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Q3331248 Técnicas em Laboratório
João, Tecnologista da Fiocruz PE, recebeu a demanda de realizar a aquisição do espectro de dicroísmo circular (do inglês circular dichroism – CD) da glicoproteína Gc do vírus Oropouche. Apesar de a referida proteína ter sido transportada nas condições adequadas para a sua conservação, João identificou a existência de precipitado sólido no interior do tubo contendo a proteína em questão no momento do recebimento da amostra na Fiocruz PE. Visando a realização da medição do espectro de CD à temperatura ambiente, João precisará quantificar novamente a amostra de proteína recebida, a fim de ajustar a concentração da mesma para a concentração de trabalho (20 mM, micromolar). Para tanto, João deverá remover o precipitado sólido e medir a concentração da proteína recebida por espectrofotometria utilizando luz no comprimento de onda de 280 nm (nanômetros). De posse da sequência primária da proteína em questão (informada abaixo), João rapidamente calculou o coeficiente de absorção molar (Ꜫ) da mesma.

Sequência de aminoácidos da glicoproteína Gc:

DEDCLSKDIKITYQELHNCIGPKIMGNTCVSKNELYSDLFSKNLVTEYDKKYFEPDTVNDQFNKIEFAQDAHRMILLERILYKTECEMLSLKKNSGPYNVAWRTYLKNHNIDLCSRHNYKMICQCINTHSMCKNTDIDYNKEIETYYKSNAAAYRADLNTIMDTLKTAFRGLTKVLIENYIEKDDSDALKALFSNITDSVQDNYQMIGILKFASKLLDINLGGWSHPQFEK


O valor do coeficiente de absorção molar encontrado por João corresponde a: 
Alternativas

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Tema central: cálculo do coeficiente de absorção molar (ε) a 280 nm para quantificação de proteína por espectrofotometria (Lei de Beer-Lambert) antes de aquisição de espectro de dicroísmo circular (CD).

Conceito-chave: a absorvância a 280 nm é determinada principalmente por triptofano (W), tirosina (Y) e cistina (pontes dissulfeto, derivadas de Cys). A fórmula consagrada (Pace et al., Protein Science 1995; Gill & von Hippel, Anal. Biochem. 1989) é:
ε280 = 5500·nW + 1490·nY + 125·nCys(oxidada) [M⁻¹·cm⁻¹].

Contagem na sequência fornecida: nW = 2; nY = 14; nCys = 8. Assumindo proteína nativa/extracelular, considerar Cys oxidada (em pontes dissulfeto). Assim, na prática do cálculo, usa-se 125 por Cys oxidada.

Cálculo:
- 5500 × 2 (W) = 11000
- 1490 × 14 (Y) = 20860
- 125 × 8 (Cys ox.) = 1000
ε280 = 11000 + 20860 + 1000 = 32860 M⁻¹·cm⁻¹

Gabarito: D

Por que está certo? Esse valor decorre da contagem correta dos resíduos aromáticos e da suposição padrão de Cys oxidada em proteínas secretadas/glicoproteínas, alinhado a referências clássicas e ao uso prático (ProtParam/ExPASy). Para quantificar: aplicar A = ε·c·l (Lei de Beer-Lambert) e ajustar para a concentração de trabalho (atenção à unidade: CD usa tipicamente µM, não mM).

Pegadinha: “20 mM, micromolar” é inconsistente; para CD usa-se geralmente µM. Além disso, remover o precipitado evita espalhamento de luz e superestimação da A280.

Análise das alternativas incorretas:
- A (47325): superestimação sugere inclusão indevida de fenilalanina (Phe) ou contagem errada de W/Y; Phe não entra no cálculo padrão a 280 nm.
- B (45360): valor inflado compatível com contagem exagerada de aromáticos (p.ex., assumir 3 W ou >14 Y), o que não corresponde à sequência.
- C (42864): poderia advir de contar mais tirosinas ou usar coeficientes não padronizados; não se sustenta com nW=2, nY=14, nCys=8.
- E (97325): claramente incompatível; tipicamente resulta de somar resíduos que não contribuem a 280 nm ou de usar constantes trocadas.

Estratégia para a prova: 1) Conte W, Y e C rapidamente; 2) Defina estado redox de Cys (se nativa/extracelular, assuma oxidada); 3) Aplique a fórmula; 4) Verifique unidades e plausibilidade do valor.

Referências: Pace CN et al., Protein Sci. 1995; Gill SC & von Hippel PH, Anal. Biochem. 1989; ProtParam (ExPASy).

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