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Q3512098 Medicina
Um escolar de 7 anos apresenta, há 3 dias, cefaleia, edema de membros inferiores, sem sinais flogísticos, e urina escura. Ao exame, foram constatadas hipertensão arterial e hematúria no exame de urina. Está em uso de polivitamínicos e dipirona.
A principal hipótese diagnóstica, nesse caso, é de:
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Gabarito: C — complicação de infecção estreptocócica (Glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica)

Tema central: quadro clássico de glomerulonefrite aguda em criança em idade escolar, caracterizada por hematúria macroscópica (urina “coca-cola”), edema e hipertensão arterial. Essa tríade, após infecção estreptocócica de orofaringe/pele (nem sempre explicitada na prova), sugere fortemente GN pós-estreptocócica (GNPE).

Por que a alternativa C é a correta? Criança de 7 anos com cefaleia (sintoma de HAS), edema sem sinais flogísticos e urina escura, além de hematúria no EAS e hipertensão. Esse conjunto é típico de GNPE. Fisiopatologia: depósito de imunocomplexos e ativação do complemento nos glomérulos → consumo de C3, inflamação glomerular e hematúria glomerular. Referências: Nelson Textbook of Pediatrics; UpToDate; KDIGO 2021; Diretrizes da SBP.

Exames que confirmam/apoio diagnóstico: EAS com hemácias dismórficas e cilindros hemáticos, proteinúria subnefrótica; C3 baixo (normaliza em 6–8 semanas) com C4 normal; ASO/anti-DNase B elevados; creatinina e ureia variáveis. Ultrassom renal geralmente normal.

Conduta (resumo): suporte com restrição de sal e líquidos, diuréticos de alça para edema, anti-hipertensivos (p.ex., nifedipina/hidralazina) se necessário; penicilina se infecção ativa; diálise se complicações (hipercalemia, hipervolemia, azotemia grave). Evidências: UpToDate; SBP; KDIGO.

Pegadinhas/estratégia: “Urina escura” + “edema” + “HAS” em escolar apontam para glomerulonefrite. A ausência de história explícita de faringite não exclui GNPE. Uso de polivitamínicos/dipirona é distrator.

Análise das alternativas incorretas:

A) Reação alérgica medicamentosa: esperaria-se rash, prurido, eosinofilia e quadro de nefrite intersticial (piúria eosinofílica), não a tríade edema-HAS-hematúria glomerular. Dipirona não costuma causar esse padrão.

B) Síndrome nefrótica: cursa com edema importante, mas o quadro típico é de proteinúria maciça e hipoalbuminemia, geralmente sem hematúria macroscópica e sem HAS proeminente inicial. Aqui o marcador dominante é a hematúria.

D) Intoxicação exógena: faltam elementos de exposição/toxicidade. Hemoglobinúria ou mioglobinúria dariam urina escura, mas no EAS não haveria hemácias intactas; além disso, a tríade clássica de GN não é explicada por toxinas comuns.

E) Hipertensão arterial primária com lesão renal: em criança pequena, HAS secundária é mais provável; além disso, o evento glomerular agudo (hematúria + edema) é que explica a HAS, não o inverso.

Referências essenciais: Nelson Textbook of Pediatrics; UpToDate (Poststreptococcal glomerulonephritis in children); KDIGO 2021 Glomerular Diseases; Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Resumo para a prova: Escolar + urina “coca-cola” + edema + HAS → pense em GN pós-estreptocócica; peça EAS, C3, ASO/anti-DNase B e trate com suporte.

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