Contando com um mercado de trabalho compulsório plantado n...

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Q3575013 História
Contando com um mercado de trabalho compulsório plantado nas aldeias africanas, os colonos da América portuguesa não precisavam efetuar investimentos internamente – em capital, terra e trabalho – para garantir a reprodução ampliada da mão-de-obra autóctone. Convinha mais fazer açúcar para vender na Europa e obter meios de compra de escravos, ou cultivar tabaco e fabricar cachaça para trocar por africanos adultos, do que investir na produção de alimentos, estimular uniões entre os cativos, preservar as mulheres grávidas e as crianças nos engenhos e nas fazendas na expectativa de recolher, a médio prazo, novos trabalhadores cativos nascidos e criados no local.
(Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes:
 formação do Brasil no Atlântico Sul
)
A partir do excerto, é correto afirmar que
Alternativas

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Alternativa correta: E

1. Tema central da questão:
Esta questão aborda a dinâmica do trabalho escravo na América portuguesa, especialmente a lógica econômica e social que favoreceu a importação contínua de escravizados africanos, em vez de estimular a reprodução interna dessa população. É fundamental compreender como o tráfico negreiro influenciou a sociedade, a economia e a formação do Brasil colonial.

2. Resumo teórico:
Durante os séculos XVI ao XIX, a colonização portuguesa nas Américas esteve intensamente associada ao uso da mão de obra escrava africana. O tráfico negreiro foi uma atividade extremamente lucrativa, suprindo constantemente a demanda por trabalhadores. Como consequência, havia pouco incentivo para promover a natalidade entre os escravizados: era mais vantajoso economicamente adquirir adultos aptos ao trabalho do que esperar pelo crescimento de uma nova geração de escravizados nascida no Brasil. Essa lógica aparece em autores como Luiz Felipe de Alencastro (O trato dos viventes) e Manolo Florentino.

3. Justificativa da alternativa correta (E):
A alternativa correta afirma que a reprodução mercantil dos escravizados (via comércio atlântico) era mais rápida e eficiente do que a reprodução demográfica (nascimento de filhos de escravizados). Isso se relaciona diretamente ao texto de apoio, que destaca o foco dos colonos em importar novos escravizados, em vez de investir na formação de famílias escravizadas locais. Assim, o mercado negreiro era a principal fonte de reposição da força de trabalho.

4. Análise das alternativas incorretas:

  • A: Falsa, pois não houve confronto entre negreiros e elite colonial quanto à entrada de escravizados; pelo contrário, ambos tinham interesses alinhados no tráfico.
  • B: Incorreta, já que a elite não incentivou o aumento da natalidade dos escravizados. O texto destaca justamente o desinteresse nisso.
  • C: Errada, pois todas as atividades econômicas centrais utilizavam mão de obra escrava, inclusive as complementares.
  • D: Incorreta, porque o alto custo dos engenhos não impediu a importação de escravizados; a aquisição de mão de obra era vista como prioridade econômica.

5. Estratégia de interpretação:
Atenção às palavras-chave: o texto menciona a preferência pela compra e importação de escravizados em vez de reprodução interna. Alternativas que falam em incentivo à natalidade ou trabalho livre destoam da lógica apresentada no texto. Desconfie de frases que contrariem o contexto histórico predominante da escravidão colonial.

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Comentários

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ALTERNATIVA "E".

É importante ressaltar nesta questão, as principais diferenças entre o tráfico negreiro no Brasil Colônia e nos Estados Unidos (colônias britânicas do Sul) envolvem o volume e a escala, o caráter regional da escravidão nos EUA, a economia em que se baseavam e as dinâmicas populacionais (miscigenação e reprodução interna).

Ou seja, sobre a solução escravista, o Brasil Colônia houve um maior fluxo da diáspora ao que os Estados Unidos, visto que a Metrópole tinha o principal ativo no tráfico de viventes. Diferente do cenário norte-americano, o Brasil era uma grande empresa colonial, onde os custos de tempo e dinheiro não valia a pena o investimento em reprodução de escravos.

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