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Q1862032 Medicina
André, 33 anos, após uma viagem ao Norte de Minas Gerais, apresentou prurido em extremidades distais dos membros inferiores e erupção maculopapular pruriginosa com duração de cinco dias. Em seguida, após sete semanas, apresentou febre alta (39°C), calafrios, hepatoesplenomegalia, diarreia, dor abdominal, prostração, sudorese, com consequente perda ponderal. O achado laboratorial revelou discreto aumento de transaminases e leucocitose com eosinofilia. Qual a hipótese diagnóstica? 
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Tema central: A questão aborda diagnóstico diferencial em doenças infecciosas parasitárias com epidemiologia compatível a áreas endêmicas do Brasil e sintomas sistematizados segundo temporalidade típica da esquistossomose aguda (febre de Katayama).

Justificativa da alternativa correta (C – Esquistossomose aguda):

O quadro clínico descrito envolve sintomas de dermatite cercariana (prurido e rash maculopapular inicial nas pernas), histórico epidemiológico (viagem a área endêmica), síndrome febril aguda com hepatoesplenomegalia, diarreia, dor abdominal, sudorese e perda de peso, além de leucocitose com eosinofilia e discreta elevação de transaminases. Este conjunto é clássico da fase aguda da esquistossomose, especialmente após exposição em áreas como o Norte de Minas Gerais.

Segundo o Guia de Bolso do Ministério da Saúde: “A esquistossomose aguda ocorre geralmente de duas a seis semanas após a infecção inicial...prurido, febre alta, calafrios, hepatoesplenomegalia, diarreia, dor abdominal e eosinofilia configuram-se como sintomas comuns.” Este cenário, somado ao contexto epidemiológico e à exclusão criteriosa de diagnósticos diferenciais, permite o raciocínio seguro para marcar a alternativa correta.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Malária: Malária pode cursar com febre alta e esplenomegalia, porém não provoca eosinofilia, tampouco costuma vir acompanhada de rash pruriginoso em extremidades ou quadro de dermatite cercariana.

B) Leptospirose: A leptospirose aguda pode causar febre, mialgia e alterações hepáticas, mas não apresenta fase cutânea pruriginosa, nem eosinofilia marcante.

D) Leishmaniose visceral: Evolui com febre, hepatoesplenomegalia e pancitopenia (não leucocitose) e não manifesta quadro cutâneo pruriginoso inicial nem eleva transaminases de modo discreto.

E) Dengue: Dengue pode ter exantema e febre alta, porém não desencadeia hepatosplenomegalia significativa ou eosinofilia como a esquistossomose, e não apresenta quadro compatível de exposição aquática ou evolução subaguda.

Dica de prova: Em questões desse tipo, atenção redobrada ao contexto epidemiológico, evolução temporal dos sintomas e achados de laboratório (eosinofilia é um marcador-chave para parasitoses helmínticas, praticamente ausente em arboviroses e protozooses sanguíneas).

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Manifestações gerais: Anemia, dor crônica, diarreia, intolerância aos exercí­cios, desnutrição, cefaleia, anorexia, mialgia e tosse.

Dermatite cercarial ou “coceira do nadador”: Exantema papular e prurigionoso que ocorre no local de penetração da cercária na pele humana. Caracterizada por edema e infiltrado celular na epiderme e na derme.

Os sintomas de prurido em extremidades e erupção maculopapular pruriginosa ocorrem após o contado da pele desnuda em lagoas de coceira, onde encontra-se a cercária. E os sintomas sistêmicos apresentados após são típicos da esquistossomose aguda, com laboratório evidenciando aumento de transaminases e eosinofilia.

Gabarito: C

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