M.A.L., mulher de 56 anos, relata desconforto intenso em...

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Q3995144 Medicina
    M.A.L., mulher de 56 anos, relata desconforto intenso em membros inferiores ao se deitar, descrito como necessidade irresistível de movimentar as pernas, pior à noite e parcialmente aliviado com movimento. Os sintomas duram há mais de seis meses, prejudicam o sono e não há sinais de neuropatia. A ferritina sérica é de 42 ng/mL (VR:15 ng/mL a 200 ng/mL. Metodologia CLIA). Qual é a conduta mais apropriada? Assinalar a melhor alternativa entre as proposições abaixo.  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Na síndrome das pernas inquietas, a diretriz da AASM recomenda avaliar o ferro e considerar suplementação quando a ferritina estiver abaixo de 75 mcg/L. Como a paciente tem quadro clínico típico de SPI e ferritina de 42 ng/mL, a conduta inicial indicada é reposição de ferro, o que torna correta a alternativa D.

Tema central: Síndrome das pernas inquietas
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque opioide de liberação prolongada não é terapia inicial padrão na SPI com ferritina abaixo do limiar recomendado. Pela hierarquia terapêutica do caso, deve-se primeiro corrigir o fator tratável identificado, que é o estoque de ferro insuficiente. Além disso, a base deixa claro que opioides ficam reservados para casos refratários ou situações específicas, não para um quadro típico com gatilho corrigível já documentado.
B
Errada
Está errada por dois motivos médicos objetivos: ignora a ferritina de 42 ng/mL, que já sustenta reposição de ferro na SPI, e propõe agonista dopaminérgico em dose plena imediatamente, sem individualização. A base explicita que não se justifica iniciar tratamento dopaminérgico independentemente dos estoques de ferro e que há cautela com essa classe. O erro central é pular a correção do ferro, que é a conduta inicial indicada neste cenário.
C
Errada
Está errada porque benzodiazepínico não é primeira linha para os sintomas motores/sensitivos da SPI. Ele pode ter papel limitado em situações selecionadas relacionadas ao sono, mas isso não corrige o mecanismo relevante do caso, que inclui ferritina abaixo do limiar recomendado. Tratar apenas o sono, sem abordar a SPI subjacente e o ferro baixo para o contexto da síndrome, não atende ao critério decisivo da questão.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso preenche o padrão clínico típico de síndrome das pernas inquietas e apresenta ferritina de 42 ng/mL, abaixo do limiar clínico recomendado para reposição na SPI. O ponto decisivo não é a ferritina estar "normal" pelo laboratório, mas estar abaixo do ponto de corte usado na síndrome. Como estoques reduzidos de ferro se associam à fisiopatologia e à piora dos sintomas, a conduta inicial apropriada é corrigir o ferro antes de partir para fármacos sintomáticos.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre valor de referência laboratorial geral e ponto de corte clínico da SPI: a ferritina de 42 ng/mL pode parecer "normal", mas para síndrome das pernas inquietas está abaixo do limiar usado para indicar reposição de ferro.
Dica para questões semelhantes
  • Reconheça SPI pelos quatro achados clínicos centrais: urge de mover as pernas, piora no repouso, alívio com movimento e predomínio noturno.
  • Em SPI, interprete a ferritina pelo ponto de corte clínico da síndrome, não apenas pela faixa de referência do laboratório.
  • Se houver ferritina abaixo do limiar recomendado, a correção do ferro vem antes de escalar para drogas sintomáticas.
  • Não confunda fármacos com papel adjuvante ou de resgate, como benzodiazepínicos e opioides, com conduta inicial padrão.

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