Um homem de 62 anos sofreu um AVE isquêmico em território ...

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Q3910635 Fisioterapia
Um homem de 62 anos sofreu um AVE isquêmico em território da artéria cerebral média direita há 1 mês. Na avaliação fisioterapêutica, observa-se assimetria postural em sedestação, apoio preferencial no hemicorpo direito, redução da transferência de peso para o lado esquerdo, espasticidade leve em flexores de membro superior esquerdo e déficit de controle seletivo distal. 
Assinale a alternativa correta considerando a fisiopatologia da lesão, as manifestações clínicas esperadas e as recomendações baseadas em evidências para a reabilitação.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: AVE em hemisfério direito produz déficit motor contralateral à esquerda; no caso, a espasticidade leve e o déficit de controle seletivo distal em membro superior esquerdo apontam para comprometimento corticoespinal, o que favorece a alternativa que associa esse quadro a reabilitação orientada à tarefa com treino de transferência de peso.

Tema central: AVE e reabilitação motora
Análise das alternativas
A
Errada
Erra a lateralidade do déficit: lesão no hemisfério direito produz acometimento motor contralateral, portanto esperado no hemicorpo esquerdo, como o próprio enunciado mostra ao descrever espasticidade e déficit distal à esquerda. Também erra ao reduzir a reabilitação à força muscular máxima como prioridade isolada, quando o caso pede abordagem funcional orientada à tarefa e ao controle postural.
B
Errada
Espasticidade leve não contraindica, por si só, treino funcional em cadeia cinética fechada. Pelo contrário, o padrão descrito favorece treino de sustentação, controle postural e transferência de peso. Concentrar a fisioterapia apenas em alongamentos prolongados e inibição reflexa contraria o modelo de reabilitação com melhor sustentação para recuperação funcional pós-AVE.
C
Errada
Assimetria postural e apoio preferencial no lado não afetado são achados frequentes após AVE e representam alvo terapêutico, não prova de ausência de recuperação funcional. Com 1 mês de evolução, o quadro está em fase subaguda, e a base não sustenta concluir futilidade terapêutica nem restringir a abordagem a treino apenas compensatório com dispositivos.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque reconhece que o padrão clínico descrito é compatível com síndrome do neurônio motor superior por lesão hemisférica direita, com repercussão motora à esquerda. Além disso, a assimetria postural e a menor transferência de peso para o lado paretico são alvos de intervenção, de modo que a conduta mais adequada é treino baseado em tarefas, com prática repetitiva/intensiva e foco em controle postural e transferência de peso.
E
Errada
Há dois erros objetivos. Primeiro, 1 mês de AVE não corresponde a período crônico, mas subagudo. Segundo, é incorreto afirmar que não há benefício clínico relevante após os primeiros dois meses, porque a base explicita que ainda existe potencial de ganho funcional além dessa fase.
Pegadinha da questão
A banca explora principalmente a troca entre lado da lesão cerebral e lado do déficit motor, além da falsa ideia de que espasticidade leve ou assimetria de carga inviabilizam treino funcional.
Dica para questões semelhantes
  • Em AVE hemisférico acima da decussação, confira primeiro a lateralidade: lesão direita gera déficit motor à esquerda.
  • Espasticidade leve e perda de controle seletivo distal apontam para síndrome do neurônio motor superior com comprometimento corticoespinal.
  • Apoio preferencial no lado não afetado e menor transferência de peso para o lado paretico são alvos de treino, não marcador de ausência de prognóstico.
  • Quando a questão perguntar conduta pós-AVE, priorize intervenções orientadas à tarefa, repetitivas/intensivas e com foco funcional.

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