Quanto à estrutura das palavras observe a análise da palavra...
Texto I
A vida não mais nos pertence
Os encontros deveriam ser marcados na última hora. Pena que não funcionam. Agendamos compromissos quando estamos dispostos de manhã e não nos damos conta da exaustão do final do dia. Planejamos um cinema, um show, uma balada com amigos no momento de tranquilidade, e não percebemos que ainda teremos que atravessar um percurso inteiro de preocupações. Não há como ter conhecimento prévio do estresse que nos espera.
Sempre ocorre um desgaste mental, um jogo de nervos, um dilema moral: será que vou ou não vou?
O contentamento vai desaparecendo lentamente, devido às atribulações da rotina. Somos um ao combinar saídas e outro completamente diferente na véspera de sair. Não é desamor pelas amizades, não é velhice ou depressão, é simplesmente cansaço inesperado. Não possuímos controle do que virá pela frente, dos improvisos e desmandos profissionais. Somos sugados pela carga cada vez maior do emprego, pois não descansamos nem um minuto dos apelos das obrigações, dos e-mails e das ligações. Morreu o lanche da tarde que animava o serviço e renovava o gás – o recreio e a sirene ficaram enterrados na vida escolar. A jornada de 8 horas é folclore – não conheço quem não se dedique mais de 12 horas para a sobrevivência.
Quando um amigo desmarca um encontro, não condeno. Perdoo os furões. Sei que ele também é vítima da insalubridade digital.
(Fabrício Carpinejar. Disponível em: http://carpinejar.blogspot.com/2018/01/a-vida-nao-mais-nos-pertence.html. Acesso em: 23.08.2018. Fragmento)
Gabarito comentado
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Tema central: Morfologia — estrutura e formação das palavras, mais especificamente a análise dos elementos que compõem a forma verbal "desaparecendo".
Justificativa da alternativa correta:
A alternativa D (“ndo - desinência verbal formadora de gerúndio”) é a correta.
Segundo a norma-padrão e a gramática normativa, -ndo é desinência verbal típica do gerúndio, indicando ação contínua ou em processo (estudando, correndo). Dessa forma, em “desaparecendo”, a terminação “-ndo” expressa que a ação de desaparecer está em andamento.
Como relembrado em Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Celso Cunha & Lindley Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”), a desinência gerundiva é um morfema gramatical ligado ao verbo, e nunca um sufixo, e diferencia-se dos afixos por estar relacionada à flexão verbal.
Análise das alternativas incorretas:
A) des – afixo- sufixo. Errada. “des-” é prefixo, não sufixo. Prefixos são afixos antepostos ao radical; sufixos vêm após.
B) aparec- tema. Errada. “aparec-” é radical, não tema. O tema verbal inclui o radical + vogal temática (“aparec-” + “e”).
C) e – vogal de ligação. Errada. “e” é a vogal temática, típica dos verbos da 2ª conjugação (-er); vogal de ligação ocorre em casos como “gasômetro”.
E) ndo – afixo – sufixo. Errada. “-ndo” não é sufixo, mas sim a desinência de gerúndio, conforme apontam as principais gramáticas.
Estratégia para provas: Fique atento(a) em confundir afixos (prefixos/sufixos) — que formam palavras novas — com desinências (verbais ou nominais), que indicam flexão.
Resumo: “-ndo” em “desaparecendo” é desinência verbal de gerúndio: expressa uma ação contínua, não devendo ser confundida com sufixo.
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