Pesquisas mostram que ela “possui” ação forte contra dores ...
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Por que dipirona é vendida no Brasil, mas proibida nos EUA e em parte da Europa?
A dipirona é um dos remédios mais populares no Brasil para aliviar febre e dor. Presente no mercado há mais de um século, ela aparece entre os medicamentos mais vendidos do país e é comprada sem receita médica. Em outras partes do mundo, porém, a situação é bem diferente: nos Estados Unidos e em alguns países europeus, a substância foi proibida há décadas por causa da preocupação com um possível efeito colateral raro e grave chamado agranulocitose, uma alteração no sangue que reduz as células de defesa do organismo.
Criada nos anos 1920, a dipirona rapidamente se espalhou por vários países. Mesmo sendo utilizada há tanto tempo, os cientistas ainda não entendem completamente como ela age no corpo humano. A principal hipótese é que o medicamento atue sobre mecanismos ligados à inflamação e ao sistema nervoso, ajudando a reduzir febre, dores e desconfortos.
A grande polêmica envolvendo a dipirona começou entre as décadas de 1960 e 1970, quando pesquisas passaram a relacionar substâncias semelhantes ao remédio com casos de agranulocitose. A partir dessas suspeitas, autoridades de saúde dos Estados Unidos decidiram retirar a dipirona do mercado. Outros países adotaram a mesma postura pouco tempo depois.
Com o passar dos anos, porém, novos estudos apresentaram resultados diferentes. Algumas pesquisas identificaram um risco extremamente baixo de desenvolver a alteração sanguínea em pessoas que utilizam o medicamento. Outras encontraram números mais elevados, principalmente em determinadas populações europeias.
Especialistas acreditam que essa diferença pode estar ligada a fatores genéticos, além do uso prolongado ou em doses muito altas. Há indícios de que algumas populações tenham maior predisposição ao problema, o que ajudaria a explicar por que o remédio é considerado mais seguro em alguns países do que em outros.
Na América Latina, estudos envolvendo milhões de pessoas apontaram poucos casos da complicação. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária concluiu que os riscos associados à dipirona são baixos e semelhantes aos de outros medicamentos usados contra dor e febre.
Por isso, atualmente não existe discussão sobre retirar a dipirona do mercado brasileiro. Além do Brasil, ela também continua liberada em países como Alemanha, Espanha, Índia, Rússia, Israel, Argentina e México.
Além da discussão sobre segurança, a eficácia da dipirona também foi analisada em diversos estudos. Pesquisas mostram que ela possui ação forte contra dores moderadas e febre, sendo usada até em hospitais para aliviar dores mais intensas. Em alguns casos, o efeito do medicamento chega a competir com remédios mais potentes.
Mesmo assim, especialistas reforçam que a dipirona deve ser usada com responsabilidade. Assim como qualquer medicamento, ela pode provocar efeitos colaterais, principalmente quando utilizada em excesso ou por longos periodos.
Entre os problemas possíveis estão alergias, queda de pressão, alterações nos rins e no fígado, além de sintomas como enjoo, tontura e sonolência. O risco da agranulocitose é considerado raro no Brasil, mas continua sendo acompanhado pelas autoridades de saúde.
Também é importante prestar atenção às doses recomendadas, já que muitos medicamentos populares combinam dipirona com outras substâncias, o que pode levar ao consumo exagerado sem que a pessoa perceba.
Especialistas destacam que a dipirona é considerada segura quando usada de maneira correta, principalmente em casos agudos de dor e febre. No entanto, ela não deve ser utilizada de forma constante por semanas ou meses sem orientação médica, já que até medicamentos comuns trazem riscos quando usados de forma inadequada.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/crgrky6rmlyo.adaptado.
Sobre a regência do verbo destacado na frase, assinale a alternativa correta.