Leia o caso a seguir. Paciente do sexo feminino, 34 anos de...
Paciente do sexo feminino, 34 anos de idade, começou a apresentar dor leve a moderada em região cervical anterior, que irradiava para os ouvidos, acompanhada de sintomas de tireotoxicose, cerca de seis semanas após ter sido diagnosticada com COVID-19. Ao exame físico a tireoide estava aumentada difusamente e dolorosa à palpação.
Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual medicamento deve ser utilizado no tratamento desta paciente?
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Tema central: Quadro típico de tireoidite subaguda (de Quervain) pós-viral: dor cervical anterior irradiada para orelhas, tireoide dolorosa e aumento difuso, associada a fase inicial de tireotoxicose por liberação de hormônios pré-formados.
Alternativa correta: C — Anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são a primeira linha para dor leve a moderada e controle da inflamação. Exemplos: ibuprofeno 600–800 mg 8/8h ou naproxeno 500 mg 12/12h. Pode-se associar betabloqueador (ex.: propranolol) para palitações e tremores. Referências: UpToDate (Subacute thyroiditis), Harrison’s Principles of Internal Medicine; Diretrizes da ATA para tireotoxicose.
Raciocínio clínico: Na tireoidite subaguda, a destruição folicular libera T3/T4, suprimindo TSH, sem aumento de síntese. Por isso, o tratamento é sintomático (analgésicos/AINEs; corticoide se refratário). A doença é autolimitada, podendo evoluir por fases: tireotóxica → eutireoidismo → hipotireoidismo transitório → recuperação.
Exames que apoiam o diagnóstico: VSG/ PCR elevadas; TSH baixo com T4L/T3 altos na fase inicial; captação de radioiodo baixa; USG com áreas hipoecoicas e fluxo Doppler reduzido (diferente de Graves). Tireoglobulina costuma estar elevada.
Análise das alternativas:
A) Prednisona 1 mg/kg/dia não é primeira linha e a dose é excessiva. Corticoide é reservado para dor intensa ou falha de AINE (doses usuais: prednisona 15–40 mg/dia, 0,3–0,5 mg/kg, com desmame). Não “evita progressão” da doença, que é autolimitada. (ATA/UpToDate)
B) Tionamidas (metimazol/propiltiouracil) atuam inibindo síntese hormonal, o que não ocorre aqui; a tireotoxicose é por liberação. Portanto, não encurtam a evolução e não são indicadas. (Harrison/ATA)
C) Correta: AINEs para dor leve a moderada; betabloqueadores conforme sintomas adrenérgicos. Se refratário, considerar prednisona e desmame gradual. (UpToDate/Harrison)
D) Levotiroxina pode ser usada apenas na fase hipotireóidea se houver sintomas ou TSH elevado de forma significativa, por tempo limitado (geralmente 3–6 meses). Não previne hipotireoidismo definitivo; a maioria recupera função tireoidiana. (UpToDate/ATA)
Pegadinhas e estratégias: Dor + tireoide dolorosa + captação baixa sugerem tireoidite subaguda, não Graves (que é indolor, hiperfluxo Doppler e captação alta). Evite indicar tionamidas em quadros por liberação. Lembre-se: AINEs primeiro; corticoide só se falha/gravidade.
Referências: UpToDate – Subacute thyroiditis; Harrison’s Principles of Internal Medicine; American Thyroid Association Guidelines for Thyrotoxicosis.
Gabarito: C
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