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Q3614286 Português
Texto 1

O ASSASSINO ERA O ESCRIBA

Paulo Leminski


Meu professor de análise sintática era o tipo do

sujeito inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,

regular como um paradigma da 1ª conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto

adverbial,

ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito

assindético de nos torturar com um aposto. Casou

com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas

expletivas,

conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.


Fonte:

https://armazemdetexto.blogspot.com/2019/01/poema -o-assassino-era-o-escriba-paulo.html
Leia o texto 1 – O Assassino era o Escriba e, levando-se em conta os aspectos gramaticais, assinale a única alternativa correta.
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Comentário da questão – Tema central:

A questão cobra interpretação de texto literário e compreensão de metáforas com termos gramaticais. O foco é perceber como o autor utiliza elementos da sintaxe para construir características do personagem. Exige, portanto, a habilidade de leitura crítica e conhecimento de conceitos como sujeito inexistente e figuras de linguagem (especialmente metáfora).

Alternativa correta: C) O autor do poema caracteriza o personagem como um sujeito inexistente.

O raciocínio que resolve a questão exige atenção à primeira estrofe, em que Paulo Leminski afirma: “Meu professor [...] era o tipo do sujeito inexistente.” Logo, o professor é chamado de “sujeito inexistente”, termo técnico da gramática. Pela norma padrão (Bechara, Cunha & Cintra), sujeito inexistente refere-se a orações sem sujeito definido. O poeta usa a expressão de maneira metafórica para sugerir alguém sem personalidade marcante ou com presença apagada.

Análise das alternativas incorretas:

A) Induz o aluno ao erro ao supor relação direta entre infelicidade e trabalho, mas o texto apenas afirma “Foi infeliz”, sem causa explícita.

B) “Casou com uma regência” e “ela era bitransitiva” são metáforas com termos técnicos; não se refere a múltiplas personalidades, mas a conceitos da sintaxe.

D) Apesar do uso de metáforas, não há menção a salários ou impossibilidade de viajar; tal interpretação extrapola o texto. Atenção: não deduza além do que está escrito!

E) A frase “Era possessivo como um pronome” é apenas mais uma característica, mas não define o personagem; o ponto central é ser “sujeito inexistente”.

Pontos-chave e estratégias:

1. Foque sempre nos elementos centrais e explícitos do texto. Aqui, “sujeito inexistente” aparece imediatamente e é o recurso de maior peso na caracterização.

2. Não extrapole interpretações para além do que está realmente dito. Cuidado com pegadinhas que sugerem causas ou críticas sociais implícitas.

3. Entenda o uso de metáforas com termos gramaticais, pois são usadas de forma criativa – conceito comum em textos de Leminski e recorrente em provas de interpretação.

Referências normativas: Gramáticas como Cunha & Cintra, Bechara e o Manual de Redação da Presidência da República reforçam a relevância do sujeito inexistente e da leitura literal-metafórica nos textos em Língua Portuguesa.

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