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Ano: 2015 Banca: IADES Órgão: CRC-MG Prova: IADES - 2015 - CRC-MG - Revisor |
Q2791667 Português

Texto 3 para responder as questões de 36 a 41.



1 Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias
questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos
votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava
4 no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a
velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha
de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o
7 céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma
atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou
cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo
10 amigavelmente os mais árduos problemas do universo.
Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os
que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto
13 personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no
debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação.
Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre 45
16 anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem
instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia
nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo
19 que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz
no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os
serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a
22 perfeição espiritual e eterna.


ASSIS, Machado de. O espelho, esboço de uma nova teoria da alma humana. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (fragmento), com adaptações.

A respeito das estruturas do texto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

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Comentário da questão:

O tema central da questão está relacionado a interpretação de estruturas sintáticas e à aplicação da gramática normativa, especialmente na identificação do valor e da classificação de termos da oração, do sentido de conectivos e da conjugação verbal no presente do indicativo.

Justificativa da alternativa correta – Letra D

A alternativa D afirma que, na linha 19, o vocábulo “jaz” é verbo flexionado no tempo presente do modo indicativo. Esse enunciado está rigorosamente correto. Segundo as gramáticas de referência (Bechara; Cunha & Cintra), o verbo “jazer” é irregular e apresenta, na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo, a forma “jaz”:
eu jazo, tu jazes, ele/ela jaz... Portanto, a análise gramatical da flexão verbal sustenta a correção da alternativa.

Análise das alternativas incorretas

A) “Uma noite” não é complemento direto de “debatiam”; trata-se de adjunto adverbial de tempo, indicando quando ocorreu a ação. Complementos diretos são exigidos por verbos transitivos e não trazem preposição, o que não é o caso aqui.

B) A locução “em que”, no trecho citado, exprime uma noção locativa (“o céu, no qual as estrelas pestanejavam”). Substituir por “quando” mudaria o sentido para temporal, violando a coesão e relação correta entre as orações.

C) Os advérbios “não” e “nunca” na passagem são ambos advérbios de negação; “nunca” é frequentemente considerado de negação, não de tempo, conforme gramáticas.

E) “Um ou outro” não equivale a “um qualquer”. O sentido é de alternância restrita entre dois elementos, sem o valor de indiferença da expressão “um qualquer”.

Estratégias para revisar esse tipo de questão: Sempre verifique a função sintática pelo contexto, analise o núcleo dos sujeitos e os valores das locuções introduzidas, principalmente quando envolverem “em que” (locativo) ou “quando” (temporal). Atenção também à exata referência das expressões e ao uso preciso das formas verbais.

Referências: Bechara, Evanildo (Moderna Gramática Portuguesa); Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo).

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Comentários

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É simples. "Nunca" pode atuar tanto como um advérbio de negação quanto de tempo, dependendo do contexto.

Advérbio de negação: Quando "nunca" implica uma negativa, geralmente em uma situação absoluta, sem referência temporal específica. Exemplo: "Não discutia nunca." Nesse caso, "nunca" expressa a ideia de que algo não ocorre em hipótese alguma.

Advérbio de tempo: Quando "nunca" se refere à ideia de ausência de ação ao longo do tempo, indicando que algo jamais ocorreu em um momento ou período. Exemplo: "Nunca estive na Europa." Aqui, "nunca" está associado ao tempo, enfatizando que, em todo o passado, essa experiência não aconteceu.

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