A atuação dos neurofármacos e dos fármacos que agem nos div...

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Q3916907 Farmácia
A atuação dos neurofármacos e dos fármacos que agem nos diversos sistemas orgânicos deve ser compreendida de forma integrada, uma vez que muitos medicamentos exercem efeitos centrais e periféricos simultaneamente, impactando múltiplos sistemas fisiológicos. Para o profissional farmacêutico, esse conhecimento é essencial para a avaliação de segurança, prevenção de interações medicamentosas e promoção do uso racional de medicamentos. Considere o caso clínico a seguir:

“Um paciente de 68 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica, insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e depressão maior, faz uso de carvedilol, enalapril e furosemida. Recentemente, foi iniciado tratamento com um antidepressivo tricíclico. Após duas semanas, o paciente passa a apresentar episódios de tontura, hipotensão postural e taquicardia reflexa”.

Com base nos mecanismos farmacológicos envolvidos, qual explicação farmacodinâmica é mais adequada para o quadro apresentado?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é o bloqueio α1-adrenérgico periférico típico dos antidepressivos tricíclicos. No caso, a introdução do tricíclico em paciente idoso já em uso de carvedilol, enalapril e furosemida é seguida de tontura, hipotensão postural e taquicardia reflexa, quadro compatível com somação de efeitos hipotensores por redução da vasoconstrição ao ortostatismo. Isso sustenta a alternativa B.

Tema central: Bloqueio α1 dos tricíclicos
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe uma interação farmacocinética por inibição do metabolismo hepático do carvedilol, quando a questão cobra mecanismo farmacodinâmico. Além disso, o quadro descrito é de hipotensão ortostática com taquicardia reflexa, e não de bradicardia por excesso de betabloqueio.
B
Certa
A alternativa B está correta porque os antidepressivos tricíclicos bloqueiam receptores α1-adrenérgicos periféricos, reduzindo o tônus vasoconstrictor e favorecendo hipotensão ortostática. Em um paciente que já usa enalapril, furosemida e carvedilol, esse efeito se soma ao tratamento anti-hipertensivo e explica a tontura e a hipotensão postural. A taquicardia observada é a resposta barorreflexa esperada diante da queda da pressão arterial.
C
Errada
Está errada porque antidepressivos tricíclicos não estimulam receptores β1-adrenérgicos. A taquicardia do caso é reflexa à queda da pressão arterial, e não efeito agonista direto do antidepressivo.
D
Errada
Está errada porque tricíclicos não inibem a enzima conversora de angiotensina. No caso, quem exerce esse mecanismo é o enalapril, já presente na prescrição, e não o antidepressivo recém-iniciado.
E
Errada
Está errada por não explicar a síndrome clínica e por atribuir ao tricíclico um efeito renal inexistente. A furosemida atua predominantemente na alça espessa ascendente de Henle, inibindo o cotransportador Na+/K+/2Cl-, e não por antagonismo de canais de sódio no túbulo distal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre taquicardia reflexa por hipotensão e estímulo β1 direto, além de desviar para uma interação farmacocinética, embora o mecanismo cobrado seja farmacodinâmico.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão pede mecanismo farmacodinâmico, foque em receptor, sistema fisiológico e somação de efeitos, não em metabolismo.
  • Em antidepressivos tricíclicos, lembre que o bloqueio α1 é causa clássica de hipotensão ortostática, especialmente em idosos e com anti-hipertensivos.
  • Taquicardia após queda de pressão costuma ser resposta barorreflexa, não agonismo β1 direto.
  • Quando a alternativa atribuir ao fármaco mecanismo de outra classe, ela deve ser descartada por incompatibilidade farmacológica.

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