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Q3995342 Português
Leia texto abaixo para responder à questão proposta:


O corporativismo e a inteligência emocional no desempenho da função pública


No contexto contemporâneo da administração pública, especialmente no ambiente escolar, o desempenho eficiente das funções atribuídas ao monitor escolar exige mais do que o cumprimento técnico de tarefas. Torna-se imprescindível o desenvolvimento de competências socioemocionais e a compreensão das dinâmicas coletivas que estruturam o trabalho institucional. Nesse sentido, destacamse o corporativismo — entendido aqui em sua acepção positiva, como espírito de cooperação e pertencimento — e a inteligência emocional como elementos fundamentais para a qualidade do serviço prestado.

O corporativismo, quando orientado por princípios éticos e pelo compromisso com o interesse público, contribui para a construção de um ambiente de trabalho colaborativo. No espaço escolar, o monitor desempenha papel estratégico ao mediar relações entre alunos, professores e equipe gestora. Assim, a capacidade de atuar de forma integrada, respeitando normas institucionais e valorizando o trabalho coletivo, favorece a organização do cotidiano escolar e a promoção de um clima harmonioso. Em contrapartida, práticas corporativistas distorcidas, pautadas em favorecimentos ou omissões, comprometem a equidade e a transparência, princípios basilares da administração pública.

Paralelamente, a inteligência emocional configura-se como uma competência indispensável ao exercício da função. A atuação do monitor escolar envolve situações diversas, como a mediação de conflitos, o acolhimento de estudantes e a gestão de comportamentos em ambientes coletivos. Nesse cenário, habilidades como autocontrole, empatia, resiliência e comunicação assertiva tornam-se essenciais. O profissional emocionalmente inteligente é capaz de reconhecer suas próprias emoções e as dos outros, regulando suas ações de maneira equilibrada e contribuindo para a resolução de problemas de forma construtiva.

Ademais, a articulação entre corporativismo e inteligência emocional potencializa a eficácia da atuação profissional. Enquanto o primeiro fortalece o senso de equipe e a responsabilidade compartilhada, a segunda qualifica as interações humanas, tornandoas mais respeitosas e produtivas. Tal combinação impacta diretamente na qualidade do ambiente escolar, refletindo-se no bem-estar dos alunos e na efetividade das práticas educativas.

Dessa forma, conclui-se que o monitor escolar, enquanto agente público inserido em um contexto educativo, deve pautar sua atuação na cooperação, na ética e no equilíbrio emocional. O desenvolvimento dessas competências não apenas aprimora o desempenho individual, mas também contribui para a construção de uma escola mais inclusiva, organizada e comprometida com a formação integral dos estudantes.
No segundo parágrafo, o texto recorre a uma estratégia argumentativa específica ao contrapor o corporativismo ético às práticas distorcidas. Tal recurso tem como principal função: 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a função argumentativa do contraste no segundo parágrafo, explicitada pelo trecho: "O corporativismo, quando orientado por princípios éticos e pelo compromisso com o interesse público, contribui para a construção de um ambiente de trabalho colaborativo. [...] Em contrapartida, práticas corporativistas distorcidas, pautadas em favorecimentos ou omissões, comprometem a equidade e a transparência, princípios basilares da administração pública." A oposição entre os dois polos mostra efeitos positivos e negativos de condutas distintas, o que conduz ao gabarito B.

Tema central: função do contraste
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o texto não relativiza a importância do corporativismo. Ao contrário, afirma seu valor quando ele é "orientado por princípios éticos e pelo compromisso com o interesse público". A crítica recai apenas sobre "práticas corporativistas distorcidas", não sobre o corporativismo em sua acepção positiva.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica exatamente o que o parágrafo faz: primeiro associa o corporativismo ético à colaboração, à organização do cotidiano escolar e ao clima harmonioso; depois, com o marcador "Em contrapartida", opõe a isso práticas distorcidas que comprometem equidade e transparência. O recurso argumentativo, portanto, não é apenas mencionar dois lados, mas comparar consequências opostas para reforçar a distinção entre o uso legítimo e o uso deturpado do corporativismo.
C
Errada
Está errada porque a contraposição não é argumento secundário nem está desvinculada da tese principal. Ela integra a progressão argumentativa do texto ao delimitar o corporativismo aceitável e rejeitar sua distorção, reforçando a defesa de uma atuação ética, cooperativa e comprometida com o interesse público.
D
Errada
Está errada porque o parágrafo não apresenta dados concretos, estatísticas ou comprovação empírica. O texto desenvolve uma argumentação expositivo-valorativa sobre efeitos de condutas e não sustenta uma conclusão geral sobre ineficiência da administração pública; apenas afirma que certas práticas comprometem equidade e transparência.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre criticar o corporativismo distorcido e desvalorizar o corporativismo em si. O texto não faz a segunda coisa; ele distingue claramente a acepção ética da forma deturpada, e o conector "Em contrapartida" é a pista central dessa oposição.
Dica para questões semelhantes
  • Se a pergunta cobrar a função de um recurso argumentativo, localize o conector que organiza a relação de sentido; aqui, "Em contrapartida" sinaliza oposição explícita.
  • Separe o tema da função: o tema é corporativismo, mas o que a questão pede é o efeito argumentativo da contraposição no parágrafo.
  • Quando o texto apresenta dois polos, verifique se ele está relativizando uma ideia ou delimitando usos diferentes dela; aqui, ele delimita o uso ético e o uso distorcido.
  • Não trate avaliação de condutas como dado concreto: sem estatísticas ou prova empírica, a argumentação é valorativa, não demonstrativa por evidência factual.

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