Paciente de 28 anos, sexo masculino, apresenta clinicamente ...
Nesse caso clínico em que a polpa necrótica levou a um defeito periodontal por meio do forame apical, o tratamento mais indicado é:
Gabarito comentado
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Tema central: lesão endo-periodontal primária (origem endodôntica) com manifestação periodontal na furca, decorrente de polpa necrótica e periodontite apical crônica que drena pelo forame/apicículos acessórios.
Raciocínio diagnóstico: polpa necrótica, radiolucidez apical alcançando a furca do 36 e bolsa isolada e profunda apenas na furca vestibular, com periodonto saudável nos demais dentes. Esse padrão (bolsa estreita, localizada e associada a dente com polpa necrótica) indica lesão primária endodôntica. Pegadinha frequente: furca comprometida não significa doença periodontal primária; sempre correlacionar com vitalidade pulpar e padrão de sondagem.
Tratamento de escolha (Alternativa C): necropulpectomia. A desinfecção e obturação do sistema de canais removem a fonte infecciosa, permitindo a regeneração dos tecidos periodontais na furca. Conduta prática: preparo químico-mecânico com irrigação (hipoclorito de sódio), medicação intracanal com hidróxido de cálcio quando indicado e obturação tridimensional; reavaliação clínica/radiográfica em 4–12 semanas. Na maioria dos casos, não há necessidade de cirurgia periodontal. Referências: Carranza’s Clinical Periodontology; Cohen’s Pathways of the Pulp; AAE Position Statement – Endo-Perio Considerations; revisão conjunta EFP/AAE sobre lesões endo-perio.
Fisiopatologia resumida: a infecção do canal necrótico causa periodontite apical; o exsudato pode migrar pelo ligamento periodontal e canais acessórios da furca (comuns em molares inferiores), criando defeito periodontal secundário. Ao eliminar a infecção endodôntica, o defeito periodontal tende a resolver.
Por que as demais alternativas estão incorretas?
A) Raspagem coronorradicular (RAR) isolada: não remove a causa (infecção intracanal). Pode atrasar a cicatrização e é desnecessária inicialmente.
B) Cirurgia periodontal para RAR: abordagem invasiva sem tratar a etiologia endodôntica; aumenta morbidade e não melhora desfecho.
D) Necropulpectomia seguida de cirurgia periodontal para RAR: a sequência só se justifica se, após a endodontia e período de reparo, persistirem defeitos periodontais. Não é conduta inicial padrão.
E) RAR seguida de necropulpectomia: ordem invertida. Em lesões endo-perio primárias, a sequência correta é endodontia primeiro; a raspagem só é considerada se restar bolsa após a cicatrização.
Dicas para prova: 1) Teste de vitalidade orienta a origem da lesão; 2) Bolsas isoladas e estreitas, especialmente em furcas, sugerem origem endodôntica; 3) Radiolucência contínua do ápice à furca reforça o diagnóstico; 4) Trate a causa (canal) antes de qualquer intervenção periodontal.
Gabarito: C) Necropulpectomia.
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