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Q4036947 Português
Para responder à questão seguinte, leia o texto abaixo.

Oportunismo eleitoral e despesas ambientais nos
municípios do Brasil

    A competência do gestor público é frequentemente avaliada com base em sua capacidade de prover bens e serviços coletivos com eficiência e responsabilidade fiscal. Em períodos eleitorais, esse julgamento se intensifica, incentivando gestores a adotarem estratégias que ampliem sua popularidade e aumentem suas chances de reeleição. Entre essas estratégias, destacam-se o esforço em evitar déficits fiscais e o redirecionamento de recursos para áreas de maior visibilidade política, como pessoal, educação e infraestrutura.


    Tais ações evidenciam uma seletividade orçamentária, em que determinadas despesas são priorizadas estrategicamente conforme o ciclo político, gerando assimetria informacional de curto prazo. Esse comportamento encontra respaldo na Teoria dos Ciclos Políticos (TCP), segundo a qual gestores ajustam a política econômica de acordo com o calendário eleitoral, cuja previsibilidade favorece a antecipação de decisões com o objetivo de obter vantagem eleitoral.


    A TCP postula, em suas hipóteses, que gestores públicos se aproveitam da racionalidade limitada dos eleitores, divulgando benefícios e propostas para angariar votos. Esse aproveitamento da memória de curto prazo dos eleitores é declarado como a hipótese oportunística na TCP, e assume que os gestores utilizam ideologias e percepções populacionais para ganhos políticos em períodos eleitorais. Um bom exemplo é o uso de pautas ambientais para fomentar apoio em campanhas eleitorais, explorando a miopia política do eleitorado para obter suporte.


    Paralelamente, a criação do Sistema de Contabilidade Econômico-Ambiental, adotado como referência internacional pela Organização das Nações Unidas (ONU), promove a integração de dados econômicos e ambientais, proporcionando visão abrangente da contabilização de recursos naturais na produção de bens e serviços. Para legitimar a conformidade desse sistema dentro da esfera pública, foi desenvolvido um movimento liderado pelo International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB), que, em 2022, formalizou o início das normas de relatórios de sustentabilidade.


    Tais iniciativas foram impulsionadas por agendas ambientais globais. Entre essas agendas, destacam-se o Acordo de Paris, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a Agenda 21. Esses mecanismos buscam integrar a dimensão ambiental à lógica orçamentária estatal, por meio da mensuração das chamadas “despesas com capital verde”.


    No contexto brasileiro, a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), instituída pela Lei n. 6.938/1981, estabelece as diretrizes para a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental. As chamadas despesas ambientais abrangem ações como controle de cheias, licenciamento, gestão de resíduos e recuperação de áreas degradadas, funcionando como indicativo da prioridade atribuída à agenda ambiental nos municípios.


    Diante do cenário de restrição fiscal, o orçamento público consolida-se como principal instrumento de escolha política e alocação estratégica. No Brasil, além de sua função de planejamento, ele também exerce papel fundamental na transparência, no controle social e na responsabilização dos gestores, contribuindo para a qualidade da gestão pública e a eficiência no uso dos recursos.


Como entes federativos mais próximos das demandas sociais, os municípios exercem papel decisivo na provisão de bens públicos. Estudos apontam que prefeitos tendem a ajustar suas decisões orçamentárias com base em incentivos eleitorais, priorizando áreas de maior apelo junto ao eleitorado. Nesse contexto, políticas ambientais podem ser relegadas a segundo plano em anos eleitorais, em favor de despesas com vantagem eleitoral, como obras públicas ou folha de pagamento.


Fonte: MARQUES, M. S. et al. Oportunismo eleitoral e despesas

ambientais nos municípios do Brasil. Cad. Gest. Pública Cid., São

Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).

Em Esses mecanismos buscam integrar a dimensão ambiental à lógica orçamentária estatal, no quinto parágrafo, a expressão Esses mecanismos estabelece coesão referencial ao retomar, no contexto, elementos anteriormente mencionados. Diante disso, assinale a alternativa que identifica CORRETAMENTE esse referente.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A expressão demonstrativa plural "Esses mecanismos" realiza retomada anafórica no quinto parágrafo e deve ser vinculada ao antecedente textual imediatamente anterior, no trecho "Entre essas agendas, destacam-se o Acordo de Paris, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a Agenda 21". Pela coesão referencial local e pela compatibilidade semântica com o núcleo "mecanismos", o referente correto é o conjunto dessas iniciativas/agendas internacionais, o que confirma a alternativa B.

Tema central: coesão referencial anafórica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca o referente para o primeiro bloco temático do texto, sobre estratégias eleitorais de gestores. Esse conteúdo é distante do trecho em que aparece "Esses mecanismos" e não constitui o antecedente referencial imediato da expressão.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica exatamente o antecedente de "Esses mecanismos": "o Acordo de Paris, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a Agenda 21". A retomada se apoia na progressão textual imediata do parágrafo e na compatibilidade semântica entre "mecanismos" e esses instrumentos/agendas de alcance internacional.
C
Errada
Está errada porque menciona práticas sociais e percepções do eleitorado que aparecem em outro momento do texto, ligado à hipótese oportunística da TCP. No quinto parágrafo, porém, "Esses mecanismos" não retoma esse bloco temático; falta antecedente textual imediato e há incompatibilidade semântica com o núcleo "mecanismos".
D
Errada
Está errada porque a Política Nacional do Meio Ambiente é mencionada apenas no parágrafo seguinte. Como se trata de anáfora, "Esses mecanismos" retoma elementos anteriores, não posteriores. Além disso, o referente textual ali é internacional, não uma norma interna brasileira.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tema geral do texto e referente local da expressão coesiva: quem lê por assunto tende a marcar estratégias eleitorais ou normas ambientais brasileiras, mas a retomada deve ser buscada no trecho imediatamente anterior, onde estão listados Acordo de Paris, ODS e Agenda 21.
Dica para questões semelhantes
  • Em expressões como "esses", "tais" e "esses mecanismos", procure primeiro o antecedente no período ou segmento imediatamente anterior.
  • Não escolha o tema mais amplo do texto; identifique o referente textual local que a expressão realmente retoma.
  • Verifique se o núcleo da expressão retomadora é semanticamente compatível com os elementos antes enumerados.
  • Se a alternativa aponta para informação posterior ao termo analisado, ela não serve como antecedente anafórico.

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Comentários

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Gabarito: B

A expressão “Esses mecanismos” retoma os elementos mencionados imediatamente antes no texto:

“o Acordo de Paris, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a Agenda 21.”

Portanto, o referente é o conjunto de instrumentos/agendas internacionais ambientais citados no período anterior.

A alternativa correta é:

B — Os instrumentos e acordos de alcance internacional, como o Acordo de Paris, os ODS e a Agenda 21.

Comentário para revisão:

Em questões de coesão referencial, é comum a banca cobrar pronomes demonstrativos e expressões como “esses”, “tais”, “esses mecanismos”, “essa prática”. O caminho é voltar ao trecho imediatamente anterior e verificar qual expressão faz sentido no contexto. Aqui, “esses mecanismos” não se refere às estratégias eleitorais, nem à PNMA brasileira, mas às agendas globais citadas logo antes.

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