Um paciente de 63 anos de idade, obeso, diabét...
Um paciente de 63 anos de idade, obeso, diabético tipo 2 há dezessete anos, hipertenso e portador de DPOC, foi à consulta referindo lesão indolor em hálux direito há quinze dias, que passou a ter, há uma semana, odor fétido. Ao exame físico, foram observados dedos em garra e calosidades em antepé. Em hálux direito, apresentava lesão profunda, com pouca secreção amarelada e bordas escurecidas, sem visualização óssea. Esteve internado na UPA de sua região por cinco dias na última semana, por descompensação do DPOC, tendo feito uso de levofloxacino por sete dias. Relata dificuldade para dormir de longa data, é sedentário e não tem acompanhamento nutricional. Exames laboratoriais mostraram: Hb 12,8 g/dl; leucócitos 7.300 mil/mm3 ; PCR 3,8; VHS 81 mm; glicemia de jejum 140 mg/dl; e Hb 1ac 8,1%.
Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: Pé diabético associado a neuropatia periférica, com foco na correlação entre distúrbios do sono, dor neuropática e avaliação clínica em pacientes diabéticos.
Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A está correta ao afirmar que a avaliação do padrão do sono é importante na investigação da neuropatia periférica diabética, pois pode fornecer informações valiosas sobre o padrão de dor, principalmente dor neuropática. Pacientes diabéticos frequentemente apresentam queixas de dor crônica, parestesias e desconforto nos membros inferiores, especialmente à noite, o que prejudica a qualidade do sono.
De acordo com estudos recentes e o consenso da Sociedade Brasileira de Diabetes, “Dores neuropáticas costumam se intensificar durante o repouso noturno, dificultando o início e a manutenção do sono.” (Manual SBD 2023, p. 272). Investigar o sono auxilia a identificar a intensidade e características da dor, podendo orientar intervenções mais eficazes para promover qualidade de vida.
Análise das alternativas incorretas:
B) Incorreta. Alterações de mobilidade são frequentes em pé diabético devido à neuropatia motora (ex: dedos em garra, atrofia muscular). Ignorar alterações articulares é erro comum. Conforme o Protocolo do Ministério da Saúde: “A neuropatia motora resulta em alterações morfológicas como dedos em garra e quedas de artelhos”.
C) Incorreta. Lesão de fibras grossas (sensitivas/motoras) ocorre geralmente após anos com controle inadequado do diabetes, não nos estágios precoces nem nos pré-diabéticos. Nos estágios iniciais, as fibras finas (que transmitem dor e temperatura) tendem a ser mais afetadas.
D) Incorreta. Calos devem ser removidos! Eles reduzem a resistência tecidual e facilitam a penetração de agentes infecciosos e ulceração. Diretrizes orientam remoção cuidadosa e acompanhamento podológico regular.
E) Incorreta. Cefalexina é inadequada pois o paciente já usou antibiótico de amplo espectro (levofloxacino), além da presença de infecção crônica e risco de germes resistentes; necessita avaliação microbiológica personalizada e manejo multidisciplinar.
Dica de prova: Atenção a palavras como “não” ou “nunca”, e busque correlações clínico-funcionais. Observe detalhes do caso clínico como uso prévio de antibióticos, achados articulares/neurológicos e pistas funcionais (distúrbios do sono, sedentarismo, deformidades).
Conclusão: A alternativa A é a correta pois evidencia a importância multidimensional da avaliação em neuropatia diabética, integrando aspectos de dor, sono e impacto funcional.
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