Durante a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), a equi...

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Q4282463 Direito Financeiro
Durante a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), a equipe técnica da Assembleia Legislativa do Estado Alfa classificou como discricionárias todas as despesas que não estivessem vinculadas a obras públicas ou novos investimentos. Com isso, incluiu nessa categoria despesas com pessoal ativo, benefícios previdenciários e obrigações legais já assumidas pelo ente. O Tribunal de Contas foi instado a se manifestar sobre a adequação dessa classificação.

À luz da legislação financeira e da técnica orçamentária, assinale a afirmativa correta.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O art. 9º, § 2º, da Lei Complementar nº 101/2000 ressalva da limitação as obrigações constitucionais e legais do ente. Por isso, as despesas legalmente vinculadas indicadas no caso não podem ser tratadas como discricionárias, confirmando a alternativa B.

Tema central: Despesas obrigatórias e discricionárias
Análise das alternativas
A
Errada
A LOA não confere liberdade irrestrita ao Executivo para decidir quais obrigações cumprirá. A vinculação constitucional ou legal impede que essas despesas sejam tratadas como facultativas por conveniência administrativa, conforme a proteção estabelecida pelo art. 9º, § 2º, da Lei Complementar nº 101/2000.
B
Certa
A alternativa B aplica o critério da vinculação jurídica da execução: as despesas mencionadas conservam sua natureza obrigatória independentemente de constituírem investimentos. O glossário oficial do Congresso Nacional identifica pessoal e encargos sociais e benefícios previdenciários entre os principais grupos de despesas obrigatórias. Como fundamento normativo, o art. 9º, § 2º, da Lei Complementar nº 101/2000 ressalva da limitação de empenho e movimentação financeira as obrigações constitucionais e legais. Essa proteção sustenta a impossibilidade de tratá-las como gastos de execução livremente disponível, embora o dispositivo não contenha uma definição exaustiva de despesa obrigatória.
C
Errada
A previsão de uma dotação na LOA não torna sua execução integral e incondicionada obrigatória. O art. 9º da Lei Complementar nº 101/2000 admite limitação de empenho e movimentação financeira nas condições legais, ressalvando determinadas despesas. Portanto, previsão orçamentária e obrigatoriedade da despesa não se confundem.
D
Errada
A classificação econômica entre despesas correntes e de capital, prevista no art. 12 da Lei nº 4.320/1964, utiliza critério distinto da classificação quanto à obrigatoriedade. A vinculação jurídica da execução não é determinada pela categoria econômica: não se pode concluir que toda despesa corrente seja obrigatória nem que toda despesa de capital seja discricionária.
E
Errada
A origem constitucional ou legal da obrigação não dispensa sua inclusão na LOA. Pelo princípio da universalidade orçamentária, o art. 6º da Lei nº 4.320/1964 exige que todas as receitas e despesas constem da Lei de Orçamento pelos seus totais. Logo, a existência de obrigação anterior não autoriza excluir a respectiva despesa do orçamento.
Pegadinha da questão
Confundir ausência de destinação a obras ou investimentos com discricionariedade. O critério decisivo é a vinculação jurídica da execução, e não a finalidade do gasto ou sua categoria econômica.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a execução decorre de obrigação constitucional ou legal; não classifique a despesa apenas por sua destinação.
  • Separe os critérios: corrente ou de capital indica categoria econômica; obrigatória ou discricionária considera a vinculação jurídica da execução.
  • Não confunda inclusão na LOA com execução integral incondicionada, nem obrigação legal anterior com dispensa de previsão orçamentária.

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LRF. Art. 17. Considera-se obrigatória de caráter continuado a despesa corrente derivada de lei, medida provisória ou ato administrativo normativo que fixem para o ente a obrigação legal de sua execução por um período superior a dois exercícios.         

A) Erro: a LOA, como regra geral, tem natureza autorizativa (permite, mas não obriga, a execução de despesas discricionárias) — mas essa liberdade não se estende às despesas obrigatórias, que devem ser executadas por força de lei anterior, independentemente de qualquer discricionariedade do administrador na LOA.

B) Correta. É exatamente o erro técnico identificado: o critério "não é obra/investimento, logo é discricionária" é equivocado. O critério correto é a existência de obrigação legal/constitucional preexistente (art. 17, LRF), e pessoal, previdência e obrigações legais são, por definição, despesas obrigatórias, independentemente de sua natureza de despesa corrente ou de capital.

C) Erro: Isso não é correto: despesas discricionárias existem e são a regra para custeio não vinculado e investimentos, e a LOA, quanto a elas, é tradicionalmente autorizativa, não impositiva (ressalvadas as hipóteses específicas de orçamento impositivo, como as emendas parlamentares individuais/de bancada, que têm regime próprio de execução obrigatória por força de dispositivo constitucional específico — mas isso é exceção, não a regra geral de toda a LOA).

D) Erro: essa alternativa confunde duas classificações orçamentárias distintas e independentes:

  • Classificação econômica: despesas correntes x despesas de capital (critério contábil, sobre a natureza econômica do gasto).
  • Classificação quanto à discricionariedade: obrigatória x discricionária (critério jurídico, sobre a existência de vinculação legal).

E) Erro: pelo contrário — justamente por serem obrigatórias, essas despesas precisam necessariamente constar da LOA, com dotação orçamentária específica, sob pena de o administrador não ter respaldo orçamentário para realizá-las (princípio da legalidade orçamentária / vedação a despesas sem prévia dotação, art. 167, II, CF).

Oi, pessoal! Gabarito: letra "B".

Segundo o Art. 165, § 10, CF/88, "[a] administração tem o dever de executar as programações orçamentárias, adotando os meios e as medidas necessários, com o propósito de garantir a efetiva entrega de bens e serviços à sociedade." (Incluído pela Emenda Constitucional nº 100, de 2019)

Quanto à letra "C", enquadra-se na ressalva do § 11 do mesmo dispositivo, segundo o qual "[o] disposto no § 10 deste artigo, nos termos da lei de diretrizes orçamentárias: I - subordina-se ao cumprimento de dispositivos constitucionais e legais que estabeleçam metas fiscais ou limites de despesas e não impede o cancelamento necessário à abertura de créditos adicionais; II - não se aplica nos casos de impedimentos de ordem técnica devidamente justificados; III - aplica-se exclusivamente às despesas primárias discricionárias."

Despesas com pessoal, benefícios previdenciários e obrigações constitucionais/legais possuem natureza primária obrigatória (Art. 17 da LRF). O Poder Executivo não possui discricionariedade para deixar de efetuá-las ou para reduzi-las arbitrariamente.

No ordenamento jurídico brasileiro, adota-se como regra o orçamento autorizativo (ou híbrido), segundo o qual a mera previsão de uma despesa na LOA confere ao Administrador a autorização legal para realizá-la, mas não gera por si só o dever absoluto de execução integral nem direito subjetivo aos beneficiários. A obrigatoriedade de execução exige a presença de comando constitucional ou de lei anterior específica.

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