Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e ...

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Q3542762 Português
Texto CB1A1

        Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

        Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca. 

        O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações)

Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e ao vocabulário do texto CB1A1.


Caso o trecho “via que não admite retorno” (segundo período do último parágrafo) fosse reescrito como via em que não se admite retorno, a coerência das ideias do texto seriam mantidas, embora fossem alteradas as relações sintáticas entre os termos.

Alternativas

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

GAB. CERTO

Vamos analisar o trecho e a proposta de reescrita:

"Via que não admite retorno"

  • Estrutura simples de oração subordinada adjetiva restritiva.
  • “Que” retoma diretamente “via”.
  • Verbo “admite” está na forma ativa → a própria “via” é o sujeito da oração.

"Via em que não se admite retorno"

  • Estrutura com oração adjetiva reduzida pelo uso da locução “em que”.
  • O verbo está na forma passiva sintética (“não se admite”), generalizando a ação.
  • A preposição “em” é exigida pelo verbo admitir no sentido de “ser possível em / dentro de”.

Coerência e sentido:

  • Em ambos os casos, a ideia central é a mesma: a mudança é um caminho irreversível.
  • A diferença está apenas no arranjo sintático (ativa x passiva, uso de “que” x “em que”).
  • Não há prejuízo de coerência textual.

A coerência se mantém, embora haja alteração na construção sintática.

gabarito certo

1. **Original:** "via **que** não admite retorno"

Nesta construção, "que" funciona como **pronome relativo** e desempenha a função de **sujeito** do verbo "admite". A oração "que não admite retorno" é uma oração subordinada adjetiva restritiva que qualifica a "via", indicando uma característica intrínseca a ela: a própria via não permite retorno.

2. Reescrita: "via **em que** não **se** admite retorno"

O termo "em que" é uma locução de pronome relativo (preposição "em" + pronome "que"). Ela introduz uma oração subordinada adjetiva que expressa uma circunstância de lugar ou condição ("na qual", "onde").

  

Na oração "não se admite retorno", a partícula "se" atua como partícula apassivadora (PA). Isso ocorre porque o verbo "admitir" é transitivo direto, e "retorno" (o que não é admitido) funciona como sujeito paciente. A frase pode ser transposta para a voz passiva analítica: "o retorno não é admitido".

As relações sintáticas são alteradas:

*  Na frase original, o pronome relativo "que" é o sujeito do verbo "admite".

*  Na frase reescrita, a locução "em que" introduz uma oração com uma relação circunstancial. O "que" não é mais o sujeito do verbo. Em vez disso, a presença do "se" transforma a oração em voz passiva sintética, e "retorno" passa a ser o sujeito paciente da ação verbal.

bons estudos

CERTO

No texto: a marcha da mudança é via que não admite retorno

a marcha da mudança => SUJEITO

Na questão: a marcha da mudança é via em que não se admite retorno

VTD + SE = PA

Logo, o retorno não é admitido na marcha da mudança

Questão foi anulada não sei pq

Segundo o Cebraspe, a questão foi anulada pelo seguinte motivo:

"O item apresenta erro de concordância verbal, o que prejudicou seu julgamento objetivo."

Vejamos a questão:

Caso o trecho “via que não admite retorno” (segundo período do último parágrafo) fosse reescrito como via em que não se admite retorno, a coerência das ideias do texto seriam mantidas, embora fossem alteradas as relações sintáticas entre os termos.

O correto seria "... a coerência das ideias do texto seria mantida..."

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