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Q567532 Medicina
Diante de pacientes portadores de patologias graves em unidade de terapia intensiva pediátrica nos deparamos frequentemente com quadros de hipercalemia.

Assinale a afirmativa que apresenta a situação que pode estar associada ao aumento do potássio sérico. 

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Tema central: A questão aborda causas de hipercalemia (aumento do potássio sérico) em pacientes pediátricos na UTI. O conhecimento dessas causas é essencial para a prática do médico intensivista, pois a hipercalemia verdadeira exige rápida identificação e conduta adequada, enquanto a pseudohipercalemia pode evitar tratamentos desnecessários.

Justificativa da alternativa correta (D – Trombocitose):

Trombocitose consiste em contagem elevada de plaquetas. Quando o sangue é colhido para análise e ocorre coagulação, as plaquetas liberam potássio. Em situações de trombocitose, há liberação significativamente maior, causando pseudohipercalemia — ou seja, um aumento falso dos níveis séricos de potássio detectado apenas no sangue coletado. Isso está bem documentado em literatura médica (ver: Tietz Textbook of Laboratory Medicine, 6ª ed.), sendo um importante diagnóstico diferencial em pacientes críticos.

Exemplo prático: Paciente com leucemia, em remissão, apresenta potássio sérico elevado sem sintomas clínicos e função renal normal. Considerar pseudohipercalemia causada por trombocitose evita terapia desnecessária.

Análise das alternativas incorretas:

A) Síndrome de Cushing: O excesso de cortisol aumenta a ação mineralocorticoide, promovendo hipocalemia, e não hipercalemia. (Harrison’s Principles of Internal Medicine, 20ª ed.)

B) Alcalemia: O pH aumentado promove a entrada de potássio nas células, levando à diminuição do potássio sérico. Portanto, costuma causar hipocalemia.

C) Cetoacidose diabética: Pode haver hipercalemia inicial devido ao deslocamento do potássio para fora da célula, contudo, após restauração do pH e reposição de insulina, frequentemente há hipocalemia. Assim, não é situação típica de hipercalemia sustentada.

E) Nefrite intersticial: Apesar de doenças renais poderem cursar com hipercalemia, a nefrite intersticial isoladamente não é classicamente associada a esse distúrbio em crianças, exceto em casos avançados com insuficiência renal aguda importante.

Pegadinhas na questão: Atenção: o aumento do potássio por trombocitose é artefactual (pseudohipercalemia), não corresponde a excesso real de potássio. Em provas, analise se o contexto exige manejo clínico ou apenas interpretação laboratorial.

Diretrizes e referências: Como destacado no UpToDate e em manuais laboratoriais, reconheça a importância de solicitar dosagem de potássio plasmático (e não sérico) em pacientes com reticulocitose ou trombocitose para evitar erro diagnóstico.

Resumo: Trombocitose causa pseudohipercalemia, sendo fundamental reconhecer esse mecanismo para abordagem segura do paciente crítico.

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Comentários

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Vejam o enunciado... se cetoacidose diabética não pode se relacionar à hipercalemia, rasgo meu diploma.

A síndrome de Cushing envolve excesso de cortisol, que tem leve ação mineralocorticoide, levando a retenção de sódio e excreção de potássio, o que pode causar hipocalemia, não hipercalemia.

Na alcalemia, o pH sanguíneo está aumentado. Isso favorece a entrada de potássio para dentro das células, reduzindo o potássio sérico → hipocalemia.

A cetoacidose diabética (CAD) leva a:

Acidose metabólica → H⁺ entra na célula, e K⁺ sai, elevando o potássio sérico.

Déficit de insulina → diminui a entrada de K⁺ nas células.

Apesar da hipercalemia sérica, o paciente tem déficit total de potássio.

A trombocitose pode causar falsa hipercalemia (pseudohipercalemia) em amostras laboratoriais, pois há liberação de K⁺ durante a coagulação no tubo de ensaio.

Mas não é hipercalemia verdadeira.

A nefrite intersticial aguda, uma forma de lesão renal, pode causar disfunção tubular, mas raramente leva a hipercalemia significativa isoladamente. Além disso, pode cursar com perda de potássio urinária.

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