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Q2383666 Medicina
Leia o caso a seguir.


Paciente do sexo feminino, 34 anos de idade, começou a apresentar dor leve a moderada em região cervical anterior, que irradiava para os ouvidos, acompanhada de sintomas de tireotoxicose, cerca de seis semanas após ter sido diagnosticada com COVID-19. Ao exame físico a tireoide estava aumentada difusamente e dolorosa à palpação.


Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual medicamento deve ser utilizado no tratamento desta paciente? 
Alternativas

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Tema central: Quadro típico de tireoidite subaguda (de Quervain) pós-viral: dor cervical anterior irradiada para orelhas, tireoide dolorosa e aumento difuso, associada a fase inicial de tireotoxicose por liberação de hormônios pré-formados.

Alternativa correta: CAnti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são a primeira linha para dor leve a moderada e controle da inflamação. Exemplos: ibuprofeno 600–800 mg 8/8h ou naproxeno 500 mg 12/12h. Pode-se associar betabloqueador (ex.: propranolol) para palitações e tremores. Referências: UpToDate (Subacute thyroiditis), Harrison’s Principles of Internal Medicine; Diretrizes da ATA para tireotoxicose.

Raciocínio clínico: Na tireoidite subaguda, a destruição folicular libera T3/T4, suprimindo TSH, sem aumento de síntese. Por isso, o tratamento é sintomático (analgésicos/AINEs; corticoide se refratário). A doença é autolimitada, podendo evoluir por fases: tireotóxica → eutireoidismo → hipotireoidismo transitório → recuperação.

Exames que apoiam o diagnóstico: VSG/ PCR elevadas; TSH baixo com T4L/T3 altos na fase inicial; captação de radioiodo baixa; USG com áreas hipoecoicas e fluxo Doppler reduzido (diferente de Graves). Tireoglobulina costuma estar elevada.

Análise das alternativas:

A) Prednisona 1 mg/kg/dia não é primeira linha e a dose é excessiva. Corticoide é reservado para dor intensa ou falha de AINE (doses usuais: prednisona 15–40 mg/dia, 0,3–0,5 mg/kg, com desmame). Não “evita progressão” da doença, que é autolimitada. (ATA/UpToDate)

B) Tionamidas (metimazol/propiltiouracil) atuam inibindo síntese hormonal, o que não ocorre aqui; a tireotoxicose é por liberação. Portanto, não encurtam a evolução e não são indicadas. (Harrison/ATA)

C) Correta: AINEs para dor leve a moderada; betabloqueadores conforme sintomas adrenérgicos. Se refratário, considerar prednisona e desmame gradual. (UpToDate/Harrison)

D) Levotiroxina pode ser usada apenas na fase hipotireóidea se houver sintomas ou TSH elevado de forma significativa, por tempo limitado (geralmente 3–6 meses). Não previne hipotireoidismo definitivo; a maioria recupera função tireoidiana. (UpToDate/ATA)

Pegadinhas e estratégias: Dor + tireoide dolorosa + captação baixa sugerem tireoidite subaguda, não Graves (que é indolor, hiperfluxo Doppler e captação alta). Evite indicar tionamidas em quadros por liberação. Lembre-se: AINEs primeiro; corticoide só se falha/gravidade.

Referências: UpToDate – Subacute thyroiditis; Harrison’s Principles of Internal Medicine; American Thyroid Association Guidelines for Thyrotoxicosis.

Gabarito: C

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A questão apresenta uma paciente com sintomas de tireotoxicose (excesso de hormônios tireoidianos) e dor cervical que irradia para os ouvidos, após ter tido COVID-19. Baseado nesses sintomas e no contexto pós-infeccioso, a principal hipótese diagnóstica é a tiroidite subaguda, também conhecida como tiroidite de De Quervain. Esta condição é uma inflamação da tireoide, frequentemente desencadeada por infecções virais, que pode resultar em liberação excessiva de hormônios tireoidianos (fase tireotóxica), seguida por uma fase hipotireoidea, antes da recuperação, geralmente completa, da função tireoidiana. A alternativa correta é a C, que sugere o uso de anti-inflamatórios não hormonais para o controle da dor leve a moderada. Este tratamento é consistente com a abordagem da dor e inflamação associadas à tiroidite subaguda, sem interferir diretamente na função tireoidiana. A opção A (prednisona) não é a primeira linha de tratamento, sendo reservada para casos de dor mais severa ou quando há insuficiência de resposta aos anti-inflamatórios não esteroides. A opção B (tionamidas) não é adequada pois, na tiroidite subaguda, a tireotoxicose é decorrente da liberação de hormônio tireoidiano armazenado e não de uma síntese aumentada, tornando as tionamidas ineficazes nesta fase. A opção D (levotiroxina) é usada apenas na fase de hipotireoidismo que pode seguir a fase tireotóxica, mas não é aplicável para o controle dos sintomas iniciais descritos no caso. Portanto, a resposta correta é a alternativa C, por se alinhar melhor com a patofisiologia da tiroidite subaguda e os sintomas apresentados pela paciente.

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