O autor exemplifica o que seria um "paradoxo psicanalítico"...

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Q386164 Português
                                                  Da timidez

                                                                      Luís Fernando Veríssimo


          Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. E como no paradoxo psicanalítico: só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
          Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Daqueles que sempre quebram na concentração.
Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando "Não me olhem! Não me olhem!", só para chamar a atenção.
          O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele.           Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo, mas o próprio destino não pensa em outra coisa, a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.
          O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma plateia, o tímido não pensa nos membros da plateia como indivíduos.           Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a plateia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.

Disponível em: http://ainagaki.sites.uol.com.br/textos/timidez.htm



O autor exemplifica o que seria um "paradoxo psicanalítico". Outro exemplo de paradoxo encontra-se na alternativa, EXCETO:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é o critério semântico de paradoxo, isto é, a aproximação de ideias aparentemente incompatíveis no mesmo enunciado. O texto-base oferece esse modelo em "E como no paradoxo psicanalítico: só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade"; por isso, a alternativa correta é a D, única que não reproduz essa contradição aparente.

Tema central: identificação de paradoxo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada como resposta porque há paradoxo em "Estou cego e vejo" e em "Arranco os olhos e vejo". O enunciado aproxima privação da visão e ato de ver, o que cria incompatibilidade semântica aparente no interior da frase.
B
Errada
Está errada como resposta porque apresenta construções paradoxais: "fogo que arde sem se ver" e "ferida que dói e não se sente". Em ambos os casos, há combinação de sentidos contrários no mesmo enunciado.
C
Errada
Está errada como resposta porque "ouvir o teu silêncio" constitui paradoxo. "Ouvir" pressupõe som, enquanto "silêncio" indica, em princípio, ausência de som; a tensão de sentido entre esses termos é justamente o que produz o efeito paradoxal.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o trecho "grande mergulho nas trevas" constrói uma imagem metafórica, mas não reúne termos semanticamente contraditórios entre si. Diferentemente do modelo dado no texto-base, não há coexistência de ideias opostas como "muito superior" e "complexo de inferioridade". Portanto, D é a única que não exemplifica paradoxo.
Pegadinha da questão
A banca mistura linguagem poética em todas as alternativas e explora a palavra "EXCETO". Isso induz à marcação de um trecho expressivo qualquer, quando o critério real é separar paradoxo de metáfora: nem toda imagem intensa ou figurada contém contradição semântica.
Dica para questões semelhantes
  • Leia primeiro o comando e destaque operadores de exclusão, como "EXCETO", para saber se deve marcar o exemplo ou o não exemplo.
  • Use o texto-base como padrão: aqui, paradoxo é a reunião de ideias aparentemente inconciliáveis no mesmo enunciado.
  • Antes de marcar, pergunte se há contradição interna de sentidos ou apenas linguagem figurada; metáfora sem oposição interna não basta.

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Paradoxo

Leia atentamente os versos a seguir:

“Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer”.
(Camões)

Observe que a afirmação sublinhada contraria o consenso, englobando simultaneamente duas idéias opostas. A esse tipo de figura de expressão chamamos paradoxo.

Há quem confunda paradoxo com antítese. Apesar de serem parecidas, elas se diferenciam por que no paradoxo a oposição se funde num mesmo referente, criando um efeito de contradição:

“A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo”.
(Carlos Drummond de Andrade)

Na antítese, o sentido é construído a partir do confronto entre idéias opostas:
“Queria um apoio, um horizonte limitado, não o mar sem fim”. (Autran Machado)

Em síntese, paradoxo é a figura de linguagem que consiste em empregar palavras que, mesmo opostas quanto ao sentido se fundem num mesmo enunciado.


FONTE: http://www.infoescola.com/linguistica/paradoxo/

Estou cego e vejo. Arranco os olhos e vejo.

Se não é paradoxo, é  que?

Letra A e B achei corretas..

PEDE A QUE NÃO É!

d) "E fizeste isto durante vinte e três anos até que um dia deste o grande mergulho nas trevas" (Machado de Assis).

 

 

• Eufemismo: Consiste em suavizar a expressão de uma ideia triste, molesta ou desagradável, substituindo o termo contundente por palavras ou circunlocuções amenas ou polidas.

 

Machado de Assis usou a expressão “deste o grande mergulho nas trevas” para se referir à morte.

Banca pede ERRADA - Banca D

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