O abortamento clínico ambulatorial é uma alternativa aceitá...

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Q3416342 Medicina

O abortamento clínico ambulatorial é uma alternativa aceitável à interrupção cirúrgica das gestações de mulheres selecionadas apropriadamente com menos de 49 dias de atraso menstrual. Depois desse período, os dados disponíveis — embora sejam menos convincentes — sugerem que a abordagem preferível seja abortamento cirúrgico. Ao longo de toda a história, muitas substâncias naturais têm sido administradas por seus supostos efeitos abortifacientes. Algumas delas podem causar doença grave e até mesmo mortes. Hoje, existem apenas três fármacos amplamente estudados como indutores de abortamento clínico. Esses fármacos são usados isoladamente ou em combinação e incluem: mifepristona, metotrexato e misoprostol. A respeito desses métodos medicamentosos, numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


 

(1) Mifepristona.


(2) Metotrexato antimetabólito.


(3) Misoprostol.



(_) Antimetabólito.


(_) Agentes antiprogestogênicos.


(_) Prostaglandina.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: classificação farmacológica dos fármacos utilizados no abortamento medicamentoso e seu mecanismo de ação. O raciocínio exige reconhecer o mecanismo de cada droga para fazer a correspondência correta.

Gabarito: C – 2 • 1 • 3

Justificativa da alternativa correta

(2) Metotrexato → Antimetabólito: inibidor da di-hidrofolato redutase, bloqueando a síntese de DNA/RNA e proteínas; afeta o trofoblasto e interrompe a gestação. Uso clássico é mais histórico em abortamento; hoje tem papel relevante em gravidez ectópica. (ACOG PB 193/225; UpToDate)

(1) Mifepristona → Agente antiprogestogênico: antagonista do receptor de progesterona; promove degeneração decidual, amolece colo e aumenta sensibilidade do útero às prostaglandinas. Base do esquema combinado. (OMS Abortion Care 2022; FIGO 2022)

(3) Misoprostol → Prostaglandina (análogo da PGE1): induz contrações uterinas e maturação cervical; pode ser usado isoladamente, mas é mais eficaz após mifepristona. (OMS 2022; ACOG 2020/2023)

Por que as outras alternativas estão incorretas?

A – 1 • 2 • 3: colocaria mifepristona como antimetabólito (erro conceitual). Mifepristona é antiprogestogênio, não interfere na via do folato.

B – 1 • 3 • 2: associa mifepristona a antimetabólito e misoprostol a antiprogestogênio, invertendo os dois mecanismos. Misoprostol é prostaglandina, não antagoniza progesterona.

D – 2 • 3 • 1: troca as classes de misoprostol e mifepristona, sugerindo misoprostol como antiprogestogênio e mifepristona como prostaglandina, ambos incorretos.

Estratégia para a prova

• Associe palavras-chave: “anti-folato” → metotrexato; “anti-progesterona” → mifepristona; “PGE1/contração” → misoprostol.

• Lembre que o esquema combinado mais eficaz é mifepristona 200 mg seguida de misoprostol 800 µg (via bucal/sublingual/vaginal) após 24–48 h. Evidência e diretrizes: OMS 2022, FIGO 2022, ACOG 2020/2023.

• Pegadinha frequente: o enunciado pode citar “metotrexato antimetabólito” — use isso a seu favor para ancorar as demais associações.

Contexto prático

Abortamento medicamentoso é opção segura em idade gestacional precoce; diretrizes atuais ampliam a efetividade até ~70 dias em protocolos específicos. Onde disponível, mifepristona + misoprostol supera misoprostol isolado em eficácia e menor necessidade de intervenção cirúrgica. O metotrexato é mais lento e menos usado para esse fim atualmente.

Referências: OMS – Abortion care guideline (2022); FIGO (2022) recommendations; ACOG Practice Bulletin 225 (2020, atualizado); UpToDate – Medical management of first-trimester abortion.

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