Todas as afirmações a seguir estão corretas, exceto:
A ORIGEM DA TRAGÉDIA
OS PROBLEMAS E OS DADOS HISTÓRICOS
Desde Nietzsche, que em seu Nascimento da Tragédia e do Espírito da Música (1871) conseguiu enunciar o problema em termos acessíveis aos não iniciados na complexa metodologia das ciências da Antiguidade Clássica, a origem da tragédia é ponto de história da literatura grega que atrai vivamente a curiosidade de psicólogos, etnólogos, filósofos e, em geral, de todas as pessoas interessadas na história e na fenomenologia do teatro. A solução de Nietzsche comprometia os dados históricos e filológicos com teoremas de Schopenhauer e ideias de Wagner acerca do drama musical; constituía, digamos, um momento dos mais genuinamente românticos, na tragédia do próprio pensamento do filósofo que provara o saboroso fruto da filologia novecentista. O manifesto antinietzschiano de Wilamowitz-Moellendorff, Zukunpftsphilologie!, era-o, sobretudo, da curta vista de uma ciência que, não querendo ser mais que "ciência", nem chegava cientificamente a aperceber-se de que, em verdade, não fora a origem histórica da tragédia grega, pura e simples, a questão que mais poderosamente solicitara o seu ex-colega de Schuhlpforta; ou melhor, não entendeu Wilamowitz que, naquelas páginas, pela primeira vez em sua geração se cruzavam forças tendentes a resolver dois problemas muitíssimo diversos. Com efeito, desde o Nascimento da Tragédia, quase toda a bibliografia concernente a este capítulo da literatura grega nos mostra como naturalmente se encontram entretecidos os enunciados e soluções de um problema filológico com as premissas e conclusões de um problema fenomenológico.
Para a Filologia, a questão é achar formas literárias, testemunhadas ou hipotéticas, que, uma vez justapostas no tempo, figurem a trajetória historiável da tragédia grega. A este aspecto do problema corresponde o método filológico, de exclusivo recurso à análise dos textos, à crítica das fontes, à exegese e à hermenêutica, exercidas mediante as várias ciências e técnicas subsidiárias. Para a fenomenologia, o problema consiste em descobrir o gradual desenvolvimento do próprio fenômeno trágico, da mesma tragicidade, cujos primórdios se nos deparam, na psicologia e na etnologia, emersos da penumbra da subconsciência e da pré-história do homem e dos povos gregos. Método mais adequado à natureza do problema não há, que não seja o filosófico, na genuína acepção da palavra.
Quanto aos dados utilizáveis no propósito de resolvê-los, além dos poemas completos de Esquilo, Sófocles e Eurípedes, e dos fragmentos destes e dos demais tragediógrafos, cuja recensão prossegue desde o passado século; além da famosa teoria de Aristóteles que atribui a origem da tragédia a um "improviso dos solistas do ditirambo", e o desenvolvimento, a um processo de gradual "protagonização do lógos (diálogo) ... uma vez passado o momento satírico", só dispomos de escassas e obscuras informações de antigos escritores, incidentalmente ministradas em trechos de obras que, no essencial, nada tem a ver com a problemática em questão.
Sobre os textos dos dramas tradicionais, incidem predominantemente os esforços N indagadores da Filologia, com o especial intento de explicar a síntese de ritmos diversos, visto que a composição de heterogêneas formas, líricas e épicas, constitui o problema fundamental da morfologia histórica do poema trágico. Importa deixar assinalado, desde já, que os resultados de semelhante pesquisa parecem desdizer as notícias históricas de Aristóteles, embora confirmem a sua teoria estética: pela forma e pelo conteúdo, os primeiros dramas de Ésquilo satisfazem à definição de essência, segundo a qual, a "tragédia é imitação de ação austera", mas, por isso mesmo, parece encontrar-se refutada a hipótese genética do E stagirita, quando, baldamente, se quer isolar ou adivinhar nos poemas trágicos o elemento grotesco, herança do "satírico" primordial. (Poética, Tradução, Prefácio.... de Eudoro de S ousa. Porto Alegre, Editora Globo, 1966, p. 29-30. Reformatado com omissões.).
Todas as afirmações a seguir estão corretas, exceto:
Gabarito comentado
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Assunto central: Interpretação de Texto, com ênfase em coerência textual e a relação precisa entre informação e alternativa, tema recorrente em provas para o cargo de Contador.
Comentário:
A questão exigia interpretação rigorosa das ideias do texto, distinguindo o foco dos métodos filológico e fenomenológico no estudo da tragédia grega.
Alternativa correta: E
A alternativa E está INCORRETA conforme solicitado, pois deturpa a relação entre os métodos: não há, no texto, sustentação de que a união entre filologia e fenomenologia conduz a maior precisão ao "deslocar a ênfase das fontes literárias para a subconsciência". Na verdade, os métodos são descritos como distintos: a Filologia se ocupa dos textos literários e sua crítica; a Fenomenologia, do desenvolvimento do fenômeno trágico, baseado em psicologia e etnologia. O texto não defende um método combinado, nem um deslocamento de ênfase como resultado mais "preciso".
Análise detalhada das alternativas:
- A — Correta. Transcreve fielmente a função da Filologia, conforme o texto: buscar formas literárias que compõem a história da tragédia grega.
- B — Correta. Define corretamente o método filológico, baseado apenas em análise textual, crítica das fontes, exegese e hermenêutica.
- C — Correta. Explica o enfoque fenomenológico: estudo do desenvolvimento do fenômeno trágico a partir do inconsciente coletivo, segundo psicologia e etnologia.
- D — Correta. Embora interpretativa, está congruente com as abordagens complexas e abrangentes sugeridas no texto para a ciência.
- E — Incorreta. Não corresponde ao que está expresso no texto, pois mistura métodos e propõe uma relação não citada pelo autor, gerando incoerência textual.
Dicas: Leia atentamente cada alternativa em busca de mudanças sutis de sentido, especialmente quando se propõe relações causais ou combinações que o texto não oferece. Cuidado com generalizações e termos que deslizam o foco de acordo com a estratégia do examinador.
Este tipo de questão cobra análise minuciosa — a coerência textual é o critério central para avaliação, conforme ensinam Koch & Elias (2006).
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