Infere-se corretamente do texto que
Não têm sido poucas as tentativas de definir o que é poesia. Desde Platão e Aristóteles até os semânticos e concretistas modernos, insistem filósofos, críticos e mesmo os próprios poetas em dar uma definição da arte de se exprimir em versos, velha como a humanidade.[...]
Um operário parte de um monte de tijolos sem significação especial senão serem tijolos para -sob a orientação de um construtor que por sua vez segue os cálculos de um engenheiro obediente ao projeto de um arquiteto -levantar uma casa. Um monte de tijolos é um monte de tijolos. Não existe neles beleza específica. Mas uma casa pode ser bela, se o projeto de um bom arquiteto tiver a estruturá-lo os cálculos de um bom engenheiro e a vigilância de um bom construtor no sentido do bom acabamento, por um bom operário, do trabalho em execução.
Troquem-se tijolos por palavras, ponha-se o poeta subjetivamente na quádrupla função de arquiteto, engenheiro, construtor e operário, e aí tendes o que é poesia. A comparação pode parecer orgulhosa, do ponto de vista do poeta, mas, muito pelo contrário, ela me parece colocar a poesia em sua real posição diante das outras artes: a de verdadeira humildade. O material do poeta é a vida, e só a vida, com tudo o que ela tem de sórdido e sublime. Seu instrumento é a palavra. Sua função é a de ser expressão verbal rítmica ao mundo informe de sensações, sentimentos e pressentimentos dos outros com relação a tudo o que existe ou é passível de existência no mundo mágico da imaginação. Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela, simples e comunicativa possível, do contrário ele não será nunca um bom poeta, mas um mero lucubrador de versos. [...]
Mas para o poeta a vida é eterna. Ele vive no vórtice dessas contradições, no eixo desses contrários. Não viva ele assim, e transformar-se-á certamente, dentro de um mundo em carne viva, num jardinista, num floricultor de espécimes que, por mais belos sejam, pertencem antes a estufas que ao homem que vive nas ruas e nas casas. [...]
(Vinicius de Moraes. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1974, v. único, p. 536 e 537)
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Tema da Questão: Interpretação de Texto
Para resolver questões de interpretação de texto, é essencial analisar o contexto e compreender a ideia central apresentada. No texto de Vinicius de Moraes, o autor discorre sobre a função do poeta e a essência da poesia.
Alternativa Correta: D
A afirmação D é a correta porque reflete fielmente o papel da poesia e do poeta, conforme descrito no texto. A poesia faz sentido quando o poeta consegue, através das palavras, expressar a beleza e a simplicidade da vida, compartilhando essas experiências com todos. Isso está alinhado com o trecho que menciona "ser expressão verbal rítmica ao mundo informe de sensações" e que o poeta deve fazê-lo da maneira mais bela, simples e comunicativa possível.
Análise das Alternativas Incorretas:
A - Esta alternativa está incorreta porque, embora mencione a capacidade do poeta de transmitir anseios e sofrimentos, enfatiza um "jogo requintado de palavras", o que não é mencionado no texto. O foco do texto é na simplicidade e comunicabilidade, não em sofisticação excessiva.
B - Esta opção sugere que as palavras dos poetas nem sempre transmitem a mensagem desejada, o que é contrário ao texto. O texto destaca o papel do poeta em expressar a vida de maneira clara e bela, não a incoerência.
C - A alternativa C afirma que a humildade do poeta é enganosa, o que não condiz com o texto. Vinicius de Moraes apresenta a poesia como uma arte de "verdadeira humildade", dado que o poeta trabalha com o material cru da vida.
E - Embora a alternativa E mencione a importância da expressão verbal rítmica, ela se desvia ao enfatizar a transformação imaginativa dos fatos cotidianos. O texto não destaca a imaginação como transformação, mas sim como expressão da realidade vivida.
Estratégias para interpretação:
- Identifique a ideia central do texto e como cada alternativa se relaciona com essa ideia.
- Procure palavras-chave que conectem a alternativa ao texto original.
- Cuidado com palavras ou expressões que alterem o sentido original, como "jogo requintado" ou "transformação imaginativa".
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Infere-se corretamente do texto que:
...Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela, simples e comunicativa possível...
Gabarito: D
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