Se alguém te convidar simplesmente para sentar e
não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa
lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em
algo melhor para fazer.
A sensação de que o dia não tem horas suficientes
para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as
pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo
corriqueiro.
Soma-se a isso que, quando não estamos tentando
dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler
algo online ou responder algum comentário nas redes
sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção
válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com
sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso
comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no
trabalho.
Um famoso experimento, publicado na revista
Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que
preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com
seus pensamentos.
No experimento, os pesquisadores pediram a um
grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15
minutos em um quarto sem nada para fazer. Como
alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber
um choque elétrico.
Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas
muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu
levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais
externos.
Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio
ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de
liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com
o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que
precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos
de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer
uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua
trabalhando. E o tédio também é importante para sua
saúde.
Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A
expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer
nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o
prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo
mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a
dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e
a consciência de viver no momento presente.
Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o
tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.
(Fonte: BBC — adaptado.)
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