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Q1069491 Medicina
               Um paciente de dezessete anos de idade, portador de  diabetes  mellitus  tipo  1  há  dez  anos,  em  uso  de  insulina  detemir 60 ui pela manhã e dose fixa de insulina aspart (sete  unidades quinze minutos antes das principais refeições), faz  uso  de  monitorização  contínua  de  glicose,  que  apresenta  desvio‐padrão de 86 mg/dl. Relata uso ocasional de bebida  alcoólica, apresentando níveis glicêmicos de até 35 durante a  noite,  mas  refere  que  seu  corpo  já  está  acostumado,  não  apresenta sintomas e o evento “reverte sozinho”, pois acorda  pela  manhã  com  a  glicemia  alta  após  os  episódios  de  hipoglicemia. Mostra exame de glicemia de jejum 180 mg/dl  e hemoglobina glicada 6,8% e se recusa a realizar contagem  de carboidratos. 
Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O caso aborda a otimização da insulinoterapia em diabetes tipo 1 na adolescência, focando em balanço entre doses basais e bolus, controle glicêmico, variabilidade da glicose e riscos de hipoglicemia.

Análise clínica: Paciente jovem com DM1 de longa evolução, em esquema basal-bolus fixo, desvio-padrão glicêmico elevado (86 mg/dl) e episódios noturnos recorrentes de hipoglicemia, seguidos por hiperglicemia matinal. Apesar da hemoglobina glicada de 6,8% (aparentemente no alvo), os dados de monitorização contínua sinalizam má distribuição e variabilidade das doses, aumentando o risco de complicações agudas e crônicas.

Justificativa da alternativa correta (E): Otimizar a relação entre dose basal e bolus é a recomendação mais adequada. Segundo o PCDT DM1 do Ministério da Saúde (2022): “O esquema de insulinoterapia [...] deve combinar insulina basal e bolus, respeitando padrão alimentar, atividade física e resposta individual, para minimizar hipoglicemias e variabilidade glicêmica.” O desequilíbrio entre as doses pode explicar hipoglicemias noturnas (excesso de basal) e hiperglicemias pós-desjejum (rebote ou insuficiência de correção). Revisar proporção basal/bolus é pilares do manejo avançado em DM1.

Análise das alternativas incorretas:

A) Exagero: o desvio-padrão não precisa obrigatoriamente ficar abaixo de 70 mg/dl; o parâmetro principal é manter variação razoável, e valores até 50-60 mg/dl são considerados ideais, mas cada caso exige análise clínica.

B) Aumentar a insulina basal nesse cenário agravaria as hipoglicemias noturnas. Mais importante é ajustar de forma personalizada e preferir revisão da distribuição entre as doses.

C) A hemoglobina glicada isoladamente não reflete variabilidade nem frequência de hipoglicemias. Alta frequência de hipoglicemias, mesmo com glicada alvo, indica necessidade de ajuste (ADA 2023).

D) O alvo para crianças e adolescentes em geral é inferior a 7,5%, não necessariamente abaixo de 6,5% (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2022). Metas mais agressivas aumentam risco de hipoglicemias nesta faixa etária.

Estratégias de prova: Fique atento a palavras absolutas (“sempre”, “nunca”, “apenas”), metas fora dos padrões oficiais e valorize descrições de ajuste individualizado no tratamento do DM1. Dados como variabilidade ou episódios de hipoglicemia sempre alertam para necessidade de ajustar o esquema, e não apenas olhar a hemoglobina glicada isolada.

Conclusão: A alternativa E está correta ao recomendar otimização da relação entre dose basal e bolus para reduzir variabilidade e hipoglicemias, de acordo com protocolos e melhores práticas em endocrinologia.

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Comentários

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A questão apresenta um paciente diabético tipo 1 que está tendo episódios de hipoglicemia e hiper glicemia, apesar de estar em tratamento com insulina. A alternativa E é a correta porque sugere uma abordagem de otimizar a relação entre a dose basal de insulina (a que é administrada para manter o nível de açúcar no sangue estável ao longo do dia) e o bólus (a quantidade extra de insulina que é administrada antes das refeições). Ao ajustar essa relação, é possível evitar os picos e vales na glicose do paciente e ajudá-lo a manter um nível mais estável de açúcar no sangue. Embora a hemoglobina glicada do paciente esteja dentro do alvo (alternativa C), essa medida reflete a média de açúcar no sangue ao longo de 2-3 meses, mas não indica o grau de flutuação diária do açúcar no sangue; assim, ajustes ainda podem ser necessários. As outras alternativas são incorretas porque não abordam a necessidade de ajustar as doses de insulina do paciente com base nas flutuações de sua glicose.

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