Homem de 62 anos, diabético, procura o pronto-socorro com do...

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Q3908255 Medicina
Homem de 62 anos, diabético, procura o pronto-socorro com dor em hipocôndrio direito há 5 dias, associada a náuseas e febre (38,6 °C), com piora progressiva do quadro. Ao exame físico, apresentou dor importante à palpação no quadrante superior direito e sinal de Murphy positivo. Nos exames laboratoriais, observam-se leucócitos de 19.000/mm³, bilirrubina total de 1,2 mg/dL e PCR elevada. O ultrassom de abdome evidenciou colelitíase, espessamento da parede da vesícula biliar e líquido perivesicular, sem dilatação da via biliar principal. O paciente apresenta PA 125/78 mmHg, FC 102 bpm, SatO₂ 97% em ar ambiente, sem sinais de disfunção orgânica, com creatinina normal, diurese preservada e sem alteração do estado mental. Com base no quadro clínico e nos achados laboratoriais e de imagem, a classificação de gravidade mais provável, segundo a Tokyo Guidelines, é: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pelas Tokyo Guidelines 2018, colecistite aguda grau II exige ausência de disfunção orgânica e presença de pelo menos um critério de moderada gravidade; neste caso, há dois critérios objetivos — leucócitos de 19.000/mm³ e sintomas há 5 dias (> 72 h) — enquanto o enunciado afasta disfunção cardiovascular, respiratória, renal e neurológica, o que conduz à classificação como grau II.

Tema central: Gravidade da colecistite
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Grau I só se aplica quando o quadro não preenche critérios de grau II nem de grau III. Aqui já há dois critérios de grau II pelas Tokyo Guidelines: leucócitos de 19.000/mm³ e sintomas há 5 dias. A estabilidade hemodinâmica não rebaixa o caso para grau I.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro é de colecistite aguda sem falência orgânica, mas com critérios formais de gravidade moderada nas Tokyo Guidelines. O paciente tem leucocitose acima de 18.000/mm³ e duração dos sintomas superior a 72 horas. Esses achados, por si, já bastam para grau II, desde que não haja disfunção orgânica, o que o enunciado explicitamente nega.
C
Errada
Incorreta. Grau III exige disfunção orgânica. O enunciado informa pressão arterial preservada, creatinina normal, diurese preservada, saturação adequada e ausência de alteração do estado mental, afastando disfunção cardiovascular, renal, respiratória e neurológica. Leucocitose intensa, febre, idade e diabetes não substituem critério de falência orgânica.
D
Errada
Incorreta. As Tokyo Guidelines para colecistite aguda classificam a gravidade em graus I, II e III. Grau IV não faz parte dessa classificação.
E
Errada
Incorreta. O quadro está centrado na vesícula biliar: dor em hipocôndrio direito, Murphy positivo e ultrassom com colelitíase, espessamento da parede vesicular e líquido perivesicular. Além disso, não há evidência de obstrução da via biliar principal: bilirrubina total de 1,2 mg/dL e ausência de dilatação da via biliar principal. Isso afasta colangite aguda como classificação adequada.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre estabilidade clínica e grau I. Nas Tokyo Guidelines, ausência de disfunção orgânica exclui grau III, mas não impede grau II se houver critérios objetivos como leucócitos > 18.000/mm³ ou sintomas por mais de 72 horas.
Dica para questões semelhantes
  • Na classificação de colecistite pelas Tokyo Guidelines, primeiro exclua grau III procurando disfunção orgânica.
  • Sem falência orgânica, procure critérios de grau II; basta um, e aqui havia dois: leucócitos > 18.000/mm³ e duração > 72 h.
  • Grau I só existe quando não há critérios de grau II nem de grau III.
  • Não confunda colecistite com colangite quando o quadro clínico e o ultrassom estão centrados na vesícula e não há sinais de obstrução da via biliar principal.

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