A.S.M., homem de 64 anos, com diagnóstico de Doença de Park...

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Q3995143 Medicina
A.S.M., homem de 64 anos, com diagnóstico de Doença de Parkinson há dois anos, em uso de levodopa, apresenta boa resposta motora, mas relata alucinações visuais bem estruturadas. Não há confusão mental, uso de anticolinérgicos ou alterações metabólicas. O exame neurológico não mostra delirium, e a cognição está preservada. Qual conduta é mais adequada neste cenário? Assinalar a melhor alternativa entre as proposições abaixo.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Em paciente com Doença de Parkinson e alucinações visuais estruturadas, sem delirium, sem alteração metabólica e com cognição preservada, a conduta inicial é revisar e reduzir gradualmente fármacos potencialmente indutores de psicose, preservando o controle motor; por isso, a alternativa D é a correta.

Tema central: Psicose na Doença de Parkinson
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque benzodiazepínico não trata o mecanismo da psicose parkinsoniana relacionada ao tratamento dopaminérgico. Além disso, pode aumentar sedação, quedas e confusão. A conduta inicial recomendada é revisão e redução de agentes indutores de psicose, e não sedação inespecífica.
B
Errada
Está errada por dois motivos técnicos. Primeiro, suspender imediatamente toda a terapia dopaminérgica é inadequado e potencialmente perigoso, pois pode causar piora importante do controle motor e síndrome semelhante à neuroléptica maligna/parkinsonism-hyperpyrexia syndrome. Segundo, haloperidol é inadequado nesse contexto porque seu bloqueio D2 tende a agravar o parkinsonismo.
C
Errada
Está errada porque alucinações visuais bem estruturadas, após exclusão de delirium e alterações metabólicas, representam efeito neuropsiquiátrico clinicamente relevante e exigem revisão terapêutica. Apenas observar mantém inalterado o possível fator farmacológico precipitante.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o quadro é compatível com psicose associada à Doença de Parkinson, sem causa clínica aguda precipitante. Nessa situação, a primeira medida é revisar o esquema terapêutico e reduzir gradualmente medicamentos potencialmente indutores de psicose, especialmente os antiparkinsonianos, antes de introduzir antipsicótico, equilibrando melhora psiquiátrica e manutenção da função motora.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de tratar alucinação como indicação imediata de antipsicótico ou de não intervir porque o paciente está cognitivamente preservado; o ponto correto é que, excluídas causas agudas, a prioridade é revisar e reduzir gradualmente medicações pró-psicóticas, e não usar haloperidol nem suspender dopaminérgicos abruptamente.
Dica para questões semelhantes
  • Em Doença de Parkinson com alucinações, primeiro diferencie psicose associada à doença/tratamento de delirium ou causa metabólica.
  • Se não houver causa aguda precipitante, a etapa inicial é revisar e reduzir gradualmente fármacos com potencial psicotogênico antes de pensar em antipsicótico.
  • Evite considerar haloperidol como opção em paciente parkinsoniano, porque o bloqueio D2 piora os sintomas motores.
  • Boa resposta motora não justifica manter tudo inalterado quando surgem alucinações; o critério é balancear controle motor e toxicidade psiquiátrica com ajuste gradual.

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