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A gestora de uma UBS identifica que pessoas com diabetes, do...

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Q3916608 Medicina
A gestora de uma UBS identifica que pessoas com diabetes, do território, apresentam baixa adesão ao tratamento e que muitas estão com controle inadequado da doença.
Nas visitas ao bairro, observa poucas áreas verdes, dificuldade de transporte público e grande quantitativo de trabalhadores informais entre os moradores. O bairro tem 2 mini-mercados, com disponibilidade de alimentos ultraprocessados e pouca oferta de alimentos frescos.
Considerando ações viáveis dentro da atenção primária, qual intervenção tem maior potencial para melhorar o controle glicêmico da população?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: Na APS, o controle glicêmico populacional melhora mais quando a intervenção enfrenta determinantes sociais e barreiras de acesso do território, com cuidado longitudinal, suporte ao autocuidado e ações viáveis de promoção da saúde. No caso, há dificuldade de transporte, trabalho informal, poucas áreas verdes e ambiente alimentar desfavorável; por isso, a estratégia decisiva é a que combina atividade física, orientação alimentar e facilitação do acesso às consultas.

Tema central: Determinantes sociais na APS
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque adota responsabilização individual sem remover as barreiras reais descritas no enunciado. Em doença crônica com baixa adesão associada a dificuldade de transporte, rotina laboral instável e ambiente desfavorável, cobrar mudança de estilo de vida sem suporte organizado não corrige o problema clínico-populacional. O erro médico é confundir educação em saúde com postura moralizante, quando o critério decisivo é redução de barreiras e apoio ao autocuidado.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne duas frentes complementares: intervenção comportamental e organização do cuidado. Os grupos de atividade física e a orientação alimentar atuam sobre componentes centrais do manejo não farmacológico do diabetes, enquanto a ampliação dos horários de consulta reduz uma barreira concreta de adesão neste território, especialmente para trabalhadores informais e para quem depende de transporte público. Diferentemente de campanhas apenas informativas ou de medidas que culpabilizam o paciente, essa opção oferece suporte estruturado e mais factível para modificar o controle glicêmico populacional.
C
Errada
Está errada porque campanhas on-line, cartazes e dicas são intervenções predominantemente informativas e passivas. Elas podem aumentar conhecimento, mas não modificam, por si, dificuldade de comparecimento, limitação ambiental para atividade física nem oferta precária de alimentos frescos. O problema central do caso não é falta isolada de informação, e sim barreira estrutural e organizacional; por isso, essa estratégia tem menor potencial de melhorar controle glicêmico populacional.
D
Errada
Está errada porque propõe medicalização burocrática e ainda reduz indevidamente a importância da mudança de estilo de vida, que permanece componente central do controle do diabetes. Um protocolo mais rígido de prescrição não resolve barreiras de acesso, adesão global ao cuidado, contexto alimentar nem oportunidade de atividade física. Tecnicamente, é inadequado sugerir que prescrição mais rígida substitui intervenção não farmacológica e organização do cuidado na APS.
E
Errada
Está errada porque automonitoramento glicêmico domiciliar, embora possa ser útil em cenários específicos, não é a intervenção com maior potencial populacional neste caso. O enunciado descreve baixa adesão ampla e determinantes sociais desfavoráveis; fornecer glicosímetro e fitas sem enfrentar acesso, sem educação estruturada e sem reorganizar o seguimento tende a ter benefício limitado como estratégia principal. O erro é supor que monitorização isolada corrija um problema cujo núcleo é social, comportamental e organizacional.
Pegadinha da questão
A banca tenta fazer o candidato trocar uma intervenção territorial e organizacional da APS por medidas aparentemente ativas, porém menos efetivas no cenário descrito, como cobrança individual, campanha educativa isolada, mais rigidez na prescrição ou monitorização sem enfrentar as barreiras de acesso.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado destaca transporte, trabalho, ambiente alimentar e possibilidade de exercício, pense primeiro em determinantes sociais e organização do acesso, não apenas em prescrição.
  • Em APS, a melhor resposta para doença crônica mal controlada costuma combinar suporte ao autocuidado com facilitação concreta do seguimento.
  • Educação passiva, culpabilização e tecnologia isolada perdem força quando o problema principal é barreira estrutural e baixa adesão global.
  • Se a alternativa atua simultaneamente sobre estilo de vida e acesso ao serviço, ela tende a ter maior impacto populacional nesse tipo de cenário.

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