Leia o caso a seguir. Paciente do sexo masculino, 78 anos d...
Paciente do sexo masculino, 78 anos de idade, acaba de receber diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2. Refere nictúria (2x por noite) e jato urinário mais fraco. Nega polidipsia e polifagia. Vem perdendo peso de forma não intencional no último ano, queixando também sensação de fadiga, fraqueza, com diminuição da velocidade da marcha. Ao exame físico encontra-se com sarcopenia. IMC: 20kg/m2 . Exames complementares: Glicose de jejum 140mg/dl e HbA1c 7,5% (NGSP). Taxa de filtração glomerular: 49mL/min (CKD-EPI).
A partir do caso apresentado, qual é o medicamento de primeira escolha para o tratamento do Diabetes Mellitus neste paciente?
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Tema central: manejo inicial do Diabetes Mellitus tipo 2 no idoso frágil com DRC estágio 3a (TFG 49 mL/min), IMC baixo (20 kg/m²), perda ponderal e sarcopenia, HbA1c 7,5% e sintomas urinários.
Alternativa correta: B – Linagliptina.
Justificativa: Em idosos com fragilidade e baixo IMC, deve-se priorizar fármacos com baixo risco de hipoglicemia e efeito neutro sobre o peso. A linagliptina (inibidor de DPP-4) é segura em DRC sem ajuste de dose, tem risco mínimo de hipoglicemia (quando não associada a sulfonilureia/insulina) e não piora LUTS. Para HbA1c 7,5%, a monoterapia é adequada, com metas menos rígidas em idosos (ex.: 7,5–8% conforme comorbidades e fragilidade). Referências: ADA Standards of Care 2024; Endocrine Society Guideline 2019; UpToDate.
Raciocínio clínico chave: O caso sinaliza “pegadinhas”: baixo IMC/sarcopenia e perda de peso → evitar fármacos que promovem emagrecimento; TFG 49 → atenção a ajuste renal e risco de hipoglicemia; nictúria e jato fraco → evitar agentes que aumentem diurese.
Análise das alternativas incorretas
A – Metformina. Embora seja primeira linha em muitos casos e permitida com TFG ≥45 (com dose reduzida e monitorização), aqui há fragilidade, perda ponderal e IMC 20. Metformina pode causar efeitos GI, perda de peso adicional e deficiência de B12, o que desfavorece sua escolha inicial. ADA 2024 recomenda individualizar e evitar perda ponderal em idosos frágeis.
C – Glibenclamida. Afirmação incorreta: é a sulfonilureia com maior risco de hipoglicemia prolongada, especialmente em idosos e com DRC. Se necessário usar sulfonilureia, prefere-se gliclazida ou glipizida. Portanto, não é segura neste contexto (ADA 2024).
D – Dapagliflozina. Apesar de benefícios cardiorrenais, SGLT2 reduzem peso e promovem diurese osmótica, podendo piorar nictúria/LUTS e causar hipovolemia em idosos. A eficácia glicêmica é menor com TFG próxima de 45–60. Neste paciente magro e com LUTS, não é a melhor primeira escolha.
Dicas para a prova: Em idosos frágeis, priorize: baixo risco de hipoglicemia, estabilidade de peso e simplicidade posológica. Evite glibenclamida; use SGLT2 com cautela em baixo IMC/LUTS; metformina é possível com TFG ≥45, mas avalie tolerância e estado nutricional. DPP-4 (como linagliptina) são ótimas opções iniciais.
Referências: ADA Standards of Care 2024; Endocrine Society Guideline on Diabetes in Older Adults (2019); UpToDate – Management of hyperglycemia in older adults.
Gabarito: B
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