricos como “diversidade” – busque no texto se a abordagem é fixa (essencialista) ou dinâmica (crítica e plural).
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Comentários
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RESPOSTA CORRERA É ALTERNATIVA: C E NÃO D.
A alternativa correta é a C.
O trecho da BNCC enfatiza um processo de aprendizado histórico que parte do "Eu" (sujeito), expande-se para o "Outro" (semelhante/diferente) e, finalmente, para o "Nós" (outros povos, mundo). Esse movimento progressivo:
- Constituição do sujeito ("Eu").
- Reconhecimento da alteridade ("Outro" - semelhante, diferente).
- Ampliação para o coletivo/global ("Nós" - outros povos, mundo em transformação).
Essa estrutura tem como objetivo final a produção de saberes que tornam os indivíduos "mais aptos para enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação", o que está diretamente ligado à formação para o convívio em uma sociedade marcada pela diversidade.
C) sinaliza que o Ensino de História tem um papel central na formação de um sujeito que reconhece as questões relacionadas às minorias como fundamentais para o convívio na diversidade.
- O texto da BNCC claramente coloca o Ensino de História (e a área das Ciências Humanas) no papel de formar um sujeito.
- Ao se mover do "Eu" para o "Outro" (que pode ser diferente) e depois para o "Nós" (outros povos), o texto engloba a importância do reconhecimento e respeito às diferenças, o que inclui as minorias e seus usos e costumes específicos.
- O resultado esperado ("enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação") é a própria base do convívio na diversidade de forma ética, democrática e inclusiva, conforme a perspectiva histórico-crítica busca promover.
- A) elabora uma crítica ao esvaziamento das dimensões política, sociocultural e formativa...
- O trecho não é uma crítica, mas sim uma proposição/fundamento do próprio Ensino de História, valorizando explicitamente as dimensões formativas (constituição do sujeito) e socioculturais (conhecimento do Outro e de outros povos).
- B) assume que a noção de diversidade se distancia dos princípios de formação para o mercado capitalista...
- O trecho não faz menção ou crítica direta ao mercado capitalista, nem aborda a desessencialização do sujeito, mas sim a sua constituição e ampliação em relação ao coletivo.
- D) fixa um sentido de diversidade a partir de uma tradição do Ensino de História que essencializa o sujeito...
- O trecho da BNCC não essencializa o sujeito. Ele fala em "constituição de um sujeito" e, em seguida, o situa e relaciona esse sujeito com o "Outro" e o "Nós" em tempos e espaços específicos ("sempre em movimento e transformação"). Esse movimento dinâmico é o oposto da essencialização (fixação de uma natureza imutável).
Letra C também está incorreta:
A preocupação com minorias não aparece no trecho. O foco está no processo de ampliação do olhar e na compreensão de sujeitos diversos, mas não há referência específica a minorias.
Portanto, não corresponde ao trecho.
Nenhuma das alternativas esta correta.
O trecho da BNCC destaca:
1. A formação do sujeito histórico.
2. A ampliação do olhar do “Eu” para o “Outro” e o “Nós”.
3. A compreensão de diferentes povos, tempos e espaços.
4. A diversidade como constituição coletiva, dinâmica e relacional.
5. O desenvolvimento de saberes para lidar com conflitos e conciliações.
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