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Q4036951 Português
Para responder à questão seguinte, leia o texto abaixo.

Oportunismo eleitoral e despesas ambientais nos
municípios do Brasil

    A competência do gestor público é frequentemente avaliada com base em sua capacidade de prover bens e serviços coletivos com eficiência e responsabilidade fiscal. Em períodos eleitorais, esse julgamento se intensifica, incentivando gestores a adotarem estratégias que ampliem sua popularidade e aumentem suas chances de reeleição. Entre essas estratégias, destacam-se o esforço em evitar déficits fiscais e o redirecionamento de recursos para áreas de maior visibilidade política, como pessoal, educação e infraestrutura.


    Tais ações evidenciam uma seletividade orçamentária, em que determinadas despesas são priorizadas estrategicamente conforme o ciclo político, gerando assimetria informacional de curto prazo. Esse comportamento encontra respaldo na Teoria dos Ciclos Políticos (TCP), segundo a qual gestores ajustam a política econômica de acordo com o calendário eleitoral, cuja previsibilidade favorece a antecipação de decisões com o objetivo de obter vantagem eleitoral.


    A TCP postula, em suas hipóteses, que gestores públicos se aproveitam da racionalidade limitada dos eleitores, divulgando benefícios e propostas para angariar votos. Esse aproveitamento da memória de curto prazo dos eleitores é declarado como a hipótese oportunística na TCP, e assume que os gestores utilizam ideologias e percepções populacionais para ganhos políticos em períodos eleitorais. Um bom exemplo é o uso de pautas ambientais para fomentar apoio em campanhas eleitorais, explorando a miopia política do eleitorado para obter suporte.


    Paralelamente, a criação do Sistema de Contabilidade Econômico-Ambiental, adotado como referência internacional pela Organização das Nações Unidas (ONU), promove a integração de dados econômicos e ambientais, proporcionando visão abrangente da contabilização de recursos naturais na produção de bens e serviços. Para legitimar a conformidade desse sistema dentro da esfera pública, foi desenvolvido um movimento liderado pelo International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB), que, em 2022, formalizou o início das normas de relatórios de sustentabilidade.


    Tais iniciativas foram impulsionadas por agendas ambientais globais. Entre essas agendas, destacam-se o Acordo de Paris, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a Agenda 21. Esses mecanismos buscam integrar a dimensão ambiental à lógica orçamentária estatal, por meio da mensuração das chamadas “despesas com capital verde”.


    No contexto brasileiro, a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), instituída pela Lei n. 6.938/1981, estabelece as diretrizes para a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental. As chamadas despesas ambientais abrangem ações como controle de cheias, licenciamento, gestão de resíduos e recuperação de áreas degradadas, funcionando como indicativo da prioridade atribuída à agenda ambiental nos municípios.


    Diante do cenário de restrição fiscal, o orçamento público consolida-se como principal instrumento de escolha política e alocação estratégica. No Brasil, além de sua função de planejamento, ele também exerce papel fundamental na transparência, no controle social e na responsabilização dos gestores, contribuindo para a qualidade da gestão pública e a eficiência no uso dos recursos.


Como entes federativos mais próximos das demandas sociais, os municípios exercem papel decisivo na provisão de bens públicos. Estudos apontam que prefeitos tendem a ajustar suas decisões orçamentárias com base em incentivos eleitorais, priorizando áreas de maior apelo junto ao eleitorado. Nesse contexto, políticas ambientais podem ser relegadas a segundo plano em anos eleitorais, em favor de despesas com vantagem eleitoral, como obras públicas ou folha de pagamento.


Fonte: MARQUES, M. S. et al. Oportunismo eleitoral e despesas

ambientais nos municípios do Brasil. Cad. Gest. Pública Cid., São

Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).

Considerando as regras de acentuação gráfica da Língua Portuguesa, especialmente no que se refere à classificação das palavras quanto à tonicidade e à posição da sílaba tônica, assinale a alternativa em que todos os vocábulos apresentados são acentuados em virtude da mesma regra.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a coincidência da regra de acentuação: as palavras da alternativa A são proparoxítonas, e toda proparoxítona é acentuada. Por isso, essa é a única opção em que os vocábulos seguem o mesmo fundamento ortográfico.

Tema central: Acentuação das proparoxítonas
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A se sustenta integralmente pelo mesmo critério ortográfico-prosódico. Em “Econômica”, “lógica” e “hipóteses”, a tonicidade recai na antepenúltima sílaba: e-co-NÔ-mi-ca, LÓ-gi-ca, hi-PÓ-te-ses. Portanto, as três palavras são proparoxítonas e recebem acento pela mesma regra normativa. Como o enunciado exige coincidência de regra de acentuação, e não simples presença de acento gráfico, essa alternativa satisfaz exatamente o que foi pedido.
B
Errada
A alternativa mistura regras diferentes. “Instituída” é acentuada por hiato; já “municípios” e “público” são proparoxítonos. O erro da alternativa está na heterogeneidade do fundamento do acento: uma palavra por hiato e duas por proparoxítona.
C
Errada
Também há mistura de regras. “Políticas” e “estratégias” são proparoxítonas, enquanto “atribuída” é acentuada por hiato. Assim, a alternativa não apresenta unidade de critério de acentuação, que era a exigência decisiva da questão.
D
Errada
Aqui a divergência é ainda mais clara: “déficits” é proparoxítona; “também” é oxítona terminada em “em”; “transparência” é paroxítona terminada em ditongo. São três palavras acentuadas por fundamentos distintos, o que elimina a alternativa de imediato.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre palavras que apenas têm acento gráfico e palavras que são acentuadas pela mesma regra. Nas alternativas erradas, aparecem vocábulos visualmente semelhantes ou todos acentuados, mas com fundamentos distintos: proparoxítona, hiato, oxítona terminada em “em” e paroxítona terminada em ditongo.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro localize a sílaba tônica de cada palavra; só depois compare a regra de acentuação.
  • Não basta perceber que todas as palavras têm acento: verifique se o motivo do acento é o mesmo.
  • Separe mentalmente os casos de proparoxítona dos casos de hiato, porque essa é uma confusão recorrente.
  • Se uma alternativa reunir palavras com tonicidade ou terminações que acionam regras diferentes, ela deve ser eliminada.

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Comentários

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Palavras proparoxítonas são palavras que têm a antepenúltima sílaba da palavra como sílaba tônica. Segundo as regras de acentuação do português, todas as palavras proparoxítonas são acentuadas graficamente.

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