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Q2383665 Medicina
Leia o caso a seguir.

Mulher, 42 anos de idade, relata cálcio sérico e PTH levemente elevados em várias medidas. Vem à consulta com cálcio corrigido: 10,7 mg/dl (VR: 8,5 a 10,5) e PTH:70 pg/ml (VR: 12 a 65). Apresenta 25(OH) vitamina D de 45 ng/ml (VR: > 20). Função renal normal. Relação clearance de cálcio/clearance de creatinina < 0,01.


Qual deve ser o próximo passo na condução deste caso?
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda o hiperparatireoidismo primário (HPTP) assintomático, enfatizando a conduta clínica diante de alterações laboratoriais discretas e ausência de sintomas.

Justificativa da alternativa correta (D):

A paciente apresenta cálcio sérico levemente elevado (10,7 mg/dl) e PTH discretamente aumentado (70 pg/ml), mantendo função renal normal, vitamina D adequada e clearance cálcio/creatinina < 0,01. NÃO há sintomas, nefrolitíase, osteoporose ou fatores de gravidade.

Segundo o Projeto Diretrizes da AMB (Manejo de pacientes assintomáticos):
“Nos pacientes assintomáticos que não preenchem os critérios para cirurgia, em sua maioria, a doença se mantém estável no seguimento de longo prazo.” Assim, a conduta recomendada é acompanhamento clínico com reavaliação anual.

Diversas publicações de referência (como UpToDate e Harrison’s) reforçam este manejo expectante em casos sem critérios para paratireoidectomia, por seu baixo risco de evolução adversa.

Análise das alternativas incorretas:

A) Indicar paratireoidectomia: Errado. A cirurgia está indicada apenas quando há sintomas, cálcio >1 mg acima do normal, TFG <60 ml/min, história de nefrolitíase, osteoporose ou idade <50 anos. Estes critérios não estão presentes.

B) Indicar cintilografia com sestamibi: Incorreto. Este exame auxilia apenas no planejamento cirúrgico, e não é indicado para paciente sem critério cirúrgico.

C) Indicar tomografia computadorizada: Inadequado. A TC não tem papel na confirmação diagnóstica nem no seguimento do HPTP sem cirurgia prevista.

Estratégia de prova: Atente-se a palavras-chave como “assintomático”, “função renal normal” e exames estáveis. Diretrizes recentes valorizam conduta conservadora na ausência de critérios de gravidade.

Resumo prático: Em HPTP leve, sem indicação cirúrgica, o acompanhamento clínico periódico é a conduta de escolha. A reavaliação deve ser feita geralmente a cada 6-12 meses para rastrear possível progressão.

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Comentários

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A paciente descrita no caso possui leve elevação do cálcio sérico e do hormônio paratireoidiano (PTH), o que sugere um quadro de hiperparatireoidismo leve ou normocalcêmico. Contudo, a função renal está normal e a relação clearance de cálcio/clearance de creatinina é inferior a 0,01, o que indica baixa excreção urinária de cálcio e sugere que o hiperparatireoidismo não está tendo um impacto significativo no balanço de cálcio. Adicionalmente, os níveis de 25(OH) vitamina D estão adequados. Em vista disso, o manejo mais apropriado é a monitorização clínica e laboratorial ao longo do tempo, sem intervenção cirúrgica ou investigação por imagem neste momento. A alternativa D (Indicar reavaliação dos exames em um ano) é a resposta correta, pois propõe um acompanhamento conservador e uma reavaliação programada, permitindo uma intervenção futura apenas se houver mudança significativa nos parâmetros laboratoriais ou no quadro clínico. As outras opções (A, B e C) sugerem procedimentos invasivos ou de diagnóstico por imagem, que seriam prematuros considerando o quadro clínico atual da paciente.

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