Sem alterar o sentido da relação entre as orações “Como nem ...

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Q2368584 Português
Recordar é viver; dar e receber é uma troca virtuosa. Por que os idosos não podem falar?


             Ela foi condecorada na Bélgica como heroína na guerra contra o nazismo. Lutou em todas as frentes, desde a espionagem até em combates armados, sempre destacando-se entre os seus pares. Presa pelos nazistas, saltou do segundo andar da prisão para alcançar a liberdade. Na queda quebrou uma perna, o que não impediu a sua fuga.

              A sra. Glaz tinha a motivação dos judeus, era judia, na luta contra o nazismo. Ela era uma figura marcante. Nas reuniões dominava a conversação com os detalhes da sua vida heroica. Tornou-se uma personalidade. Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração.

          Evidentemente, a sua história, de tão repetida, foi perdendo interessados. Ela sentiu a perda da posição de destaque. Já que não tinha outra história, senão aquela, para ter ouvintes deveria mudar de ambiente. Foi o que fez. Descobriu nos cruzeiros marítimos um novo público. Cada nova troca de passageiros a colocava novamente em evidência. Era o que na sua idade avançada dava-lhe motivação para viver. Mantinha viva a sua história de heroína trocando os ouvintes. Assim passou a viver de cruzeiro em cruzeiro ganhando a admiração com o seu desempenho na guerra.

               A nossa heroína não diverge da totalidade das pessoas. Todos, jovens e idosos, têm narrativas que desejam partilhar. Os jovens têm no celular o seu instrumento de contatos. Eles se satisfazem com o uso da internet e pelo fato de estarem construindo histórias de novas descobertas e conquistas. Nunca estão isolados do mundo. Já os idosos só têm uma história e a repetem a cada oportunidade. É o que eles têm. Acontece que os seus circundantes demonstram, com frequência, desinteresse pelo caso repetido, o que afeta o seu ânimo.

            O ser humano certamente desenvolveu a capacidade de comunicar-se para suprir uma carência. Somos seres gregários. A nossa sobrevivência depende das trocas que fazemos com nossos semelhantes. A solidão é mortal. Recordar é viver. Dar e receber é uma troca virtuosa. E é contando e recontando as nossas experiências que damos significado ao nosso viver.

             Não basta estar na multidão se não houver o que ouvir ou que falar. O isolamento é um sentimento que vem da ausência de comunicação. Sentimento que atinge fortemente aqueles poucos que atingem uma idade avançada. Como nem todos têm condições de viver de cruzeiro em cruzeiro para desbravar novos ouvintes só resta a repetição. Porém esperar pela boa vontade e paciência dos outros é uma aposta perdida.

           Ninguém demonstra prazer em ouvir o mesmo pela segunda vez. E as reações são as mesmas, dizem: “Contam as mesmas histórias a cada novo contato”. A razão é que isto é o que elas têm e é o que preenche as suas necessidades de colocar em comum o que é seu. Poucos realizam esse ímpeto de comunicação, esse “dar de si” embute uma dose de generosidade.


(Jorge Wilson Simeira Jacob. Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/. Acesso em: 06/12/2023.)
Sem alterar o sentido da relação entre as orações “Como nem todos têm condições de viver de cruzeiro em cruzeiro para desbravar novos ouvintes só resta a repetição. Porém esperar pela boa vontade e paciência dos outros é uma aposta perdida.” (6º§) A conjunção “porém” pode ser substituída pela locução:
Alternativas

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Tema central da questão:

Esta questão trata do uso de conjunções adversativas, essenciais para a coesão e a lógica do texto. Em concursos, reconhecer conectivos e o efeito que causam na relação entre as orações é uma habilidade fundamental, especialmente em textos argumentativos e dissertativos.

Justificativa da alternativa correta:

A palavra “porém” é uma conjunção adversativa que estabelece sentido de oposição ou contraste entre duas ideias. No trecho analisado, ela introduz uma ideia oposta à anterior: mesmo diante de uma possibilidade (mudar de ambiente para ter ouvintes novos), há uma limitação (contar com a paciência dos outros é uma aposta perdida).

Segundo a norma-padrão e referência em gramáticas, como Bechara e Cunha & Cintra, conjunções e locuções como “porém”, “contudo”, “entretanto”, “apesar disso” cumprem papel adversativo/concessivo. A locução “apesar disso” expressa concessão/oposição, mantendo o mesmo sentido de “porém”. Portanto, a substituição é adequada!

Análise das alternativas:

A) Além disso. – Indica adição, sugerindo continuação ou acréscimo, não oposição. Não preserva a relação adversativa do texto.
B) Depois que. – Indica acepção temporal (sequência no tempo), não adequada ao contexto.
C) Apesar disso. – Indica oposição/concessão. Essa locução estabelece contraste com a ideia anterior, mantendo-o fielmente. É a correta!
D) À medida que. – Indica proporção/gradualidade, alterando completamente o sentido original e a relação entre as frases.

Estratégias e dicas:

Em provas, observe o contexto antes e depois do conectivo e identifique se há contraste, causa, adição ou consequência. Substituições só são válidas quando não alteram a lógica da relação.

A alternativa correta é a letra C!

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Comentários

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Apesar disso. Expressão usada com o mesmo sentido de todavia, no entanto, contudo.

Ex: Estudei muito essa semana, apesar disso não garanto que serei aprovado.

Além disso - inclusivamente - adição

"Porém" é uma conjunção adversativa que tem como objetivo expressar uma ideia contrária ou oposta à ideia apresentada anteriormente na frase. Sua função é, portanto, criar um contraste, deixando claro que, apesar da afirmação inicial, existe outra perspectiva ou informação a ser considerada.

Algumas conjunções adversativas são: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, apesar disso, mesmo assim, ainda assim, não obstante, todavia, etc. Elas podem ser usadas para iniciar ou intercalar frases, mas devem ser precedidas por vírgula

Gabarito: C

As conjuções adversativa são: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, não abstante. Expressa ideia de oposição.

As conjuções concessiva são: embora, conquanto, ainda que, apesar de que. Expressa ideia de contaria a oração principal

✔️ PARA AJUDAR A FIXAR

Cabe uma observação: Locução APESAR DE (locução prepositiva concessiva) Conjunção: Embora (conjunção concessiva). Não se confundem.

A conjunção “porém” pode ser substituída pela locução:

As adversativas são oposições, quebras e contraste. Ex.: Estudou muito, porém não passou. (o que se espera de quem estuda muito é que passe). Veja, porém, que houve uma quebra, uma oposição. O mesmo pode ser encontrado nas concessivas. Ex.: Embora tenha estudado muito, não passou. (o que se espera de quem estuda muito é que passe).

Perceba que em ambas há uma oposição, um contraste.

Lembrando que se numa questão estiver outra adversativa, como todavia, contudo, entretanto... você deve escolher essas.

Bons estudos

Vamos juntos!!

✍ GABARITO: C

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