Assinale a alternativa que encontra respaldo no texto.
Ambientes tóxicos: o papel do líder
Por Fernando Mantovani
01 É impossível sentir-se feliz todos os dias do ano, mas a sensação de bem-estar precisa
02 predominar em relação aos dias ruins. Não é necessário ser especialista para saber que, quando
03 o desânimo e o pessimismo tomam conta da rotina, abrimos portas para transtornos como
04 depressão, insônia, ansiedade, entre outros.
05 Quem não passou por isso certamente conhece alguém próximo que já passou. Isso
06 porque as questões de saúde mental nunca estiveram tão di__eminadas em nossa sociedade, e
07 boa parte desse cenário está relacionado ao estresse no trabalho.
08 A terceira edição do estudo Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de
09 Trabalho, realizado pela The School of Life, em parceria com a Robert Half, ajuda .... clarear essa
10 questão. Ouvimos 774 profissionais empregados, de diferentes regiões do Brasil, com 25 anos
11 de idade ou mais e formação superior completa, sendo 387 líderes e 387 liderados. A pesquisa
12 revela que 42,86% dos liderados entrevistados, quase metade da amostra, consideram o
13 ambiente de trabalho tóxico como o principal fator para pedir demissão. Ou seja, mais do que
14 salário, benefícios ou perspectivas de a__ensão, sentir-se mal com o nível de pressão, os
15 conflitos ou prazos é o que realmente pesa contra um emprego atualmente.
16 Outras razões citadas pelos participantes foram: falta de reconhecimento (percepção de
17 13,43% dos entrevistados), imposição de trabalho 100% presencial (13,14%), ausência de plano
18 de carreira (8,86%) e pouco protagonismo (3,71%). É interessante observar a significativa
19 distância entre o primeiro e segundo motivos: quase 30 pontos percentuais.
20 Sair da empresa é uma medida extrema, mas, antes disso, surgem outras dificuldades.
21 De acordo com o estudo, nos últimos 12 meses, 44% dos líderes e 45% dos liderados afirmaram
22 que deixaram de produzir ou se manter engajados em algum momento por estar
23 emocionalmente abalados. A baixa performance foi indicada por 37,19% dos líderes como a
24 maior motivação para demissão.
25 Esse quadro mostra como se tornou importante zelar pelo bem-estar e qualidade de vida
26 dos times, tanto pela empatia ao próximo quanto pelos resultados dos negócios. E nesse ponto
27 surge mais um obstáculo identificado pela pesquisa: 61% dos liderados e 65% dos líderes
28 acreditam que os gestores das empresas em que atuam não estão capacitados para acolher
29 quem está com a saúde mental em __eque.
30 Um alento é saber que 19% dos gestores que indicaram essa falta de preparo disseram
31 que, em suas empresas, essa capacitação deve ser iniciada até o fim de 2024. Lideranças
32 sensíveis .... temperatura emocional do escritório não só podem ajudar as equipes como também
33 evitar gatilhos que levam uma empresa .... se tornar tóxica. Relações desequilibradas, metas
34 irreais ou regras excessivamente rígidas são alguns deles, entre tantos outros.
(Disponível em: https://exame.com/colunistas/sua-carreira-sua-gestao/ambientes-toxicos-o-papel-do-lider/ –texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que encontra respaldo no texto.
Gabarito comentado
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Assunto central: Interpretação de Texto. Essa questão exige a capacidade de localizar informações explícitas no texto, comparando dados percentuais e interpretações do enunciado com as alternativas.
Alternativa correta: E – “Mais de 15% dos gestores apontaram falta de preparo para acolher quem está com a saúde mental em risco.”
Segundo o texto, 19% dos gestores reconheceram a carência de preparo, quantia que é efetivamente superior a 15%. Este dado aparece de maneira objetiva, não restando margem para dupla interpretação. O domínio da leitura técnica é essencial: ao encontrar percentuais no texto ou nos itens, sempre compare o valor declarado (19%) ao do item (15%). Esse tipo de análise literal é cobrado em provas de concursos públicos, especialmente em cargos técnicos, como o de Engenheiro Sanitarista, demandando rigor lógico e atenção.
Análise das alternativas incorretas:
A) O texto não hierarquiza “bem-estar” e “qualidade de vida”, mas os apresenta como igualmente essenciais. Criar hierarquia sem apoio no texto é erro de interpretação.
B) Afirma justamente o contrário do que o texto sustenta: gestores sensíveis (capazes de perceber o clima emocional) são valorizados, pois ajudam a evitar o ambiente tóxico.
C) O texto cita como gatilho “regras excessivamente rígidas”, não “ausência de regras”. A sutil troca de termos é uma pegadinha comum.
D) Confunde a informação: 61% e 65% dos entrevistados acham que os gestores não estão capacitados para acolher colegas em situação de risco à saúde mental, mas isso não envolve julgamento de dedicação profissional. Conceitos distintos!
Estratégia para provas: Sempre que a questão trouxer dados quantitativos e percentuais, compare-os com atenção – erros surgem quando há troca, arredondamento ou generalização indevida. Observe ainda palavras de exclusão (como “mais”, “menos”, “nunca”) e termos que trocam o sentido original (como “ausência” versus “excesso”).
Fundamentação: Segundo Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra), a clareza e o rigor objetivo nas relações semânticas e referenciais são fundamentais. Manual de Redação da Presidência da República reforça: “sempre que o texto trouxer dados numéricos, mantenha rigor na transcrição e na interpretação desses elementos”.
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