Mulher 30 anos, com cardiomiopatia dilatada. Apresenta class...

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Q3908243 Medicina
Mulher 30 anos, com cardiomiopatia dilatada. Apresenta classe funcional III (NYHA), ritmo sinusal, pressão arterial de 95/60 mmHg, frequência cardíaca de 90 bpm. Valores de peptídeo natruirético persistentemente elevados. Baixa capacidade no teste da caminhada 6 minutos (280 metros). O ecocardiograma demonstra: ventrículo esquerdo aumentado, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 30% (método Simpson). Intolerância à terapêutica farmacológica otimizada, com várias internações relacionadas à insuficiência cardíaca nos últimos sete meses. De acordo com a última atualização da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca (IC), assinale a alternativa correta quanto à estratégia mais adequada na abordagem desse paciente. 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pela Atualização de Tópicos Emergentes da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca – 2021, o conjunto de NYHA III, FEVE de 30%, teste de caminhada de 6 minutos de 280 m, peptídeos natriuréticos persistentemente elevados, intolerância à terapêutica otimizada e internações recorrentes caracteriza insuficiência cardíaca avançada/refratária, o que indica encaminhamento precoce a especialista/centro de IC avançada.

Tema central: IC avançada
Análise das alternativas
A
Errada
Balão intra-aórtico é suporte circulatório mecânico temporário para cenários agudos selecionados, especialmente instabilidade hemodinâmica/choque, o que não foi descrito. O enunciado mostra gravidade crônica e recorrente, mas não hipoperfusão, colapso hemodinâmico ou contexto de resgate imediato. O critério decisivo aqui é diferenciar IC avançada para referenciamento de choque cardiogênico para suporte temporário.
B
Certa
A alternativa correta reconhece o ponto central da questão: não se pede uma intervenção isolada, e sim a estratégia mais adequada diante de um fenótipo de insuficiência cardíaca avançada. O conjunto de marcadores clínicos e prognósticos descrito no enunciado é o que a diretriz brasileira usa para indicar referenciamento a especialista em IC avançada, porque essa etapa permite avaliar transplante, assistência circulatória mecânica, ajustes terapêuticos avançados e integração de outras medidas conforme elegibilidade. A decisão correta decorre do reconhecimento da progressão e da refratariedade da IC, não apenas da fração de ejeção reduzida.
C
Errada
FEVE de 30% pode fazer lembrar prevenção de morte súbita com DCI, mas essa não é a melhor resposta para o problema apresentado. O quadro é de progressão para IC avançada com sintomas persistentes, baixa capacidade funcional, intolerância ao tratamento e múltiplas internações. Além disso, os dados do enunciado não trazem todos os elementos para afirmar indicação formal completa de DCI. O erro é reduzir a decisão à FEVE e ignorar que a estratégia correta, segundo a diretriz, é o encaminhamento especializado.
D
Errada
ECMO é medida de resgate para falência cardiorrespiratória grave ou choque refratário. Não há no caso descrição de choque cardiogênico, necessidade de vasopressor, hipoperfusão ou falência aguda que justifique suporte extracorpóreo emergencial. Indicar ECMO neste cenário confundiria gravidade prognóstica crônica com indicação de suporte mecânico agudo.
E
Errada
Cuidados paliativos podem ter papel em IC avançada, mas não substituem como estratégia principal a avaliação por especialista em paciente jovem potencialmente elegível a terapias avançadas. O enunciado não informa inelegibilidade para transplante ou assistência mecânica. Portanto, a exclusão desta alternativa ocorre porque a diretriz prioriza o referenciamento a centro de IC avançada; paliação pode ser integrada, mas não é a resposta única mais adequada aqui.
Pegadinha da questão
A banca usa FEVE de 30% para induzir DCI e usa hipotensão limítrofe para sugerir suporte mecânico agudo, mas o dado decisivo é o conjunto de critérios de diretriz que define IC avançada e exige encaminhamento especializado.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado juntar NYHA III/IV, internações recorrentes, intolerância à terapia otimizada, baixa capacidade funcional e biomarcadores elevados, pense primeiro em IC avançada e referenciamento precoce.
  • Não transforme FEVE reduzida, isoladamente, na resposta automática quando a questão enfatiza progressão clínica e refratariedade.
  • Balão intra-aórtico e ECMO exigem contexto de instabilidade aguda/choque; sem esse contexto, a estratégia costuma ser outra.
  • Quando a questão citar atualização de diretriz de IC, verifique se ela está cobrando reconhecimento do momento de encaminhar para centro especializado, e não a escolha direta de um dispositivo.

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