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Q2383658 Medicina
Leia o caso a seguir.


Paciente do sexo masculino, 78 anos de idade, acaba de receber diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2. Refere nictúria (2x por noite) e jato urinário mais fraco. Nega polidipsia e polifagia. Vem perdendo peso de forma não intencional no último ano, queixando também sensação de fadiga, fraqueza, com diminuição da velocidade da marcha. Ao exame físico encontra-se com sarcopenia. IMC: 20kg/m2 . Exames complementares: Glicose de jejum 140mg/dl e HbA1c 7,5% (NGSP). Taxa de filtração glomerular: 49mL/min (CKD-EPI).


A partir do caso apresentado, qual é o medicamento de primeira escolha para o tratamento do Diabetes Mellitus neste paciente?
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Tema central: manejo inicial do Diabetes Mellitus tipo 2 no idoso frágil com DRC estágio 3a (TFG 49 mL/min), IMC baixo (20 kg/m²), perda ponderal e sarcopenia, HbA1c 7,5% e sintomas urinários.

Alternativa correta: B – Linagliptina.

Justificativa: Em idosos com fragilidade e baixo IMC, deve-se priorizar fármacos com baixo risco de hipoglicemia e efeito neutro sobre o peso. A linagliptina (inibidor de DPP-4) é segura em DRC sem ajuste de dose, tem risco mínimo de hipoglicemia (quando não associada a sulfonilureia/insulina) e não piora LUTS. Para HbA1c 7,5%, a monoterapia é adequada, com metas menos rígidas em idosos (ex.: 7,5–8% conforme comorbidades e fragilidade). Referências: ADA Standards of Care 2024; Endocrine Society Guideline 2019; UpToDate.

Raciocínio clínico chave: O caso sinaliza “pegadinhas”: baixo IMC/sarcopenia e perda de peso → evitar fármacos que promovem emagrecimento; TFG 49 → atenção a ajuste renal e risco de hipoglicemia; nictúria e jato fraco → evitar agentes que aumentem diurese.

Análise das alternativas incorretas

A – Metformina. Embora seja primeira linha em muitos casos e permitida com TFG ≥45 (com dose reduzida e monitorização), aqui há fragilidade, perda ponderal e IMC 20. Metformina pode causar efeitos GI, perda de peso adicional e deficiência de B12, o que desfavorece sua escolha inicial. ADA 2024 recomenda individualizar e evitar perda ponderal em idosos frágeis.

C – Glibenclamida. Afirmação incorreta: é a sulfonilureia com maior risco de hipoglicemia prolongada, especialmente em idosos e com DRC. Se necessário usar sulfonilureia, prefere-se gliclazida ou glipizida. Portanto, não é segura neste contexto (ADA 2024).

D – Dapagliflozina. Apesar de benefícios cardiorrenais, SGLT2 reduzem peso e promovem diurese osmótica, podendo piorar nictúria/LUTS e causar hipovolemia em idosos. A eficácia glicêmica é menor com TFG próxima de 45–60. Neste paciente magro e com LUTS, não é a melhor primeira escolha.

Dicas para a prova: Em idosos frágeis, priorize: baixo risco de hipoglicemia, estabilidade de peso e simplicidade posológica. Evite glibenclamida; use SGLT2 com cautela em baixo IMC/LUTS; metformina é possível com TFG ≥45, mas avalie tolerância e estado nutricional. DPP-4 (como linagliptina) são ótimas opções iniciais.

Referências: ADA Standards of Care 2024; Endocrine Society Guideline on Diabetes in Older Adults (2019); UpToDate – Management of hyperglycemia in older adults.

Gabarito: B

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A questão apresenta um paciente idoso com Diabetes Mellitus tipo 2 e diversas condições associadas, incluindo sarcopenia, perda de peso não intencional, nictúria, jato urinário fraco e uma taxa de filtração glomerular reduzida. Ao escolher um medicamento para o tratamento desse paciente, é essencial considerar o perfil de segurança e os efeitos colaterais, especialmente o risco de hipoglicemia e os efeitos sobre o peso corporal. A alternativa correta é a B - Linagliptina. Esse medicamento pertence à classe dos inibidores da DPP-4, que são conhecidos por terem um baixo risco de hipoglicemia, uma característica fundamental para o tratamento de idosos, que são mais susceptíveis a complicações decorrentes de episódios hipoglicêmicos. Além disso, a linagliptina tem um efeito neutro sobre o peso, o que é vital neste paciente que já está apresentando perda de peso não intencional e sarcopenia, e não requer ajuste de dose em pacientes com insuficiência renal leve a moderada, como é o caso deste paciente com uma taxa de filtração glomerular de 49mL/min. As outras opções têm desvantagens significativas para esse paciente: A metformina (alternativa A) é geralmente considerada a primeira linha de tratamento para o Diabetes Mellitus tipo 2, mas pode ser contraindicada ou ter seu uso limitado em pacientes com função renal reduzida e pode causar perda de peso, não sendo ideal neste contexto. A glibenclamida (alternativa C) é uma sulfonilureia com um risco aumentado de hipoglicemia, especialmente em idosos, e também pode causar ganho de peso, o que não é desejável. Por último, a dapaglifozina (alternativa D) é um inibidor SGLT2 que promove a perda de peso e poderia potencialmente agravar a sarcopenia e a perda de peso já existente nesse paciente. Portanto, a linagliptina é o medicamento mais adequado para iniciar o tratamento desse paciente.

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