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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Grupo 001 |
Q1673075 Medicina
Uma primigesta de 32 anos de idade, que realizou pré-natal em unidade básica de saúde, foi internada no centro obstétrico em trabalho de parto ativo, já com 5 cm de dilatação e com bolsa amniótica íntegra. Foi revisada a carteira de pré-natal, sendo escolhida três resultados de uroculturas: o primeiro com Escherichia coli> 100.000 UFC / mL; o segundo com Streptococcus agalactiae> 100.000 UFC / mL; e o terceiro negativo. Um paciente relata ter realizado tratamento com antibiótico apenas durante os episódios de infecção. Não foi encontrado resultado de cultura de secreção vaginal para Streptococcus do grupo B.


Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.


Não é necessário iniciar nenhum esquema com antibiótico nesse momento, pois, apesar do trabalho de parto ativo, a bolsa amniótica está íntegra.



Alternativas

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Gabarito: E) errado

Tema central: Esta questão avalia o conhecimento sobre profilaxia antibiótica intraparto para prevenção de infecção neonatal por Streptococcus agalactiae (Estreptococo do Grupo B – EGB). Trata-se de um dos temas regular e repetidamente cobrados em concursos médicos, dada a sua relevância clínica e alto potencial de redução da morbimortalidade neonatal.

Justificativa para a alternativa correta: A gestante do caso teve bacteriúria por EGB comprovada em urocultura (>100.000 UFC/mL), critério que, independentemente de sintomas, trimestre gestacional ou integridade de membranas, impõe a obrigatoriedade da profilaxia antibiótica intraparto. Como reforça o Manual de Neonatologia:
“A profilaxia para estreptococo do grupo B é indicada em: Bacteriúria durante qualquer trimestre da gravidez atual.”

Apenas com o achado de bacteriúria para EGB, já existe risco aumentado de transmissão vertical. A profilaxia intraparto, normalmente com penicilina cristalina, reduz drasticamente casos graves de sepse neonatal, como evidenciado por séries e diretrizes internacionais (CDC, UpToDate, Ministério da Saúde).

Análise da alternativa errada: A afirmação do item (“não é necessário iniciar antibiótico, porque a bolsa está íntegra”) contraria as diretrizes. A presença ou ausência de rotura de membranas não altera a obrigatoriedade da profilaxia em gestantes com bacteriúria por EGB. O raciocínio correto é identificar as indicações absolutas (bacteriúria, cultura vaginal/retal positiva, histórico de RN anterior acometido por EGB) — não apenas critérios de “exposição adicional” como rotura de membranas >18h ou febre.

Pegadinhas e estratégias para concursos: Atenção: muitos candidatos confundem a indicação quando só consideram o resultado do “swab vaginal/retal no final da gestação” ou acreditam que só se indica antibiótico diante de rotura de membranas prolongada ou sinais infecciosos. Bacteriúria para EGB isoladamente já exige profilaxia!

Resumo prático: Nunca deixe de indicar profilaxia intraparto quando houver evidência laboratorial prévia de colonização urinária por EGB, não importa a situação obstétrica naquele momento. Isso está claramente respaldado por protocolos nacionais e internacionais.

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Comentários

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A afirmação está errada. A indicação de administração de antibióticos nesse caso não é determinada apenas pelo estado da bolsa amniótica, mas também pelo histórico de infecções urinárias da paciente. A paciente apresentou duas uroculturas com resultados positivos para Escherichia coli e Streptococcus agalactiae, ambos com contagens altamente significativas de UFC/mL (mais de 100.000). O Streptococcus agalactiae (ou estreptococo do grupo B) é particularmente preocupante, pois é conhecido por causar infecções neonatais graves, incluindo septicemia, pneumonia e meningite. Mesmo com a bolsa amniótica intacta, o risco de transmissão ascendente a partir do trato genital inferior é real e pode ser reduzido com a administração profilática de antibióticos intraparto. Portanto, seria recomendado iniciar um esquema de antibióticos neste momento, mesmo com a bolsa amniótica intacta.

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