Comprou a esposa numa liquidação, pendurada que estava, junto com outras, no grande cabide circular. Suas posses não
lhe permitiam adquirir lançamentos novos, modelos sofisticados. Contentou-se pois com essa, fim de estoque, mas preço de
ocasião.
Em casa, porém, longe da agitação da loja – homem escolhendo mulher, homem pagando mulher, homem metendo mulher
em saco pardo e levando às vezes mais de uma para aproveitar o bom negócio – percebeu que o estado de sua compra deixava a
desejar.
“É claro”, pensou reparando na sujeira dos punhos, no amarrotado da pele, nos tufos de cabelo que mal escondiam rasgões do
couro cabeludo, “eles não iam liquidar coisa nova”.
Conformado, deitou-a na cama pensando que ainda serviria para algum uso. E, abrindo-lhe as pernas, despejou lá dentro, uma por
uma, brancas bolinhas de naftalina.
(COLASANTI, Marina. Por preço de ocasião. In: ___. Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986. p. 13.)
No miniconto anterior, a mulher remete à metáfora de que a esposa é uma mercadoria, o que se comprova por
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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