Carla, 40 anos, buscou seu médico para acompanhamento da pre...
O entendimento sobre a saúde, doença e experiência de doença é uma ferramenta fundamental para a construção do vínculo entre médico e paciente e engajamento dos pacientes no cuidado.
Carla, 40 anos, buscou seu médico para acompanhamento da pressão alta, diagnosticado ano passado, em uma passagem ao pronto-socorro após uma crise de mal-estar.
Nem sempre toma seus medicamentos para a pressão, só quando tem crises em que a cabeça dói, tem tonturas e a nuca fica pesada, pois verifica que a pressão sobe. Tem um aparelho de medir a pressão em casa, ao qual recorre sempre que não se sente bem. Na maioria das crises, o aparelho mostra 140x90 mmHg.
Sobre a hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o quadro clínico acima, assinale a afirmativa correta.
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Comentário da Questão:
Tema central: A questão trata do diagnóstico, manejo e sintomas da hipertensão arterial sistêmica (HAS), exigindo conhecimento das diretrizes clínicas atuais e interpretação adequada do quadro clínico da paciente.
Alternativa correta: A – “O diagnóstico de Carla foi realizado de maneira incorreta.”
O diagnóstico de HAS não deve ser feito com base apenas em um episódio agudo em pronto-socorro, mesmo diante de valores elevados da pressão arterial. De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020, capítulo 3: “O diagnóstico de hipertensão arterial deve ser baseado em medidas de pressão arterial realizadas em consultório ou ambulatório, com técnica adequada, em pelo menos duas ocasiões diferentes.” O ideal é complementar com aferições domiciliares ou MAPA para evitar vieses como o “efeito do jaleco branco”.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
B) Betabloqueadores não são de primeira escolha para o tratamento inicial da HAS, exceto quando há indicações específicas (ex: doença coronariana, insuficiência cardíaca). Primeiro, preferem-se diuréticos tiazídicos, IECA, BRA ou bloqueadores dos canais de cálcio.
C) Causas secundárias são responsáveis por menos de 10% dos casos de HAS, sendo a maioria de origem primária/essencial.
D) Captopril sublingual não é conduta adequada para controle ambulatorial ou domiciliar da pressão. Seu uso pode provocar hipotensão abrupta e não é recomendado para manejo de picos de pressão fora do ambiente controlado.
E) Cefaleia não é um sintoma confiável de crises hipertensivas não urgentes. A HAS costuma ser silenciosa e sintomas como cefaleia só têm valor em situações de emergência hipertensiva, geralmente associadas a outros sinais clínicos.
Estratégia de interpretação: Observe o contexto em que foi feito o diagnóstico, pergunte-se sempre se a conduta descrita está de acordo com protocolos oficiais e diretrizes. Questões sobre HAS costumam testar critérios diagnósticos, classes de medicamentos e manejo correto de sintomas.
Referências: Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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Comentários
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A alternativa correta é: A - O diagnóstico de Carla foi realizado de maneira incorreta.
Justificativa:
O diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) de Carla pode estar incorreto porque o controle inadequado da pressão arterial por parte dela, com o uso esporádico de medicação apenas durante crises, não é a abordagem terapêutica ideal para o tratamento da hipertensão. A hipertensão é uma condição crônica que exige tratamento contínuo, mesmo na ausência de sintomas. A pressão arterial elevada persistente, mesmo sem sintomas graves, pode causar danos a longo prazo aos órgãos-alvo, como coração, rins e cérebro. O quadro clínico descrito na questão mostra que Carla só toma o medicamento quando sente sintomas, como dor de cabeça e tonturas, e que o aparelho de pressão em casa frequentemente registra 140x90 mmHg, o que indica uma pressão elevada. Isso sugere que o diagnóstico de hipertensão foi feito, mas o controle da condição não está adequado, já que o tratamento da hipertensão deve ser contínuo e não dependente apenas das crises.
Análise das alternativas incorretas:
- Alternativa B (Os betabloqueadores são uma das classes de medicamentos de primeira escolha no tratamento da HAS): Betabloqueadores não são de primeira linha no tratamento da hipertensão. As classes de medicamentos de primeira linha incluem diuréticos, inibidores da ECA, ARBs e bloqueadores de cálcio. Betabloqueadores são usados principalmente em casos específicos, como em pacientes com insuficiência cardíaca ou arritmias.
- Alternativa C (As causas secundárias de HAS somam quase 20% de todos os casos): A afirmação de que as causas secundárias de hipertensão somam quase 20% dos casos é verdadeira. No entanto, isso não responde diretamente ao diagnóstico de Carla, que está mais relacionado ao controle inadequado da hipertensão e não a uma causa secundária.
- Alternativa D (Se o medicamento de Carla for o captopril 25mg sublingual, o uso da medicação está correto): O uso de captopril sublingual não é adequado para controle rotineiro da hipertensão. Embora o captopril possa ser utilizado em emergências hipertensivas, o controle da hipertensão deve ser feito com medicação de longo prazo, como diuréticos e inibidores da ECA, de acordo com a orientação médica.
- Alternativa E (Cefaleia é um sintoma comum nas crises de HAS não emergenciais ou urgentes): A cefaleia pode estar associada a crises de hipertensão grave (emergencial ou urgente), mas não é um sintoma comum em crises de hipertensão não emergenciais. A hipertensão muitas vezes não causa sintomas, sendo importante o controle contínuo da pressão.
Pontos chave:
- O diagnóstico de hipertensão arterial deve ser seguido por um tratamento contínuo, mesmo na ausência de sintomas.
- O uso intermitente de medicação, como Carla faz, não é uma estratégia eficaz para o controle da hipertensão.
- Betabloqueadores não são primeira linha no tratamento da hipertensão.
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